jan
11
Posted on 11-01-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-01-2014

Merece prêmio de jornalismo a capa da reviasta VEJA desta semana, que está chegando às bancas.Confira.

(Vitor Hugo Soares)

================================================================

Nat King Cole, um dos melhores do mundo (e de sempre), quanta saudade!!!

(Gilson Nogueira, direto do frio de rachar da Carolina do Norte, neste começo de inverno no hemisfério norte)

jan
11

====================================================

DEU NO PÚBLICO, DE LISBOA

Jorge Almeida Fernandes

Ex-primeiro-ministro de Israel morreu este sábado, 11, aos 85 anos.

Lembram-se de Ariel Sharon? De qual? Até 2004, era um “pestífero”, demonizado na imprensa de todo o mundo. As imagens da repressão da Intifada em Gaza e na Cisjordânia eram devastadoras. Um tribunal belga queria julgá-lo por crimes contra a Humanidade. Gritava-se em Paris: “Sharon igual a Le Pen.” Também nenhum outro líder israelita ouvira, como ele, dezenas de milhares de compatriotas gritar em Telavive “Sharon assassino”, após os massacres de Sabra e Shatila, no Líbano (1982).

No dia 15 de Setembro de 2005, Sharon foi o orador mais aplaudido na 60.ª Assembleia Geral da ONU, onde declarou que os palestinos têm “direito à liberdade e à soberania nacional”. Dois anos antes, tanto as palavras como a apoteose eram impensáveis. A retirada de Gaza, anunciada em Abril de 2004 e realizada em Agosto de 2005, marca a separação das águas.

O “falcão” Sharon, que fez construir centenas de colonatos, era o primeiro líder israelita a ousar começar a desocupação. Ao longo dos dramáticos anos 2004-2005, a esquerda e o campo da paz adoptaram-no como líder, enquanto colonos e fanáticos religiosos que antes o idolatravam – “Arik, rei dos judeus!” – pediam a sua morte. Ele, que sempre vivera protegido por causa de árabes, passou a viver sob reforçada segurança por causa de judeus.

Desapareceu há oito anos, a meio do caminho. Após um primeiro AVC, em Dezembro de 2005, sofreu no dia 4 de Janeiro de 2006 um derrame cerebral arrasador. Passou oito anos em estado vegetativo, até morrer neste sábado. Tornou-se uma figura do passado. Benjamin Netanyahu teve um lapso revelador. Em Setembro de 2011, homenageou Sharon dizendo: “Que a sua memória seja abençoada.” Perante a estupefacção da assistência, emendou: “Que viva muitos anos!”

Dois anos mudaram o seu lugar na História. Até aí, a imagem de Sharon era a da brutalidade e a de adversário de qualquer plano de paz. Amos Oz disse um dia que fugiria de Israel se ele chegasse ao poder. Quando o ouviu dizer que a ocupação era “uma tragédia para os ocupados e ocupantes”, não pôde crer no que ouvia. Quando ele falou na retirada de Gaza, pensou: é uma artimanha. Reconheceu em 2006: “Eu estava errado.”

Outro escritor, David Grossman, observou que Sharon “passou de ser um dos homens mais odiados pelos próprios israelitas para se erigir em líder aceito e amado pela maioria da população, uma espécie de pai com autoridade, que deve ser seguido de olhos fechados. (…) Nos últimos anos, alcançou um estatuto que só David Ben-Gurion teve nos anos 1950: o de líder incontestável.”

O guerreiro

Ariel Scheinermann nasceu em 1928, em Kfar Malal, vale de Sharon, filho de sionistas vindos da Ucrânia e da Bielorrússia. Adoptará o apelido Sharon. Uma expressão da mãe, repetida na infância e quando já ele era político, resume a mentalidade em que foi educado: “Não acredites numa única palavra que os árabes te digam.”

Aos 14 anos, alista-se no Haganah (milícia trabalhista). Faz todas as guerras desde a independência, em 1948. Na Guerra do Sinai (1956), evita à tangente o tribunal marcial, pois desobedece às ordens e força a tomada do desfiladeiro de Mitla, onde morrem 40 soldados israelitas. Na Guerra dos Seis Dias (1967), já general, conquista o Sinai, numa manobra que se tornará um “clássico” nas academias militares.

