“Favelinha” demolida na Magalhães Neto
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DEU NO BLOG POR ESCRITO, EDITADO PELO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES

Só mesmo eleitores ingênuos, desses que, para sobreviver do jeito que der, ocupam o espaço público, poderiam imaginar que o fato de terem votado em ACM Neto para prefeito evitaria, como no presente caso, que fosse demolido o pequeno núcleo de comércio e serviço que funcionava na Avenida Magalhães Neto.

O prefeito, pela sua origem política, pelo seu posicionamento social, vai fazer uma gestão isenta de paixão popular, conforme uma visão de assepsia urbana que outrora era o grande deflagrador de intensas lutas de uma esquerda desmoralizada no poder e hoje sem autoridade até para reagir a um ato de brutalidade.

A chamada “favelinha” da Magalhães Neto era remanescente do favelão que por longos anos existiu na região, de toscos barracos de compensado e papelão, a maior parte na margem esquerda do “rio” Camurujipe, que acabou erradicada, com amplo apoio da indústria imobiliária, na administração Fernando José (1989-92).

Diz a velha canção popular que “a dor da gente não sai no jornal”, mas essa, dos trabalhadores surpreendidos de madrugada por máquinas pesadas e – informa-se – 18 viaturas policiais, está nos jornais, televisões, sites, blogs e redes sociais em toda a sua crueza: tudo derrubado, mercadorias e equipamentos confiscados.

A lógica de Neto é puramente eleitoral: os votos que ele perdeu na “favelinha”, como anunciou, pesaroso, um dos prejudicados pela ação da Prefeitura, vai buscar em dobro em outro lugar, talvez por ali mesmo, na classe remediada dos apartamentos livres da horrenda visão.

Ampliando-se a escala, vemos que o prefeito vai perder e ganhar votos com o ordenamento das praias, com o aumento desproporcional do IPTU e com a disciplina do trânsito. O resultado vai depender do balanço cuidadosamente estimado, assim como, no plano político, sua decisão entre Paulo Souto e Geddel Vieira Lima para candidato ao governo.

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Comentários

rosane santana on 10 Fevereiro, 2014 at 14:46 #

Muito bom!


vangelis.a on 13 Fevereiro, 2014 at 11:47 #

Caro VHS,
Além da tentativa de escorcha com o aumento do IPTU, a denúncia da Dra.Katia Borges sobre a sobreposição de dados sobre o velho cadastro de imóveis é um verdadeiro crime do ponto de vista da história. Isso é caso de polícia e judicialização ou não é? http://www.metro1.com.br/-no-ano-passado-foi-arrecadado-r-282-milhoes-com-o-iptu-este-ano-a-previsao-e-de-r-820-milhoes-diz-auditora-5-42977,noticia.html


Graça Azevedo on 13 Fevereiro, 2014 at 13:46 #

Perdi meu tempo explicando ao ilustre jornalista, via twitter, onde estava o real valor do Iptu (que não se dá a devida atenção pois a preocupação é do aqui e agora). Nem resposta!


luís augusto on 14 Fevereiro, 2014 at 8:37 #

Prezada Graça, houve uma primeira mensagem sua, em que cabia resposta, e a dei. Depois, você me mandou a explicação abaixo, que acatei, mas não vi necessidade de responder, uma vez que sei, como disse, que meu aumento real (para 2016) foi de 31,1%. Desculpe, não foi minha intenção desconsiderá-la. Abraços, Luís.

“O imposto real é o q ñ está dito. Siga: base cálculo, aliquota, parcela a deduzir = iptu (q é o lançado). Anos seguintes ñ tera parcela a deduzir. Os aumentos serão sobre iptu base 2014 + parcela deduzida. Isso fará a diferença. Ñ são claras as regras. sobre jh nem comento. 8 anos de destruição da cidade. Para recuperar serão necessários 16.


Graça Azevedo on 14 Fevereiro, 2014 at 18:11 #

Que sorte a sua, prezado Luis! O meu aumento “cheio” é de 321%. Num apartamento de 70m em Armação, com acabamento médio.
É que agora transformaram o bairro em área “nobre”.


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