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Phil Everly: Foto: Rolling Stones

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DEU NO PORTALTERRA

O músico country Phil Everly, da influente dupla dos anos 1950 The Everly Brothers, morreu nesta sexta-feira aos 74 anos em Burbank (Califórnia, Estados Unidos) por decorrência de uma doença pulmonar, informou sua mulher, Patti Everly, ao jornal Los Angeles Times. “Estamos absolutamente abalados, ele lutou muito”, disse a viúva, que explicou que a doença de seu marido foi consequência de toda uma vida de fumante.

Os irmãos Everly formaram uma das duplas mais influentes da história do rock and roll e fizeram bastante sucesso no final dos anos 1950 e no início da década seguinte. As preciosas harmonias dos irmãos Phil e Don (76 anos) influenciaram de forma notável grandes nomes da história da música como os Beatles, os Beach Boys e o grupo The Byrds.

Entre seus temas mais conhecidos estão Cathy’s Clown, Wake Up Little Susie, Bye Bye Love, When Will I Be Loved e All I Have to Do Is Dream. O grupo norueguês A-ha fez bastante sucesso na década de 1990 com a regravação de um dos clássicos da dupla, Crying in the Rain.

No último mês de dezembro, os irmãos Everly voltaram a ser notícia quando o vocalista do Green Day, Billie Joe Armstrong, se juntou à cantora Norah Jones para lançar o álbum Foreverly, uma reinterpretação do disco Songs Our Daddy Taught Us dos Everly Brothers, gravado em 1958.

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Maysa Leak, What Are You Doing The Rest Of Your Life, demais!!!

Confira!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

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O cronista e artista na pizzaria no Rio
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CRÔNICA

Caetano e o velho do rio

Janio Ferreira Soares

Meus filhos gostam de me chamar de velho do rio. É que durante mais de 20 anos moramos num sítio às margens do São Francisco, onde os três vagabundearam horrores entre patos, goiabeiras e vozes baianas, mineiras e inglesas cantando doras, clarices, pablos e micheles, enquanto eu e a mãe deles varávamos madrugadas caçando satélites e luzes de aviões – que em noites de breu mais pareciam vagalumes descompassados numa endiabrada rave no meio do sertão sem fim. Hoje, crescidos e compromissados, ficou mais difícil juntá-los para uma farra movida a risadas e lembranças dos tempos de trovoadas, quando ficávamos todos agarradinhos no escuro do quarto contando em voz alta a distância entre o clarear do relâmpago e o efetivo estouro do trovão. Saudade danada.

Pois bem, depois de muita confusão para conciliar agendas e providenciar logística, este old from San Francisco pegou seus quatro afluentes e desembocou num outro Rio que se chama de Janeiro e que, presumo, desde Estácio de Sá serve como uma espécie de remanso para velhos baianos que nos deram réguas, compassos, budas e coisas e tais, mas que desde sempre ancoram seus barcos e vapores baratos em águas leblonianas, enquanto vagueiam pelos entornos protegidos por um esperto São Sebastião, que sempre anda na companhia de Senhor do Bonfim, já que santo de casa não costuma obrar milagres. Em frente.

Quinta-feira pós Natal, final do musical Elis, eu e minha tropa resolvemos comer uma pizza. No restaurante meio vazio já estávamos sentando numa mesa quando o maitre, talvez pelo nosso sotaque e pelos meus cabelos igualmente prateados sugere, com um risinho meio sacana no canto da boca: “vocês não preferem ficar naquela mesa ali do lado de Caetano Veloso?”. Ainda meio zonzo pelo desempenho quase visceral da baiana Laila Garin – que jogou na minha caixa dos peitos trejeitos e agudos quase tão perfeitos quanto os da Elis real -, olho lá no canto e vejo o velho baiano tomando uma taça de vinho e conversando animadamente com uma simpática jovem que, de soslaio, lembrava o semblante das meninas sertanejas em noites de quermesse no pátio da igreja de Santo Antônio da Glória. Acatamos a tentadora sugestão e, ainda atordoado pelo direto no fígado de uma Laila quase Regina, me vejo a menos de um metro do camarada que tantas vezes foi personagem dos meus artigos e que de há muito é um dos senhores feudais que manda e desmanda no prato devoluto da minha velha vitrola. Em frente.

