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Postado em 31-12-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 31-12-2013 14:18

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DEU NO PÚBLICO, DE LISBOA

A boa notícia O Papa que faz

É o Papa de todas as expectativas, veio depois dos escândalos, da corrupção e da pedofilia, quando a Igreja perde fiéis todos os dias, depois da renúncia história de Ratzinger. Veio do Sul, “do fim do mundo”, há nove meses e meio. Veio e disse ser apenas Bispo de Roma, depois pediu que rezem por ele e afirmou que a Igreja é acolhimento, não é nem hierarquia nem poder, nem luxo. Francisco já disse muito, já se indignou e já sorriu. Mas marcou mais por fazer, por alimentar o que diz com o exemplo. Vive modestamente e mantém os hábitos que tinha em Buenos Aires, é ele próprio: um homem sem medo, que diz “esta economia mata”, como diz “se uma pessoa é gay e procura o Senhor, quem sou eu para a julgar?”. Por tudo isto, foi a pessoa do ano para a revista Time, para a Al-Jazira e para a revista gay The Advocate. Ainda não mudou tudo mas já nada ficará igual.

A má notícia Um mundo em fuga

Mais de 230 milhões de pessoas vivem fora dos seus países de origem, segundo números da ONU, e 700 milhões migram dentro dos seus países. Fazem-no por motivos muito diferentes: para arranjar trabalho, para se casarem, porque as alterações climáticas os forçaram a isso — secas prolongadas, cheias e furacões, fenómenos climáticos extremos que se devem tornar mais frequentes — ou então devido a guerras. A agência das Nações Unidas para os Refugiados alertou que 2013 foi um dos anos com o maior número de pessoas forçadas a sair da sua casa de sempre (45,2 milhões). Só nos primeiros seis meses, fugiram das suas casas 5,9 milhões de pessoas, comparado com 7,6 milhões em todo o ano de 2012. É a guerra na Síria que mais refugiados faz: mais de 2,3 milhões fugiram do país desde Março de 2011, e estima-se que até ao fim de 2014 fujam da guerra civil 4,1 milhões de pessoas.

A figura Edward Snowden: Traidor ou herói, essa não é a questão

Podemos falar do Edward Snowden herói ou do Edward Snowden traidor. Do jovem inseguro ou do homem altruísta. Do discreto subcontratado, sem qualificações para aceder aos segredos mais sensíveis da espionagem norte-americana, ou do genial autodidata a quem os superiores recorriam para desenrascar problemas de segurança que nem os mais experientes analistas conseguiam resolver. Não faltam “snowdens” para quem se interessa mais pelo mensageiro do que pela mensagem. Mais do que um nome, a segunda metade de 2013 revelou um mundo que muitos pensavam estar confinado à imaginação de argumentistas de Hollywood e a fóruns online inundados por teorias da conspiração. São fáceis as comparações com o Big Brother de George Orwell, mas não é disso que se trata: o sistema totalitário de “1984” agarra as pessoas pelo pescoço e grita-lhes na cara que elas estão a ser vigiadas; o sistema democrático de 2013 pensou que podia vigiar todas as pessoas sem que elas soubessem. É também fácil confundir a vigilância em larga escala — numa espécia de pesca de arrasto que apanha alguns culpados, milhares de suspeitos e centenas de milhões de inocentes — com espionagem financeira e política. As grandes empresas e as secretas de países como os EUA, Alemanha ou Rússia conhecem as regras do jogo há muito tempo, mas a maioria dos cidadãos não sabia que as suas opiniões e os seus movimentos podem ser guardados e analisados para estabelecer as suas relações privadas e para prever os seus comportamentos. Num futuro próximo, poderemos vir a falar do Edward Snowden condenado por traição ou do Edward Snowden amnistiado e protegido pela figura legal do whistleblower, mas a mensagem já não pode ser apagada dos servidores da opinião pública. Para Edward Snowden, o mensageiro, o objectivo foi alcançado, como afirmou em entrevista ao The Washington Post: “Eu já ganhei. A minha intenção não era mudar a sociedade. A minha intenção era dar à sociedade uma oportunidade de perceber se deveria mudar-se a ela própria.”

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