Foi também o homem dos “trabalhos sujos”. Cometeu crimes de guerra. Em 1953, Ben-Gurion aprova a ideia de criar um corpo de elite, a “Unidade 101”, para neutralizar as incursões árabes. Era comandada por Sharon. O massacre de Qibbiya, na Cisjordânia – 69 árabes mortos –, leva à sua dissolução. Mas Ben-Gurion protege-o. Em 1970, Moshe Dayan manda-o “restabelecer a ordem” em Gaza. Fá-lo com a habitual brutalidade e inaugura “técnicas” que virão a ser usadas na repressão das Intifadas, como a retaliação maciça sobre as famílias dos militantes. Será também ele quem, após a paz com o Egipto (1979), Menahem Begin encarrega de despejar os colonos do Sinai: fá-lo sem estados de alma.

A sua hora chega com a Guerra do Yom Kippur (1973). Numa manobra audaz, a sua divisão de blindados atravessa o Suez e cerca o 3.º Exército egípcio, mudando o curso da guerra.

Torna-se, enfim, herói nacional e entra na política. É eleito para o Knesset. Serve Yitzhak Rabin como conselheiro de segurança. Mas, perante um Partido Trabalhista em declínio e que não satisfaz as suas ambições, alia-se a Menachem Begin, chefe da direita radical. Fundam o Likud e ganham as eleições de 1977.

O colonizador

É ministro da Agricultura (1977-81) e da Defesa (1981-83). Torna-se o grande promotor dos colonatos. Não por messianismo: para ele, a anexação visa a segurança e o controlo da água. Em 1982, convence Begin a intervir na guerra civil do Líbano, excede as ordens e avança até Beirute, para desmantelar a OLP de Arafat e fazer uma aliança estratégica com os cristãos libaneses.

Esmaga o exército sírio: vitória militar, catástrofe política. Os massacres nos campos palestinianos de Sabra e Shatila, por milícias libanesas cristãs, provocam a indignação internacional. Em Israel, a Comissão Kahn acusa Sharon de “responsabilidade indirecta”. Begin tira-lhe a Defesa. Será Shimon Peres a recuperá-lo, fazendo-o entrar nos governos Likud-Labour. Após a eleição de Rabin (1992), é um virulento crítico dos Acordos de Oslo. Quando o Likud volta ao poder (1996), Netanyahu nomeia-o para as Infra-estruturas e, depois, para os Negócios Estrangeiros.

A sua imagem sempre foi controversa. Ben-Gurion considerava-o mentiroso, defeito imperdoável num militar, pois a mentira é privilégio do político. Begin resistiu a nomeá-lo ministro da Defesa, dizendo que Sharon era capaz de cercar o Knesset com os seus tanques.

A vida pessoal combina mistério e drama. A primeira mulher, Margalit, morre num acidente de avião em 1962. Depressa se casa com a cunhada, Lily, a sua paixão, mãe de Omri e Gilad Sharon. Lily morre de cancro em 2000. Gur, o filho mais velho (de Margalit), morrera em 1967, aos 11 anos, a brincar com uma arma do pai.

Sharon reunia os favoritos no seu rancho no Sinai, o maior de Israel, comprado por amigos americanos. Não era escrupuloso em questões de dinheiro e achava normal a corrupção: será o filho Omri a sujar as mãos para financiar as suas campanhas.

Gaza e o Muro

A queda de Netanyahu, em 1999, dá-lhe numa bandeja a liderança do Likud. Passa a combater as iniciativas de paz do trabalhista Ehud Barak. A 28 de Setembro de 2000, faz uma provocatória visita ao Monte do Templo, em Jerusalém, que serve de detonador à segunda Intifada. Barak perde o controlo da situação e Sharon ganha as eleições de Fevereiro de 2001.

