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OPINIÃO POLÍTICA
Um candidato chinfrim
Ivan de Carvalho

A quem o PT pretende que o povo, nas eleições de outubro de 2014, entregue o governo de São Paulo? Ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O Partido dos Trabalhadores tem como principal objetivo no ano que vem a reeleição da presidente Dilma Rousseff. O segundo maior objetivo é arrebatar das oposições – mais especificamente do PSDB – o governo de São Paulo, depois que no ano passado conseguiu conquistar a prefeitura da capital com o quase anedótico ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, o homem das esquisitas cartilhas apressadamente recolhidas.

O governo de São Paulo, se reeleita Dilma Rousseff para a presidência da República, representaria – como tem representado desde que Lula ganhou as eleições de 2002 e assumiu a presidência no início de 2003 – para as oposições o grande bastião da resistência, poderoso núcleo das oposições, de longe o maior colégio eleitoral do país, o estado mais populoso, responsável por grande parte do PIB brasileiro (especialmente se considerado o PIB gerado pelo setor privado da economia).

Mas como é que o PT entra em um jogo tão importante com um jogador tão chinfrim? Os meus poucos leitores, por mais desligados que estejam da questão, certamente não ignoram a situação de calamidade em que está o setor público de saúde. Calamidade tal que a presidente Rousseff chegou a anunciar recursos para a construção de quase mil hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (muito mais UPAs que hospitais, claro) e, ante os questionamentos da mídia sobre o assunto, ela mesma perguntou: “Mas quem aumentou o número?”. Ora, ela mesma havia “aumentado”, ninguém citara números que ela não houvesse citado.

Mas deixemos a presidente em paz, pelo menos por um tempo, e vamos ao seu ministro da Saúde. O Programa Mais Médicos (de alguma utilidade, sem dúvida, o que não o exime dos aspectos extremamente controversos) funcionou como o instrumento de lançamento da candidatura do ministro Alexandre Padilha à sucessão do governador tucano Geraldo Alckmin, candidato à reeleição. Sobre as controvérsias que o Programa Mais Médicos desencadeou (e que não foram sanadas ou superadas, mas aprofundadas por medidas estranhas medidas governamentais), vale lembrar uma frase que o ex-governador Luiz Viana Filho gostava de dizer, quando alguma ação ou fato político começava a exigir explicações. “Em política, precisou explicar, é ruim”.

Mas então o ministro e candidato Padilha é ruim, pois vai precisar explicar muito o caso das seringas. Não, não pensem logo que se trata de roubalheira, de corrupção, de superfaturamento, de desperdício. É o contrário. O Ministério da Saúde, que tem um responsável, o ministro Padilha, avaliou que seria muito bom o SUS economizar uns trocados nas seringas usadas pelos diabéticos para injeções de insulina.

Então foi editado um ato administrativo do ministério que orientava os profissionais de saúde para a reutilização, pelos diabéticos, de seringas descartáveis. Descartáveis, mas… reutilizáveis. Que maldade. Ou que palhaçada.

Em síntese, o ministro Padilha ou sua equipe planejaram fazer uma “economia de palitos” – quando se gasta tanto para atender o padrão Fifa da Copa do Mundo – às custas da saúde dos pacientes diabéticos do SUS. Tenho visto poucas coisas mais feias do que esta na administração brasileira.

Bem, não sei dos detalhes exatos desse desumano ou idiota ato administrativo publicado na edição 16 dos Cadernos da Atenção Básica, mas está no noticiário que em novembro o Ministério Público Federal do Pará pediu a suspensão do ato administrativo do Ministério da Saúde e que a decisão da Justiça Federal, suspendendo, em caráter liminar, a reutilização das seringas. Determinou a juíza Hind Ghassan Kayath que o poder público deve garantir que uma seringa nova seja usada a cada aplicação. Ela afirmou na liminar que esse procedimento coloca os pacientes em risco “diante da possibilidade de perda da escala de graduação da seringa, perda da lubrificação da agulha, lipohipertrofía, lipoatrofia e maior risco de infecção local”. A decisão é válida em todo o país.

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Comentários

jader on 20 dezembro, 2013 at 11:46 #

Eu acho que o Ivan tem razão. O Padilha é chinfrim e como ele gosta de afirmar o “Mais medico” é ajambrado. Veremos… . O Mais medico vai eleger a Dilma e o Padilha. Ele já previu aqui que a Dilama era um poste e que nunca chegaria a presidencia . Como a Rede Globo é fanática ( segundo a Rosane) pelo governo, sugiro ver as gaguejadas da Miriam Leitão :
http://www.conversaafiada.com.br/tv-afiada/2013/12/20/a-dificuldade-da-urubologa-para-boas-noticias/


jader on 20 dezembro, 2013 at 12:34 #

O grande problema de ter que aguentar os PTralhas e mensaleiros é simples:
20/12/2013 – Copyleft

Taxa de desemprego recua ao patamar histórico de 4,6%

Segundo o IBGE, é o menor valor da série histórica da pesquisa iniciada em março de 2002, percentual igual ao que foi verificado em dezembro de 2012.

