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Rui Costa, Kuduros e cafunés

Janio Ferreira Soares

Nestes dias em que as alegrias serão de todos e os nossos sonhos serão verdade, estava a zapear teclas e a lamber páginas quando vi uma foto, no mínimo, surpreendente. Nela, um sujeito parecido com Rui Costa dança kuduro ao lado do prefeito de Santo Amaro. Apuro os olhos e sim, é ele mesmo quebrando até o chão ao som do ritmo angolano. Imediatamente me lembrei de um contato rápido que tivemos aqui em Paulo Afonso quando, cinto combinando com sapato, achei-o com aquele mesmo jeitão de seminarista de Paulo Souto, quase mandando um “Senhor, tende piedade de nós!”.

Ou muito me enganei ou depois de ungido por Dom Wagner, Rui resolveu metamorfosear-se cedo demais. Nesse embalo, periga ele chegar ao Carnaval com os cabelos rastafári tipo brother de Hilton, 50 – com filtro, naturalmente –, fazendo parte do bloco “Tamos Aí, Eleitor”, que também terá Lídice da Mata, na dúvida entre o frevo e o axé vestida de Dona Flor, Eliana Calmon, ainda se adaptando ao metiê fantasiada de Mulher Toga, e o velho Geddel que, pela estampa, deve ir de Teletubbie. 2014 promete.

Outro fato impactante acontecido antes do espocar de sidras e chandons – e que, segundo meu tio Lindemar, pode ter sido o primeiro milagre do futuro São Mandela -, foi a viagem que uniu Lula, Dilma, Sarney, Collor e FHC no mesmo avião para velar o ex-presidente sul-africano. Não se sabe ao certo o que aconteceu durante o voo, mas cabeça foi feita pra divagar.

Céu de brigadeiro, bebidas rolando, Lula pergunta a Collor se depois de tanto tempo ele ainda tem aquilo roxo. FHC pigarreia, Dilma enrubesce, Sarney cochila e Collor diz que aquilo fora mais uma metáfora e que agora a grisalhice, como uma malvada Zélia, confiscou-lhe roxidões, negrumes e arroubos. Ao ouvir essa palavra, Sarney acorda e pergunta por Renan. Começa uma forte turbulência. O comandante avisa que é apenas 2014 dobrando a curva do tempo. Que ele venha leve, como a mão de minha mãe num cafuné maneiro nos tempos em que as renas ainda voavam na tela de uma Telefunken 26 polegadas. Boas festas.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

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