Começa pelo que a opinião pública lhe pede: repressão do terrorismo. Reocupa a Cisjordânia e Gaza. Confina Arafat no seu bunker de Ramallah e desmantela a Autoridade Palestiniana. Provoca novas eleições em 2003, que vence triunfalmente. “Ao chegar ao poder, tomou consciência de que os colonatos eram um erro de proporções históricas que punham em causa a segurança e a economia de Israel”, resume o politólogo Yarom Ezrahi. Reconhece a ameaça demográfica: dentro de uma ou duas décadas, uma maioria árabe afogará Israel.

Age em dois tempos. No primeiro mandato, reprime. No segundo, aplica o programa trabalhista. Começa a construção do “Muro” – a que antes se opusera, porque significava uma fronteira. Em Dezembro de 2003, anuncia o “plano de separação unilateral”: como não há “interlocutor palestiniano”, será Israel a traçar as “fronteiras definitivas”. Inverte o axioma trabalhista: “Só a paz garante a segurança”. Para Sharon, “só a segurança garante a paz”.

Esta viragem conduz à retirada de Gaza e ao desmantelamento dos seus 21 colonatos. A esquerda adota-o como líder, pois “só Sharon o pode fazer”. De fato, despreza as ameaças e neutraliza colonos e religiosos messiânicos que faziam o bluff da guerra civil. Os israelitas seguiram-no, por acreditarem que só faria concessões por necessidade e não por ideologia. Sabia lidar com os “medos” de Israel.

O unilateralismo

A retirada de Gaza foi uma “jogada tática com efeitos estratégicos”. Quebrou o isolamento de Israel, reforçou a coesão interna, consolidou a aliança americana e enfraqueceu a Autoridade Palestiniana. Foi o corte de um nó górdio, o fim da mitologia do Grande Israel, abrindo caminho à criação de um Estado palestiniano. Era também a vitória do Israel laico e democrático sobre os ultra-religiosos e messiânicos.

A política unilateralista de Sharon cedo foi criticada. Seria uma forma de congelar as negociações de paz. O seu conselheiro Dan Weissglass explicou-o cruamente: “Quando se congela o processo político, evita-se a discussão da criação de um Estado palestiniano e de assuntos como refugiados, fronteiras ou Jerusalém.” Sharon apostava na “separação” para criar uma paz de facto e não para resolver o conflito histórico – algo em que não acreditava. Dirá um dos seus críticos que se limitava a tirar os palestinianos das vistas de Israel, escondendo-os “por trás do Muro”.

Pouco interessam as motivações de Sharon, respondeu no diário Haaretz o analista Ari Shavit. “Do ponto de vista da esquerda, a questão é simples: apenas Sharon o pode fazer. Se Sharon não for capaz de evacuar os colonatos em 2005, ninguém o será. E a ocupação tornar-se-á no estado normal das coisas. Não há alternativa a Sharon.” Outro analista acrescentou: “A campanha de intimidação contra Sharon não resultará. Ele não tem medo.”

Dez anos depois, o debate não tem conclusão. Ou melhor, foi uma década perdida: nem desocupação nem negociação. Sem Sharon, o unilateralismo conduziu ao impasse e, como efeito perverso, fez crescer os colonatos e o fanatismo. O seu sucessor, Ehud Olmert, pensou ir mais longe, “mas não era Sharon”. Netanyahu, que nunca teve coragem política, optou pelo imobilismo. Está agora sob pressão americana para negociar. A sombra de Sharon continua, como fantasma, a pairar sobre as “difíceis opções” que – diz John Kerry – Israel em breve terá de fazer. Muitos perguntam: “Que faria Sharon nas actuais circunstâncias?”

O legado

Ariel Sharon nunca foi um visionário nem um grande estrategista. Era um génio da tática, “um improvisador natural, supremamente adaptável às circunstâncias, capaz de fazer viragens e mudanças dramáticas na sua política e na sua abordagem”, escreve o jornalista Chemi Shalev. Foi um homem corajoso, brutal e inimitável. “Nunca parava num sinal vermelho”, resume Uzi Benziman, um dos seus biógrafos. Só jogava segundo as regras que ele próprio estabelecia. “O único deus em que acreditava era o que via todos os dias ao espelho.” Foi o “último dos israelitas” – dos políticos e guerreiros que fundaram Israel.