A taxa de desocupação em novembro de 2013 foi estimada em 4,6% para o conjunto das seis regiões metropolitanas investigadas pelo IBGE, diminuindo 0,6 ponto percentual em relação a outubro (5,2%), mas não apresentou variação frente a novembro do ano passado (4,9%).

A taxa de desocupação de novembro de 2013 (4,6%) atingiu o menor valor da série histórica da pesquisa que foi iniciada em março de 2002, percentual igual ao que foi verificado em dezembro de 2012. A população desocupada (1,1 milhão de pessoas) apresentou queda de 10,9% frente a outubro.

Em relação a novembro do ano passado, essa população manteve comportamento estável. A população ocupada (23,3 milhões de pessoas) mostrou estabilidade em ambas as comparações. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,8 milhões) não se modificou frente a outubro e aumentou 3,1% em relação a novembro de 2012.

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores (R$ 1.965,20) foi 2,0% maior do que o apurado em outubro (R$ 1.927,48) e 3,0% em relação a novembro de 2012 (R$ 1.908,41). A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados foi estimada em R$ 46,2 bilhões em novembro de 2013, crescendo 2,0% em relação a outubro último e 2,3% em relação a novembro do ano passado.

Já a massa de rendimento médio real efetivo dos ocupados (R$ 46,2 bilhões em outubro último) subiu 2,1% frente a setembro de 2013 (R$ 45,3 bilhões) e 2,4% comparada a outubro de 2012 (R$ 45,1 bilhões). A Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Sua publicação completa pode ser acessada em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/.

Regionalmente, na análise mensal, a taxa de desocupação caiu 0,9 ponto percentual na região metropolitana de São Paulo e manteve a estabilidade nas demais regiões pesquisadas.

Em relação a novembro de 2012, a taxa aumentou 1,7 ponto percentual em Salvador (de 6,5% para 8,2%), em São Paulo caiu 0,8 ponto percentual (de 5,5% para 4,7%) e em Porto Alegre caiu 0,9 ponto percentual (de 3,5% para 2,6%). A taxa de desocupação em novembro de 2013 atingiu os menores valores da série em Porto Alegre (2,6%) e no Rio de Janeiro (3,8%). Em São Paulo (4,7%) também foi considerado o menor valor da série, repetindo a taxa estimada em dezembro de 2011.

Regionalmente, a análise mensal mostrou que de outubro para novembro de 2013, a população ocupada não assinalou variação estatisticamente significativa em nenhuma das regiões investigadas, mesmo comportamento foi observado na comparação com novembro do ano anterior.

Na análise do contingente de ocupados por grupamentos de atividade, para o conjunto das seis regiões, de outubro para novembro de 2013, não foi observada nenhuma variação significativa. Na comparação com novembro de 2012, ocorreu declínio nos Serviços domésticos (12,2%), na Indústria (3,9%) e estabilidade nos demais grupamentos.

O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi estimado em novembro último em 54,2% para o total das seis regiões investigadas, mesmo percentual verificado em outubro. No confronto com novembro de 2012 (55,3%), esse indicador teve redução de 1,1 ponto percentual. Regionalmente, na comparação mensal o quadro foi de estabilidade e no confronto com novembro do ano passado, quatro regiões apresentaram queda: Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, de 1,3 ponto percentual, respectivamente, e Belo Horizonte de 1,2 ponto percentual.

Regionalmente, em relação a outubro último, o rendimento dos trabalhadores subiu nas Regiões Metropolitanas de Recife (4,8%), Rio de Janeiro (4,1%), Porto Alegre (1,8%) e São Paulo (1,5%). Apresentou retração em Salvador (2,6%) e ficou estável em Belo Horizonte. Na comparação com novembro de 2012, houve alta em Porto Alegre (8,9%), Rio de Janeiro (6,1%) e em São Paulo (3,1%). Declinou em Salvador (8,3%) e em Belo Horizonte (0,8%) e não variou em Recife.

Quanto ao rendimento por grupamentos de atividade, a maior alta na comparação mensal foi na Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água (5,7%) e a maior queda, na Construção (-1,4%). Na comparação anual, Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água teve a maior alta (9,7%).

Já na classificação por categorias de posição na ocupação, em relação ao mês anterior o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido foi entre os trabalhadores por conta própria (3,8%). Na comparação anual, o maior aumento se deu entre os empregados sem carteira no setor privado (7,2%).


Ivan de Carvalho on 20 dezembro, 2013 at 18:26 #

Jáder,
Eu não disse que o “Mais Médicos é ajambrado. Disse que é mal ajambrado.
Outra coisa: eu nunca previ que “a Dilma é um poste e que nunca chegaria à presidência da República”. Onde estão os seus (de Jáder) neurônios de memória? Eu disse que a Dilma é um poste (quando ela ainda era realmente um poste). Jamais previ que ela nunca chegaria à presidência.
Por favor: quando você quiser dizer alguma coisa, diga você mesmo, não atribua seus dizeres a outra pessoa.


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