Pizza e vinho a rolar, quando meus filhos, percebendo certa confusão no meu semblante, dizem: “deixa de frescura, painho, e vai logo falar com ele”. De imediato descartei a ideia, até para manter a minha coerência no que diz respeito a tietagens explícitas. Explico. Durante anos como secretário de turismo de Paulo Afonso, fui o responsável pela contratação de dezenas de artistas dos mais variados calibres (de Gil a Ivete, de Lulu Santos a Claudia Leite, de Paralamas a Skank) e jamais fui ao camarim ou ao hotel de nenhum deles para me apresentar e tirar fotos, por um motivo bem simples. É que eu acho que realmente não vale a pena posar com alguém que 5 minutos depois vai passar por você e não vai lhe dar a mínima. Agora, se pintar uma oportunidade de um papo numa mesa de bar, como aconteceu com os meninos do 14 Bis e da Cor do Som, aí é outra história. Mas voltemos ao chianti, a mozzarela e ao resumo da opereta que, segundo um velho amigo, bem poderia chamar-se: “Ah! bruta flor do querer, ah! bruta flor, bruta flor!”.

Final. Creio que levado pelo vinho e pela noite em si, capitulei e mandei às favas princípios e coerências. Fui até ele, trocamos rápidas palavras e lhe perguntei se podia (“oh! seu vendilhão!” diria o mesmo amigo) tirar uma foto. E assim como Pelé disse “love, love, love”, ele disse “pode, pode, pode”. Pra terminar, a fotografia até que ficou bem bacana. Eu, é que talvez tenha queimado o meu filme e umas duas páginas da minha biografia. Ou não, como diria lá ele. Vá que ela seja autorizada e escrita por uma mão amiga…

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

jan
04
Posted on 04-01-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-01-2014


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Sid, hoje, no potal de humor A Chsrge Online

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ARTIGO DA SEMANA

FHC: Um estadista no Manhattan Connection

Vitor Hugo Soares

Para começar 2014 com os dois pés, um pensamento de Ulysses Guimarães, mestre da política e guerreiro imortal das lutas democráticas, contra a ditadura e em defesa de liberdade plena de expressão no Brasil. O texto, porém, é sobre a entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, domingo passado, no programa Manhattan Connection, do canal privado de televisão Globo News.

A citação é do IV Mandamento do Decálogo do Estadista, publicado por escolha, obra e graça de dona Mora, a mulher corajosa e firme que acompanhou Ulysses até o fundo do mar na viagem derradeira. Está no livro “Rompendo o Cerco”, de 1978.

Ganhei um exemplar, com dedicatória do autor, quando ainda chefiava a redação da sucursal do Jornal do Brasil na Bahia, depois da sua heróica resistência na famosa manifestação de rua na “noite dos cachorros”. A reprimida manifestação comemorativa do 13 de Maio em Salvador, chamada de A Roma Negra.

“Eu estava lá, eu vi”, como escreve Sebastião Nery na brilhante apresentação do livro. O jornalista e amigo Ricardo Noblat, então na Veja, ao meu lado, para não me deixar mentir. Costumo repetir, ao escrever ou falar sobre o caso: nós dois, caneta e papel nas mãos, molhados de suor e sentados na calçada da praça histórica do Campo Grande, parecíamos aqueles bêbados das crônicas de futebol de Nelson Rodrigues, quando Ulysses Guimarães começou o seu histórico discurso sobre o episódio, feito da sacada do prédio da antigas sede baiana do MDB.