Sharon não deixou uma “solução”. Talvez o seu legado seja simplesmente o exemplo da audácia política, sem a qual tudo parece impossível.

jan
11
Posted on 11-01-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-01-2014


=================================================
Sinfrônio, hoje, no Diário do Nordeste (CE)

jan
11


DEU NO CORREIO DA BAHIA

Priscila Chammas e agências

O HB20 do supervisor industrial Marcel Calmon é até econômico, faz 12km por litro. Mas, como ele trabalha no Polo Industrial de Camaçari, a 35km de casa, isso não quer dizer muita coisa. “São 70km por dia. Contando com as saídas de fim de semana, são 500km por semana, ou seja, um tanque”. Em novembro do ano passado, isso era um problema. Mas, de dezembro para cá, se tornou um problemão. “Gastava por mês R$ 432. Com o aumento foi para R$ 560”, reclama Calmon.

Em Salvador e Região Metropolitana (RMS), o preço da gasolina subiu muito acima da média nacional no último mês de 2013. Enquanto o índice no Brasil ficou em 4,04%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na RMS, o aumento foi de 15,85%. No acumulado do ano, a gasolina aumentou, em média, 6,53% no Brasil e 7,58% na Bahia. O reajuste do etanol no estado também foi superior à média nacional, embora a diferença tenha sido menor (veja tabela NO cORREIO)).

Para o presidente do Sindicato do Comércio de Combustíveis da Bahia (Sindicombustíveis), José Augusto Costa, o aumento não foi tão grande assim. “Não dá para levar em conta só o aumento do mês, porque isso é muito relativo. O aumento do ano foi um pouco maior, mas a diferença foi irrelevante”, garantiu.

O coordenador de disseminação de informações do IBGE, Joilson Rodrigues de Souza, tem uma opinião diferente. “O preço da gasolina se manteve mais ou menos estável o ano inteiro, motivado pela concorrência. Mas, quando o governo anunciou um aumento de 5%, o que se viu nas bombas foi um reajuste muito superior. Eles viram uma oportunidade de aumentar”, disse.

O aumento da gasolina foi um dos itens que colaboraram para o aumento da inflação de dezembro e, consequentemente, do acumulado do ano de 2013. O índice do mês ficou em 0,92%, acima dos 0,54% registrados em novembro.

O maior (IPCA) dos meses de dezembro desde 2002, quando o resultado chegou a 2,1%. O ano de 2013 fechou em 5,91%, acima dos 5,84% do ano anterior. Em dezembro de 2012, a taxa ficou em 0,79%.

Economia
Para economizar, o jornalista Rafael Sena, que mora em Itapuã e trabalha na Federação, diz que tem maneirado nas saídas de final de semana. “Virei freguês do Armazém Villas, que é perto da minha casa. Quando meus amigos estão na Barra e me chamam eu nem vou”, conta.

Outra coisa que teve um aumento considerável, puxando a inflação para cima, foi a alimentação, sobretudo a fora de casa, que cresceu 10,07% no Brasil em 2013. Na RMS, o reajuste médio foi de 7,78%, o suficiente para o fisioterapeuta Diogo Santana passar a almoçar num ‘PF’ perto do trabalho, junto com os pedreiros que trabalham na construção vizinha. “Custa R$ 10 e dá para o gasto. Sai muito caro almoçar na rua todos os dias”.

Já o analista de TI Ricardo Souza passa o mês atrás das promoções em restaurantes do shopping. “Em média, um almoço custa R$ 25. Gastava uns R$ 300 por mês, mas agora gasto quase R$ 500”.

Sobre o aumento, o presidente da Associação de Bares e Restaurantes da Bahia (Abrasel), Luiz Henrique do Amaral, diz que a culpa é do aumento dos custos nesses estabelecimentos. “Os alimentos que compõem o cardápio subiram muito, ainda tem o aumento dos aluguéis e dos impostos sobre a cerveja, por exemplo, que impactaram bastante”.

Ele cita também o aumento real do salário mínimo nos últimos anos como outro fator que encareceu os custos de bares e restaurantes. “Estamos na pior fase. O preço subiu, mas o lucro diminuiu. E não vejo nenhum horizonte que nos indica que vai haver uma melhora”, finaliza.

