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Artigo/Opinião

Efeitos do Rojão

Marinaldo Mira

Na manhã deste domingo (9.02), investigadores da 17ª Delegacia Policial (DP) de São Cristóvão, Rio, prenderam, o tatuador Fábio Raposo, de 22 anos, suspeito de participação no ataque ao cinegrafista da Band, Santiago Andrade, durante manifestação de protesto contra o aumento da passagem de ônibus, no último dia 6, na Central do Brasil. Os policiais deram cumprimento a mandado de prisão temporária, expedido pela Justiça.

O ataque ao cinegrafista, em meio a um confronto entre policiais militares e manifestantes, chocou o país, depois da veiculação das imagens feitas por equipes de TV. O direito de manifestação é legítimo e democrático, não cabe questionar isso. No entanto, é inaceitável, condenável, que jovens como o tatuador Fábio Raposo vá infiltrar-se nessas manifestações, e entregue artefatos explosivos, bombas ou coisa parecida a suposto desconhecido, com a finalidade de detoná-las contra policiais ou qualquer outra pessoa que esteja nas ruas, de passagem.

Se o alvo era policias e não cinegrafistas, não vem ao caso. O que importa para quem leva artefatos desses para as ruas é atingir alguém da Polícia, mas na prática o rojão pode perder o foco (como aconteceu) e vai alvejar alguém, manifestante ou não.

Além disso, causa repúdio o depoimento, quando o tatuador diz acreditar nada ter com o ataque ao cinegrafista. À luz do direito, Fábio é no mínimo co-autor, como já deixa claro o delegado que investigado o caso. E isso é coerente, pois se Fábio não tivesse passado o artefato para o autor, ele não teria ateado fogo ao pavio da bomba ou foguete, que disparou sem rumo e atingiu o cinegrafista.

As desculpas de Fábio, em depoimento patético, na TV, não convencem, em hipótese alguma. Se ele queria protestar contra reajuste de tarifa de ônibus, tem todo o direito, mas colaborar para a execução de um atentado a um cidadão que sequer conhecia, é um crime, e ele terá de responder por isso. Ou, será que Fábio desconhece a lei?. A versão de que ele não conhecia o homem que entregou a bomba é de igual forma difícil de ser aceita.

Fica parecendo a história do suspeito de assalto, que nega a culpa, alegando que apenas dirigiu o carro usado no crime. Ora, se não tivesse um condutor para o veículo, provavelmente, o roubo não teria sido consumado.

Pelas circunstâncias, é evidente, que Fábio não pode participar de manifestações pacíficas. Enquanto isso, a sociedade brasileira reza e espera a recuperação do cinegrafista, que foi atingido pelas costas, sem chance de se defender.

Marinaldo Mira – Jornalista (Ufba/1980), cronista esportivo e professor de Ética. (marinaldomira@gmail.com)

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Comentários

Marinaldo Mira on 10 Fevereiro, 2014 at 12:41 #

Hoje, segunda, 10.02, pela manhã, médicos confirmam morte cerebral de Santiago Andrade.


Graça Azevedo on 10 Fevereiro, 2014 at 15:50 #

Santiago, “quem cala sobre o seu corpo, consente na sua morte”.


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