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ARTIGO/OPINIÃO
Negligência primária

Marinaldo Mira

Os acidentes de trânsito no Brasil passaram a assustar mais do que assaltos e assassinatos. A morte por acidente ficou tão banal que não sensibiliza mais ninguém. “Existe uma máxima segunda a qual, ‘acidentes não acontecem, são provocados” e, isso é a pura verdade. Dois exemplos práticos ocorreram recentemente, de forma assustadora, para quem trafega por rodovias ou em áreas urbanas.

Na segunda-feira última (27.01), na BR-110, perto de Inhambupe, interior baiano, uma carreta transportava um trator de 30 toneladas, ferro puro, sem amarras, quase solto. O que era bem provável de ocorrer acabou acontecendo. A máquina deslocou-se da carreta numa curva e caiu na pista, atingindo, em cheio, um ônibus lotado de passageiros, que trafegava em sentido contrário. Resultado: 14 mortos e inúmeros feridos.

Nesta terça-feira (28.01.), outro acidente, que poderia ser evitado. Uma caçamba, com o basculante suspenso (como se fosse despejar uma carga), trafegando pela Via Amarela, no Rio, derruba o vão principal de uma passarela e mata quatro pessoas. A tragédia poderia ter sido bem mais grave, dada à proporção do acidente.

Negligência primária nos dois casos. É inadmissível que uma carreta transporte um trator solto em sua carroceria, em uma rodovia federal, enquanto que no acidente da Via Amarela, o condutor da caçamba entrou na pista, em horário proibido, e para esconder a placa traseira, levantou o basculante, para evitar a multa por equipamento eletrônico. A pergunta que se faz é a seguinte, para os dois casos: onde estava a fiscalização para deter os condutores e apreender os dois veículos?

Estudos apontam que cerca de 90% dos acidentes de trânsito são causados por falha humana e, portanto, poderiam ser evitados com mudanças comportamentais.

Entre as principais causas estão negligência (desatenção ou falta de cuidado ao realizar uma manobra), imprudência (má fé: velocidade excessiva, dirigir sob efeito de álcool, falar ao celular, desrespeitar sinalização, etc.), imperícia (falta de técnica ou de conhecimento para realizar uma ação de forma segura e adequada).

A revista Veja publica, na edição 2.333: O Brasil é o país com o maior número de mortos em acidentes de trânsito por 100.000 habitantes, foram 58.000 mortos só em 2011. É a segunda maior causa de morte no país, na frente dos homicídios que estão em terceiro lugar (52 mil em 2011).

Os motivos são muitos: má sinalização, má fiscalização, péssima qualidade das estradas etc. Contudo, a responsabilidade não é só do governo: os próprios motoristas estão cada vez mais descuidados; até mesmo a Lei Seca não parou isso. E não é só o álcool que contribui com esses números, a nova febre de smartphones é tão grande que eles causam boa parte desses acidentes de trânsito, entre outros abusos ao volante.

De acordo com especialistas, condutores podem colaborar para a prevenção de acidentes, com atitudes simples e mudança de comportamento, evitar álcool na direção; uso do celular enquanto dirige; velocidade acima do permitido; sonolência; veículos sem manutenção; desrespeitar a sinalização; o não uso do cinto de segurança, inclusive no banco traseiro; discussões no carro, isso tira a atenção do motorista entre outras.

Com atos simples o condutor estará contribuindo para conter o crescimento das estatísticas e preservando a vida, um bem que não há como repor.

Marinaldo Mira – Jornalista (Ufba/1980), cronista esportivo e professor de Ética. (marinaldomira@gmail.com)

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Comentários

Antonio Sacramento on 29 Janeiro, 2014 at 20:27 #

Parabéns Marinaldo, muito apropriada o momento exige alerta e punição aos culpados e aos negligentes


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