IPCA fecha em 5,91% e supera expectativa do Banco Central

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse que a inflação medida pelo IPCA mostrou “resistência ligeiramente acima” do esperado em 2013. “Essa resistência da inflação se deveu à depreciação cambial ocorrida nos últimos semestres, a custos originados no mercado de trabalho, além de recentes pressões no setor de transportes”, afirmou. O IPCA de 0,92% em dezembro é a maior desde 2002. E o acumulado de 2013, 5,91%, superou as projeções mais pessimistas do mercado financeiro. O resultado jogou por terra as previsões do Ministério da Fazenda e do BC de contabilizar em 2013 uma inflação inferior à de 2012, de 5,84%. Embora abaixo do teto da meta do governo (6,5%), o IPCA apontou para uma inflação mensal nos patamares de 2002 e 2003, quando o temor de investidores em relação às eleições presidenciais fez o dólar atingir R$ 4.

Poupança nova perdeu para inflação; antiga e dólar ganharam

O IPCA divulgado ontem ficou acima do índice de rendimento da poupança nova – a que varia de acordo com a Selic. Enquanto o rendimento da poupança ficou em 5,8%, a inflação foi de 5,91%. Já as cadernetas de poupança que funcionam pelas regras antigas tiveram ganho superior ao índice: 6,3%. O dólar também foi um bom rendimento em 2013, pois rendeu 15,3%. Por outro lado, o rendimentos do FGTS (3,15%), títulos do Tesouro Direto NTB-B (-1,6%), fundos de renda fixa em geral (-5,29%), Ibovespa (-15,50) e ouro (-17,4%) não foram investimentos rentáveis. Os títulos do Tesouro Direto (LFT) renderam 7,06%; e os fundos DI, que são atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), tiveram ganho de 6,29%. O Certificado de Depósito Bancário (CDB) rendeu, em média, 6,2%.


“A caravana passa”, diz Campos, ao reagir
a ataques apócrifos no site do PT

======================================================

ARTIGO DA SEMANA

Campos e Marina: Os Cães e a Caravana

Vitor Hugo Soares

A charge de Thiago Lucas, na Folha de Pernambuco, edição de quinta-feira, 09, é arguta, bem humorada e emblemática. Representação mais que perfeita destes primeiros dias de 2014 na política brasileira. Quando as coleiras são abertas e as matilhas parecem liberadas de seus canis, para sair à caça e morder quem achar pela frente.

Principalmente os que aparentem, ou de fato representem alguma possibilidade de mudança , mesmo que remota. Ou algum “perigo”, por menor que seja, de alternância de poder neste ano imprevisível de eleições quase gerais no País, sendo mais relevante, a presidencial.

Crucial e urgente, também, é uma resposta à pergunta proposta no desenho do chargista pernambucano, através do governador Eduardo Campos (PSB). Até aqui, o desafiante principal e o mais incômodo aos atuais donos do poder.

Além de ser o político e eficiente administrador pernambucano, o mais ousado, até aqui – ao lado da escudeira Marina Silva (Rede), no enfrentamento do principal grupo de mando (os petistas) instalado no Palácio do Planalto há mais de uma década. Sem contar, é claro, o tempo de governo nos dois mandatos do tucano Fernando Henrique Cardoso.

Uma rápida descrição se impõe. Para contextualizar o fato jornalístico em foco e, ao mesmo tempo, permitir um melhor entendimento e comparação do leitor que não tiver a possibilidade imediata de conferir o texto deste artigo semanal de opinião, com a charge de humor político referida.

No desenho de Thiago Lucas, dois cachorros ferozes atacam o governador de Pernambuco. Ambos vermelhos de fúria. Os dois com uma estrela do PT tatuada no lombo. O menor, abocanha o calcanhar do postulante socialista ao lugar da presidente Dilma Rousseff. O maior, ladra ameaçadoramente ao lado do surpreendido e aterrorizado Eduardo Campos, que pergunta: “Quem soltou vocês?”.