A refrega cessara, mas os cães policiais açulados contra os manifestantes ladravam ainda, para amedrontar os que restaram na praça. Sinto orgulho, ao recordar neste limiar de 2014, das fotos feitas no Congresso, em Brasília, no começo da semana seguinte aos “incidentes na Bahia”. A página do JB levantada, nas mãos de parlamentares, com imagens e textos informativos sobre “a repressão canina da ditadura” (a expressão é do Senhor Diretas), relatando e denunciando a noite de repressão em Salvador. Mas igualmente de audácia e coragem.

Desguiei-me um pouco (ou não?) do foco inicial, mas reproduzo a seguir o mandamento do decálogo de Ulysses , antes de falar concretamente da entrevista de FHC, no programa de TV comandado com brilho e graça pelo jornalista Lucas Mendes, com Caio Blinder ao lado. Em Veneza, o fustigante e provocador Diogo Mainardi. O entrevistado, no estúdio da Globo News, em São Paulo, ao lado do jovem e ilustrado Ricardo Amorim.

IV Mandamento do Decálogo do Estadista: O CARÁTER.

“Na conceituação de Milton Campos, o estadista tem “a posição das suas idéias e não as idéias da sua posição”. Não é um oportunista, o que se serve da política em lugar de servi-la, o que só pensa nas eleições futuras e não no futuro do País. Há “democratas” tão furiosos na oposição quão intolerantes no governo. Político de caráter é fiel – às idéias, não à carreira. Pode perder o poder, o emprego, a liberdade, mas não renega as idéias, não perde a vergonha.

Galileu foi grande físico, porém como estadista não entraria na história. Quem por medo se retrata, não é estadista”, diz Ulysses.

Sei que alguns vão discordar. Uns vão fazer muxoxo. Outros podem até dirigir xingamentos ao autor destas linhas factuais e opinativas semanais. A fidelidade a Sua Excelência o Fato (outra expressão bem ao gosto do autor de Rompendo o Cerco) é pedra de toque no jornalismo, como deveria ser igualmente na política e na administração pública.

Neste sentido, é imperativo dizer, sobre a entrevista de FHC: as palavras do mandamento citado se encaixam com perfeição e plenitude na figura e nas palavras do entrevistado. O fato em si, dos estertores de 2013, é transcendente. Segue repercutindo como algo da maior relevância nestes primeiros dias de 2014.

Algo com força de conteúdo farto e variado para perdurar ainda por um bom tempo no ar e nas mentes. Isso eu posso afirmar – sem ser e nunca ter sido um “fernandista militante e entusiasta”, a exemplo, abertamente, da maioria de seu entrevistadores no programa da Globo News – , baseado no que vi e ouvi pessoalmente. Política, jornalística e culturalmente falando.

Desempenho de mestre. De Homem de Estado (com maiúsculas mesmo), nacional e internacionalmente. “Algo em falta, no Brasil e no mundo, infelizmente, nos dias atuais”, como ressaltou o próprio entrevistado. No plano da política, ou estritamente no terreno da comunicação social, acontecimento merecedor de muitas reprises e que não pode ser reduzido às respostas sobre o julgamento do Mensalão e o papel ou o “futuro político” do ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

Em algumas notícias e análises, na precária repercussão durante esta semana, a tentativa tão maldosa e maledicente quanto ingênua, de reduzir praticamente tudo o que foi perguntado pelos entrevistadores e respondido por FHC, à “falta de traquejo” de Joaquim Barbosa, para uma improvável – mas democrática e respeitável – postulação do jurista firme, corajoso e competente (como fez questão de destacar FHC), ao cargo de presidente da República nas eleições deste ano.

O programa foi muito mais rico em informações e conteúdo intelectual e informativo . Nas perguntas e respostas: sobre passado, presente e futuro do Brasil e do mundo, com seus principais protagonistas atuais, de baixa estatura em liderança e pensamento. Aos 82 anos, na sétima entrevista ao Manhattan, FHC falou sem mágoas, com grandeza de caráter, verdade e conhecimento pessoal sobre Lula. Com precisão, sobre Obama e suas contradições. Sobre a relevância de Snowden ao desvendar o tamanho monstruoso da espionagem eletrônica, a perda de privacidade e a quebra de confiança mesmo “entre líderes que se proclamam aliados e amigos”.

