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CRÔNICA:LONGE E PERTO

O PORTO

Gilson Nogueira

Um cartáo postal na porta da geladeira tem a praia do Porto da Barra cheia de gente, sombreiros multi coloridos, barcos de velas arriadas e um céu que não tem tamanho fazendo-me sorrir azul, enquanto minha neta espirra cor de rosa e chora JANIS JOPLIN.

A foto impede que eu lembre da Salvador de hoje, com os bandidos de todos os matizes mandando e desmandando no pedaço, como se não houvesse lei, nem justiça, na terra que, um dia, foi da felicidade e hospitaleira.

Os marginais fazem-me entrar pelo portão esquerdo da igreja do Mosteiro de São Bento. Náo é o porãáo da frente, aquele grande, que leva ao adro do templo religioso mais democrático do Brasil, de onde se avista o altar, onde, de joelhos de fora, fiz minha primeira comunháo segurando uma vela maior que a estátua da liberdade.

Nào entrei pelo grande portáo de ferro, porque os facínoras levaram a isso. Acessando a igreja pelo portão menor, o que leva ao Mosteiro, fica mais fácil, segundo o vigilante, que está no posto desde antes da implantação da biblioteca onde era o recreio, para conter os que invadem o espaço sagrado para roubar quem vai rezar. Eles são filhos do diabo, disse-lhe, no ano passado.

Foi ali, naquele pedaço de história da Bahia que estudei e tive uma educação digna de primeiro mundo. E, até hoje, lembro dos ensinamentos de Dom Norberto Sant ‘Ana, que ensinou-me o bom português com a sabedoria dos santos e a firmeza dos grandes líderes. Tudo começou com ele, fazendo-nos traduzir em palavras e verbos o que víamos nas estampas postas em um cavalete de cara para a sala de aula repleta de jovens cheios de sonhos, como, por exemplo, formar-se em engenharia, direito, arquitetura, medicina, jornalismo e em outras profissões que alcançavam a linha do futuro, além do futebol.

Aliás, em matéria de tocar a redonda com talento e elegância, estudante de ginásio algum da velha Salvador chegava perto da rapaziada beneditina. O São Bento foi o Barcelona baiano, na época em que, para entrar na igreja, bastava fazer como o cachorro, ou seja, encontrar a porta aberta e sair poque entrou.

Devo declarar que o azul da Carolina exerce sobre mim um fascínio inimaginável. A razão é simples, independentemente de mergulhar na lembrança dos anos douradps de minha terra natal, caio de cabeça, literalmente, nesse espaço onde aviões em altitude de cruzeiro desenham, em linha reta, no quadro de minha saudade e dos meus desejos de vida,a crônica que a Humanidade quer ler: A Paz Chegou !

Gilson Nogueira, jornalista e colaborado da primeira hora do BP, escreve sua crônica de fim de ano da Carolina do Norte,(USA), onde foi ver a neta nascer e espera a chegadfa de 2014.

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