A interrogação segue incomodamente no ar. À espera de respostas mais sérias e lúcidas (se é que pode haver seriedade ou alguma lucidez nessa história maluca, malvada e intrigante) e objetivas, sobre motivos e mandantes da grosseira e intempestiva emboscada verbal. Armada insidiosamente contra Campos e Marina em forma de “editorial apócrifo” e com as características jornalísticas das “notas soltas” de imprensa em antigas e devastadoras campanhas eleitorais.

A “nota solta” intitulada “A Balada de Eduardo Campos”, publicada esta semana na pagina oficial do Partido dos Trabalhadores, em meio a grande estupefação e alaridos no Nordeste e País afora, chama o presidenciável socialista, neto e herdeiro político do legendário ex-governador Miguel Arraes, revolucionário e aliado petista reverenciado de outras épocas (a exemplo de Campos e Marina), de “tolo” “playboy mimado” , “vaidoso” . Além de candidato a presidente da República “sem projeto, sem conteúdo e sem compostura política”.

E por aí vai o carro, sem freios, ladeira abaixo.

A ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula, Marina Silva, brava e resistente ex-senadora acreana – símbolo internacional das melhores lutas brasileiras em defesa das florestas, dos recursos naturais e da afirmação da mulher na luta política e na administração pública -, foi qualificada de “ovo de serpente”. Posto no interior do PSB como venenoso e destruidor “Cavalo de Tróia” na antiguidade. Um mergulho, já se vê, nas profundezas da mais gratuita e infeliz maneira de travar um debate político.

Diga-se a bem da verdade factual, no entanto, apesar do susto com o ressurgimento de velhas manobras em pleno Século XXI, neste ano prometedor de 2014: nada de novo sob o sol ou debaixo do céu de Brasília e do planeta.

No livro “Contra La Prensa”, a excelente antologia de textos elaborada pelo jornalista argentino Esteban Rodriguez (minha melhor compra na última passagem pela Livraria Ateneo, de Buenos Aires, cuja leitura indico vivamente, para jornalistas ou não), há um escrito especial sobre o tema, de autoria de Osvald Spengler.

Intitulado “O Grande Silêncio: obediência devida”, o texto começa com a afirmação de que a imprensa e a pólvora guardam uma relação íntima desde a origem de ambas, como técnica e como tática de guerra. As duas, a pólvora e a imprensa, podem se converter em armas terríveis e devastadoras nas mãos de quem saiba manipulá-las.

No jornalismo, o primeiro grande exemplo desta tática de guerra para ataques de longa distância e largo alcance, chamada no Brasil, há séculos, de “Notas Soltas” (do Sec. XVIII), vem de Londres. Nas batalhas de artigos e memoriais apócrifos, inclusive em território francês, que desde os jornais e panfletos impressos na capital inglesa, na época se lançavam contra Napoleão. O líder corso foi firme e inflexível na reação.

O governador pernambucano Eduardo Campos reagiu aos ataques com a indignação devida. Argumentos sólidos e equilibrados.Recebeu solidariedade dos socialistas, ambientalistas e outras forças políticas próximas. Até mesmo de alguns petistas, mais libertos da “obediência devida”, partiram protesto contra “o perigo de rebaixamento do nível da campanha”.Na Bahia, o ex-ministro de Lula e postulante ao governo do Estado, Geddel Vieira Lima (PMDB), em oposição ao candidato petista Rui Costa, apadrinhado pelo governador Jaques Wagner, escreveu no Twitter: “este tipo de campanha e de ataque não interessa a ninguém, muito menos ao Brasil”

“Os cachorros ladram e a caravana passa”, concluiu olimpicamente (ou não?) Eduardo Campos, ao avaliar as ofensas da “nota solta petista”.

Pode ser que sim. Pode ser que não.

A conferir.

Vitor Hugo Soares, jornalista, é editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

=============================================
‘A ilusão se esvai. É uma cena só. E a cortina cai. Sem dó.
Vai cessar o som. A sessão já foi. Despertar é bom. Mas dói”..

BOM DIA!!!