Alertou para os rugidos no Oriente. Para a perda de prestígio da Europa e a maioria de seus dirigentes. Para o bafo cínico e sinistro de Putin, na Rússia, e dos herdeiros de Mao, na China.

Falou sem meias palavras ou subterfúgios interesseiros e imediatistas sobre Dilma e suas vacilações e indigências na política e na administração; sobre possibilidades do tucano Aécio Neves e do socialista pernambucano Eduardo Campos. Sobre preocupações com os tremores na Síria e no Egito.

Citou livros e recomendou leituras. Lamentou a partida de Mandela e saudou com ênfase a chegada do Papa Francisco, esperançosa para a sua igreja e para a humanidade. Palavra de estadista. Vale a pena ver de novo. E rever com mais atenção e critério – de governistas e oposicionistas – nas cópias de vídeos que rolam na página do Manhattan Connection e redes sociais. Confira uma. Garanto que vale a pena.

Vitor Hugo Soares, jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares 1@terra.com.br

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Artistas convidados:Armandinho,Caetano Veloso,Carlinhos Brown,Daniela Mercury,Danilo Caymmi,Edil Pacheco.Gilberto Gil,Ivete Sangalo,Margareth Menezes,MARIENE DE CASTRO,Maria Bethânia,Nelson Rufino,Olodum,Riachão,Roberto Mendes e Walter Queiroz.
Idealização e Produção Musical:BETH CARVALHO.

BOM DIA!!!
Gravado nos dias:22 E 23 DE AGOSTO DE 2006

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OPINIÃO POLÍTICA

A maquiagem do superavit

Ivan de Carvalho

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que, para “acalmar os nervosinhos”, reduzindo a ansiedade do mercado financeiro e neutralizando opiniões de analistas que não acreditavam que a meta de R$ 73 bilhões seria atingida, estava divulgando antecipadamente (o normal seria fazer isso em fins de janeiro) o superavit primário alcançado pelo governo central (Banco Central, Tesouro Nacional e Previdência Social) em 2013. Este superavit ficou em R$ 75 bilhões, portanto R$ 2 bilhões acima da meta.
O ministro disse que esse resultado foi possível porque a arrecadação está crescendo, devido à melhoria da atividade econômica. “A arrecadação de dezembro foi recorde, em torno de R$ 116 bilhões”, disse ele, segundo a Agência Brasil. O superavit primário é usado pelo governo para pagar juros da dívida, de modo que os principais beneficiários são os credores do governo e não os que contribuíram para o aumento da arrecadação. Estes ganhariam mais se o superavit primário estivesse disponível para investimento em saúde, segurança pública, educação, prevenção de enchentes.
Mas não quero continuar misturando as coisas. Vamos nos ater mais à espetacular conquista oficial do superavit primário de R$ 75 bilhões, tão acima da meta de R$ 73 bilhões que, se alguém estiver no topo desta sem um telescópio, não conseguirá o superavit anunciado pelo ministro da Fazenda. Vale recorrer a análise do site Contas Abertas sobre o superavit primário e a maneira como o governo o alcançou.
Maledicentes vinham dizendo que em 2012 o governo alcançou a meta de superavit primário para aquele ano graças a mágicas contábeis, ao que o ministro Mantega respondeu que tudo que então foi feito foi “legal”, embora algumas parecessem mágicas ou manobras contábeis. Daí, disse ele ontem, em relação a 2013, cuidou-se de que tudo que foi feito não somente seja legal como pareça legal. Adaptou à contabilidade do superavit primário o que se dizia sobre o caráter necessário à mulher de César. Nunca me canso de admirar a inteligência e a criatividade do ministro Mantega.
Mas o site Contas Abertas e especialistas ouvidos por ele parecem não concordar comigo (ou seria com o ministro?) neste ponto. Sustentam o bem conceituado site e os especialistas ouvidos que houve, sim, manobras contábeis para se alcançar e até ultrapassar por R$ 2 bilhões a meta de superavit primário esperada pelo governo para 2013. Pelo que li, bem poderia o ministro dizer que pôs o superavit primário no leito de Procusto e, vendo que não o ocupava todo, tratou de esticá-lo. Ainda que a título precário, pois apenas empurrou pagamentos com a barriga.
Para melhor entender, vamos recorrer diretamente a reportagem assinada por Dyelle Menezes, publicada ontem no site citado. “Com a intenção de melhorar o resultado do superávit primário de 2013, o governo federal postergou até os últimos dias do ano os pagamentos para obras e para a compra de equipamentos. Entre sábado (28) e terça-feira (31), foram aplicados R$ 4,1 bilhões pela União. O montante equivale ao dobro do que foi investido até o dia 27 de dezembro: R$ 2 bilhões. O valor pago para investimentos nos últimos quatro dias do ano é também superior a todo o montante pago no mês de novembro (R$ 3,3 bilhões)”.

