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OPINIÃO POLÍTICA

Realidade e fantasia
Ivan de Carvalho

“Tentarei ganhar no primeiro turno”, disse a senadora Lídice da Mata no evento de filiação de Eliana Calmon – ex-corregedora nacional de Justiça e ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça – ao PSB, legenda pela qual disputara a cadeira que está em jogo no Senado Federal pela Bahia nas eleições do ano que vem.

Tentar ganhar, todos os principais candidatos a governador do Estado vão tentar. Um deles conseguirá, naturalmente. Dizer que tentarão ganhar no primeiro turno, todos eles poderão dizer, mas com a íntima convicção de que quase certamente estarão extrapolando a realidade e anunciando intenções do plano da fantasia.

Pelo que está posto, os principais candidatos à sucessão do governador Jaques Wagner são o secretário da Casa Civil, Rui Costa, do PT, a senadora Lídice da Mata, do PSB e o candidato que for escolhido para representar a coligação que tem como principais componentes o Democratas, o PMDB e o PSDB.

O que está faltando aí é escolher quem será o candidato desse terceiro grupamento, sabendo-se que, no momento, há múltiplas, persistentes e intensas afirmações de que essas legendas e os partidos coadjuvantes na coligação (pode ser uma coligação de oito partidos, se vingar o cálculo publicamente feito pelo prefeito ACM Neto) estarão unidos já no primeiro turno das eleições para governador.

No momento, o político desse aglomerado partidário com desempenho muito à frente de aliados e adversários nas pesquisas eleitorais é o prefeito da capital, mas ACM Neto descarta com tanta ênfase a hipótese de que possa vir a ser candidato que temos de aceitar suas afirmações como uma realidade e não mera tática política. Excluído ele, passa ao primeiro lugar nas pesquisas o ex-governador Paulo Souto, do Democratas, partido que, na Bahia, com as prefeituras da capital e de Feira de Santana e bancadas de deputados representa a maior força da oposição, digamos, tradicional, ainda que não seja tão tradicional assim na Bahia.

O problema aí é que Paulo Souto não nega nem admite ser candidato a governador. Ele se esmera em deixar as coisas em dúvida e em dúvida é como elas estão. Talvez queira mais tempo e informações ainda não disponíveis do cenário político-eleitoral para se decidir. Comportamento contrário tem a principal liderança do PMDB da Bahia, o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Com desempenho satisfatório nas pesquisas (reservadas), ele proclama que quer ser candidato, sim, embora não faça de si mesmo a única opção. Aceita apoiar outro e já citou nominalmente Paulo Souto.

O PMDB é importante por alguns motivos, entre eles o tempo de propaganda eleitoral em rádio e tevê que poderá agregar à coligação. O PSDB contenta-se, na verdade, em indicar o candidato a vice-governador na chapa. Mas se Geddel quiser ser o candidato a vice? Seria, presume-se hoje, uma chapa realmente forte. O PSDB poderia ser convencido a abrir mão da vice, pois a coligação ou a maior parte dela teria um candidato a presidente da República, Aécio Neves, que é do PSDB. E isso é bom para os tucanos. E o candidato ao Senado? Bem, esse importante detalhe esteve sempre obscuro na coligação DEM-PMDB-PSDB e outros, e mais obscuro parece ter ficado com a entrada de Eliana Calmon no jogo.

Difícil imaginar que Eliana Calmon, com a pequena estrutura que lhe dão o PSB e a Rede Sustentabilidade, consiga ir buscar muitos votos nos “grotões podres”, como os chamava Tancredo Neves. Mas na capital e nas grandes e médias cidades – mesmo com pouco tempo de propaganda em rádio e tevê – sua campanha de ontem contra a corrupção, a negligência e a ineficiência no Judiciário e sua campanha de agora especialmente contra a corrupção, podem ser muito atrativas para o eleitorado. Já tem, no entanto, um concorrente de reconhecida envergadura política, o ex-governador e atual vice-governador Otto Alencar. E outro nome ainda virá, representando a coligação liderada pelo DEM, PMDB e PSDB.

Quanto a Lídice e sua declaração de que tentará ganhar no primeiro turno, há que dizer que isso, na perspectiva de hoje (a perspectiva pode mudar, há que ver como evolui o processo da sucessão presidencial) é apenas esforço para estimular militantes e admiradores.

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