===========================================================

OPINIÃO POLÍTICA

Governo recebe advertência

Ivan de Carvalho

Passados os primeiros dias, vale dar uma olhada na derrota sofrida na Assembléia Legislativa pelo governo Jaques Wagner quando da votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permitiria ao Estado contratar empréstimos bancários nos quais daria como garantia a receita prevista em royalties do petróleo, gás e outros minerais no período de 2014 a 2018. A receita de royalties para esse período, que inclui os quatro anos do próximo governo, está estimada em R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões.

Não houve para a gestão Wagner um prejuízo financeiro, pois a mesma PEC poderá ser reapresentada no início da próxima sessão legislativa, em fevereiro. Há talvez um certo embaraço administrativo, pois além do retardamento representado pelo período que vai do começo de quarta-feira desta semana até o fim do recesso parlamentar, haverá um segundo período de travamento: a PEC terá que reiniciar toda a tramitação, quase certamente sob nova e cerrada obstrução das oposições.

Terá de cumprir todos os trâmites e prazos regimentais, passando pela apreciação da Comissão de Constituição e Justiça, pedidos de vista aí e no plenário e duas discussões e votações no plenário. Mas certamente o governo conseguirá aprová-la, pois a derrota desta semana, em votação aberta, foi exemplar como susto político e alerta para que o Executivo e seu comando parlamentar se desdobre, em esforços, cuidados e carinhos na corrida atrás dos oito governistas que não estavam presentes na hora da votação, na madrugada de quarta-feira.

Dois estavam no exterior, Deraldo Damasceno saiu para resolver um problema e voltou pontualmente dez minutos depois da votação ser encerrada, Maria Luiza Orge saiu para jantar no restaurante da Assembléia e sumiu, Fabrício Falcão presidiu a sessão à tarde e depois foi para Vitória da Conquista, tornando-se assim mais um governista a ajudar a oposição a conquistar a vitória.

Porque um governista não votar era o mesmo, no efeito, que votar contra. E havia dois governistas (pelo menos) dispostos a sair do plenário se fosse preciso para derrubar a PEC, mas, como viram que não seria preciso essa rebeldia ostensiva para a queda da proposta, votaram a favor da aprovação. Além disso, o governismo deverá caprichar nos cálculos, porque parece que a PEC foi posta em votação com 38 deputados governistas em plenário, o número mínimo para a aprovação, mas, destes, um era o presidente da Assembléia e da sessão, Marcelo Nilo, que regimentalmente estava impedido de votar nesse tipo de matéria.

Os aspectos administrativo e financeiro são o de menos, pois o conserto é possível com a reapresentação da PEC no início da sessão legislativa de 2014. Mesmo assim, não estará errado quem disser que a queda dessa PEC foi a maior das raras derrotas sofridas pelo atual governo na Assembléia Legislativa, no longo período de sete anos do governo Wagner. Na verdade, a segunda maior foi a derrubada do veto do governador a um projeto de lei que pretendia determinar ao Estado prestar alguns tipos de assistência às pessoas autistas. O veto foi derrubado, mas o Estado não se preocupou em obedecer à lei, pois não criou a estrutura nela prevista para a assistência aos autistas.

A verdadeira derrota nessa questão dos royalties foi política. Um fato como o ocorrido esta semana não é excepcional, quando o governo tem a amplíssima maioria de que dispõe o governo Wagner, se ocorre no final do mandato. Não é o caso. Ainda faltavam praticamente nove meses para as eleições e um ano para o fim do mandato de um governador que se dispõe a permanecer no cargo até o último dia.

Pode o governo, se quiser, até alegar que se distraiu, que estava de olho comprido observando algum disco voador (se aparecem em Bremen, Alemanha, como deixariam de lado Salvador, Brasil?), que se atrapalhou nos cálculos. Mas não foi isso não, embora haja sido também isso. Em grande parte da bancada governista (e até mesmo entre alguns integrantes da bancada do PT) as comemorações, embora não ostensivas como na oposição, em nada ficavam a dever àquelas em entusiasmo. E ninguém deve procurar “o motivo”. Não encontrará. São causas diversificadas do inconformismo. Uma martelada aqui, uma espetada ali, uma cotovelada acolá.

  • Arquivos