E prossegue a reportagem do Contas Abertas: “Para o especialista em finanças publicas da Consultoria Tendências, Felipe Salto, o motivo desse acúmulo de pagamentos ao apagar das luzes de 2013 é claro. ‘A execução desses investimentos apenas nos últimos dias do ano passado, está calçada no fato de que as ordens bancárias devem ser sacadas apenas este ano, ou seja, devem afetar somente o resultado fiscal de janeiro 2014 e não os de dezembro de 2013. Foi uma estratégia proposital do governo federal’, explica”. O economista Gil Castello Branco faz análise análoga e observa: “Trata-se de iniciativa para melhorar artificialmente o resultado fiscal de 2013. A contabilidade postergada está no manual da contabilidade criativa”. Já Felipe Salto, depois de mais algumas observações, diz que o fato é grave, porque demonstra que, ao contrário do que Mantega vem dizendo, existem manobras para produzir o resultado fiscal esperado


Casa de dona Maria, nova milionária de Teofilândia/Foto Ag A Tarde
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DEU NA FOLHA BAIANA

Três dias depois de divulgado o segundo maior prêmio desde que a Mega-Sena da Virada começou, em 2009, apostadores começaram a retirar a bolada, enquanto outros, menos afortunados, lamentaram por pouco não terem entrado no seleto grupo dos novos milionários. O rateio foi de R$ 224.677.860. Quatro apostas acertaram as seis dezenas da Mega-Sena da Virada 2013, sendo duas no Paraná, uma em Alagoas e uma na Bahia.

Em Teofilândia (BA), o primeiro dia útil de 2014 foi marcado por um misto de alegria, arrependimento, sonho, medo e clamor por mais segurança. Tudo por conta do bilhete premiado, que foi pago a um grupo de 22 pessoas que trabalha no Hospital Municipal Waldemar Ferreira de Araújo e investiu R$ 100 no bolão. Agora, cada um deve receber pouco mais de R$ 2 milhões. Os vencedores são duas cozinheiras, quatro funcionárias da limpeza, cinco motoristas, cinco técnicas de enfermagem, três vigilantes, uma enfermeira, uma recepcionista e um diretor. Eles retiraram a quantia no final da tarde desta quinta-feira.

Um dos amigos dos ganhadores disse que seu nome era um dos primeiros da lista do bolão, mas acabou excluído por não ter pago sua parte no dia da aposta.

— O organizador resolveu adiantar a aposta e como eu viajei e acabei não pagando, meu nome foi retirado da lista. Não era pra ser — disse o funcionário, que não quis se identificar.

