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Postado em 10-01-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 10-01-2014 18:36

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CRÔNICA
BARRY WHITE, O CULPADO

Gilson Nogueira

(Direto da Carolina do Norte)

A culpa é de Barry White, que, agora, parece descer do Céu. Ele canta “You’re the first, the last, my everything”, dele, com Tony Sepe e Sterling Radcliffe, e me faz voltar ao texto que escrevi antes de o frio polar matar mais de 20 pessoas,aqui, nos Estados Unidos, onde estou, ao lado de uma princesinha cor de rosa, minha segunda neta,nascida, no dia 9 de dezembro de 2013, sorrindo Deus.Não gosto de mexer em textos prontos,mas,no que coloquei o CD de Barry na posição de tiro fui atingido por uma rajada de saudade dele e de outros gênios da música norteamericana. Dentre eles, Nat King Cole, Frank Sinatra e Ray Charles, além desse monstro sagrado do soul music. Saudade que me faz chorar Caimmy, ao lembrar de minha cidade vivendo uma onda de crimes contra a pessoa humana como jamais se viu. Agora, por exemplo, diante da cínica expressão do assassino da comerciária, sua ex-mulhr, em uma passarela sobre a Avenida Paralela, faz-me derramar uma lágrima de desesperança na melhoria dos índices de violência na Salvador que já teve em Itapuã um paraíso. E, por conta disso, busco, alucinadamente, na lembrança, para não chorar mais, uma certa água que corria em um fio de terra com destino ao mar da praia de minha infância. E encontro o esgoto humano destruindo a vida em todas as dimensões mais belas do amor de Deus por nós, incluindo, claro, o meu semelhante. Mudo o disco e reencontro o que escrevi, para o Bahia em Pauta, e que não foi publicado. O atualizo,de leve, com um toque de nostalgia e um desejo de ver, um dia, minha terra americanizar-se, no setor policial, entre outras atividades, para evitar que assassinos sejam soltos para desfilar impunidade na passarela das nossas vidas, como classifico as pessoas que amo.Todas são parte de mim e por isso as chamo de minhas vidas, com a convicção de quem é Filho de Deus!

Como escevi, aqui, antes de a onda de frio polariano assombrar o mundo na capital do mundo, repito,os pinheiros não secam, no inverno e no verão,principalmente, na Carolina do Norte, e os cachorros só entram em shopping dentro da bolsa.Seguia a crônica: “as luzes de trânsito são tão respeitadas quanto a bandeira que tremula em todos os cantos simbolizando o amor pela pátria como em lugar nenhum do mundo, tudo é absolutamente limpo e funcional e um silêncio torturante cobre de agonia os dias que correm. Não há ninguém na rua. Movimento, mesmo, de automóveis e caminhões nas hiyghwys e nos condomínios de townhome, assim, de casas coladas umas nas outras, nem todas, algumas, como o nome que as define. E há uma torcida pela queda da temperatura, como pelo futebol, na tela da televisão, enquanto mastiga-se asinhas de frango frito, hambúgueres, hotdogs e bebe-se cerveja, suco de laranja e Coca Cola.

O céu, de repente, cinza quase fim de mundo, muda para azul felicidade, do mesmo modo que o humor do baiano ao ler as notícias de sua terra no Bahia em Pauta. O couro come na Lapinha, Caetano brilha, como sempre, querendo seguir vivendo, como eu, enquanto o super vulcão americano não explode para congelar a humanidade por décadas a fio e deixá-la sobre a face da Terra como um picolé para ser chupado pelos alieníginas que nos espiam do espaço interestelar.

Aqui, feito índio Catawba, na beira do rio que deu nome à tribo, observo o voo da águia em direção às Montanhas Azuis, onde os ursos espiam os seus esquiadores, na expectativa de abraçar algum desavisado e devorar suas batatas fritas.No meu caso,como um ex-garoto que cresceu sabendo de cor a regra para ser usada fora de seus domínios, principalmente,de que, quase sempre, vale desconfiar, até, da própria sombra, comi meu hambúrguer dentro do carro, numa boa, torcendo para o animal aparecer e meter um susto naquele coroa que a tudo vigiava como se fosse uma câmara que procura descobrir o que você está pensando. Finalizo-a”, now, com um voto de fé nos homens de boa vontade para que salvem a Bahia e um recado para o pessoal do Muzenza. É seguinte, quinta-feira que vem, na lembrança, vou estar atrás dos seus tambores, sentindo tão feliz como o menino que nadava em Itapuã como se estivesse no ventre da Mãe Felicidade. FuiI

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP.

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