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OPINIÃO POLÍTICA

Chapa quase pronta

Ivan de Carvalho

A chapa governista para as eleições majoritárias de 2014 na Bahia já está claramente delineada. Dos três candidatos, dois são oficialmente conhecidos – o deputado e secretário da Casa Civil, Rui Costa, do PT, para governador, escolhido por Jaques Wagner, aceito por seu partido (por unanimidade do diretório estadual, mas sem consenso) e o vice-governador Otto Alencar, secretário de Infraestrutura e presidente estadual do PSD, para a cadeira de senador hoje ocupada pelo ex-governador João Durval, do PDT.

O detalhe da “unanimidade sem consenso” não é pequeno como os da composição de Roberto Carlos. É, antes, de bom tamanho. Pois quem nega o consenso é o senador Walter Pinheiro, que em 2008 e 2010 disputou eleições majoritárias na Bahia (primeiro para prefeito de Salvador e, depois, para senador) e que é, enquanto outro não for escolhido para a função, líder do PT no Senado Federal.

Sabe-se nos bastidores políticos que o ex-presidente Lula, principal liderança política do PT (uma espécie de manda-chuva, sem o qual o PT estaria hoje vivendo uma perfeita bagunça, ante as dificuldades da presidente Dilma Rousseff para conduzir articulações políticas importantes) não tem simpatia especial por Walter Pinheiro, assim como tem pelo secretário do Planejamento e ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli.

Mas essa simpatia nada pode para mudar a determinação do governador Jaques Wagner de fazer de Rui Costa o candidato do PT e do governismo estadual à sua sucessão. Assim, vale concluir que a ausência de simpatia de Lula por Walter Pinheiro igualmente não o atrapalhou, pois o que valeu no processo de escolha do candidato governista a governador foi mesmo a vontade de Wagner e sua ascendência sobre o PT da Bahia.

O senador Walter Pinheiro definiu com clareza a ausência de consenso que apontou. No final, havia duas candidaturas (Luiz Caetano e Gabrielli – este, no último minuto – haviam retirado as deles), sendo uma a do próprio Pinheiro. “O PT fez outra opção”, disse ele. O PT, não ele, que manteve a candidatura e não recebeu um voto sequer do diretório, embora esse “abandono” não corresponda à influência do senador no seu partido.

Um pouco diferente foram os parâmetros para definir o candidato a senador. Aí houve um encontro de vontades. O governador sempre viu a presença do ex-governador e atual vice-governador na chapa de candidatos à eleição majoritária como importante, eleitoralmente. Já Otto Alencar revelou não ter interesse em ser novamente candidato a vice-governador e ficou repetindo que deseja ser senador (o que passa por ser candidato a senador). Claro que se a conjuntura e as necessidades governistas conduzissem seu nome para uma candidatura a governador, ele ficaria muito contente, mas nunca reivindicou isso. Como o governador entendeu que o governismo se basta com Rui Costa candidato à sua sucessão, estavam assim definidos os dois nomes da chapa que disputam diretamente o voto do eleitor.

Falta o vice, que disputa o voto dos eleitores apenas indiretamente – supostamente carreando votos para o candidato ao governo. Estão no páreo o presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo e o deputado federal e ex-ministro Mário Negromonte. Estavam de relações pessoais rompidas há muito tempo, mas fizeram as pazes há poucas semanas. Parece que dentro da presunção (aparentemente acertada) de que a inimizade só servia para atrapalhar a ambos. Um ficaria tentando vetar o outro – este era apenas um dos inconvenientes. Agora, estão numa boa, um não veta o outro, mas o que se ouve nos bastidores indica firmemente que Marcelo Nilo se posicionou na questão da vice, pública e reservadamente, de uma maneira que o impulsionou muito na direção de seu objetivo de ser o companheiro de chapa de Rui Costa. É claro que se isto se confirmar, a Mário Negromonte, que não pretende reeleger-se deputado federal, será oferecida alguma compensação. O que bem pode incluir uma cadeira em um dos dois tribunais

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