Melhor sorte teve o diretor Valdemir de Assis, 43 anos, casado, quatro filhos:

— Resolvi participar pela primeira vez e dei sorte. Mas não mudará muita coisa em minha vida, afinal minha família é muito grande e pobre, assim como a de minha esposa.

Quando recebeu a notícia dos colegas, Valdemir disse ter ficado “sereno”. Na virada do ano, “como sempre faço, abri um espumante e brindei com minha esposa”. Ele não quis entrar em detalhes sobre o salário que recebe, mas disse que o prêmio vai melhorar um pouco a qualidade de vida da família:

— Sairei do aluguel mensal de R$ 500, mas continuarei trabalhando.

Uma das vencedoras, Maria Lúcia deixou a cidade na noite de quarta-feira. Há mais de 20 anos, ela trabalhava no hospital. No quintal da casa de estrutura muito precária, apenas uma cadela, um cachorro e algumas galinhas ciscando. Vizinha de Maria Lúcia, Marivalda Andrada disse que a viu chorando na tarde do dia 1º:

— Achei que foi de emoção. E, por volta das 22h, um carro parou em sua porta, pegaram algumas coisas e ela partiu. Acho que perdi uma amiga, mas estou muito feliz pela sua conquista.

Na cidade, o prêmio de Maria Lúcia foi visto como a mais merecido.

— Ela é muito pobre e sofredora. Mãe de 10 filhos, sendo dois deficientes físicos. Tinha dia que, por falta de dinheiro, ela andava até o trabalho. São mais de 9km. Deus foi muito justo com ela. Estou muito feliz — disse Ademilson Ramos.

Na casa de uma das filhas de Maria Lúcia, Junior, genro da vencedora, pediu que a equipe de reportagem fosse embora:

— Não se brinca com dinheiro, aqui é uma cidade sem nenhuma segurança, e vocês da imprensa vão acabar cavando a nossa sepultura.

A preocupação com a segurança não é à toa. Segundo o delegado Getulio Queiroz, na cidade existe “dificuldade de pessoal”.

— Trabalho com apenas dois agentes e um escrivão — contou Queiroz, lembrando que a a Polícia Militar trabalha com oito homens e em regime de revezamento: — Só mesmo com a ajuda de Deus.

Motorista do hospital, Antônio Matos disse conhecer todos os vencedores:

— Nenhum veio trabalhar. Eles não estão preocupados com demissão.

Matos é evangélico e não joga. Mas acredita que será beneficiado, pois um dos ganhadores, além de ser motorista, é vereador (PDT). Matos é seu suplente.

Dono da lotérica onde a aposta foi feita, Antônio Ramos lembra que teve o estabelecimento assaltado duas vezes — no último assalto, ele foi baleado no ombro — e que a casa também foi arrombada. Para ele, o prêmio pode servir para reforçar a segurança na cidade:

— Estava me programando para mudar de atividade. Agora, com essa verba circulando no município, o prefeito terá mais força para reivindicar proteção.

Na pequena Palotina, no Paraná, nove das dez cotas do bolão vencedor já estão nas mãos dos novos milionários. Cada cota é de R$ 5,6 milhões. O ganhador de Curitiba, que fez um único jogo pelo preço de R$ 2, também já está com os mais de R$ 56 milhões, retirados na tarde desta quinta-feira.

Um suposto apostador paranaense registrou boletim de ocorrência relatando o furto do bilhete ganhador, que teria desaparecido em um lava a jato de Curitiba. No registro, Aníbal Fayez Marraui diz que viajou no dia 24 de dezembro e deixou o carro com a irmã, que levou o automóvel para lavar. Quando voltou, teria constatado o sumiço. Com o aparecimento do ganhador em Curitiba, Marraui pode responder, segundo a Polícia Civil, por falsa denúncia.

Na tarde desta sexta-feira, foi a vez do ganhador de Alagoas retirar a bolada. Dos quatro apostadores que acertaram as seis dezenas, só um, dono de uma das cotas do bolão de Palotina, ainda não sacou o prêmio.

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