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Postado em 17-12-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-12-2013 10:58


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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE PORTUGAL

Edward Snowden vai pedir asilo permanente ao Brasil apesar de o país já ter negado receber o ex-analista da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, noticia hoje o jornal Folha de São Paulo.

A notícia surge depois de o Brasil ter apresentado uma série de iniciativas no sentido da regulação da espionagem na internet porque Snowden revelou informações sobre atos de vigilância às comunicações da chefe de Estado Dilma Rousseff, vários ministros brasileiros e à empresa pública Petrobras.

Numa “carta aberta ao povo brasileiro”, publicada hoje na Folha de São Paulo, Snowden diz que “emergiu das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA)” para “partilhar com o mundo” as provas de que foi montado um “sistema de vigilância mundial para vigiar secretamente” as formas de vida, com quem se estabelecem contactos e o que se diz ou escreve.

O ex-analista norte-americano afirma que decidiu denunciar as práticas da NSA porque está convencido de que os cidadãos merecem entender o sistema em que vivem e que as reações de certos países às denúncias que tem vindo a fazer, “entre os quais o Brasil”, têm sido inspiradoras.

Na carta publicada hoje no jornal brasileiro, Snowden refere-se à forma como o Brasil foi afetado pela espionagem norte-americana.

“A NSA e outras agências dizem que – por causa da nossa própria segurança – e em nome da segurança de Rousseff e da Petrobras, o direito à privacidade foi revogado e as nossas vidas foram invadidas. Fizeram-no sem pedir licença”, escreve Snowden.

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Comentários

Rosane Santana on 17 dezembro, 2013 at 12:20 #

Mais um. Agora um caguete pra fazer dupla com o Barba, que abrigou Cesari Batisti, um criminoso condenado pela Justiça italiana.E’ isso aí. Aliás, desde que Portugal inventou de colonizar a América pra cá enviou gente de primeira linha. E o resultado não podia ser diferente. Esse e’ um pais que vai pra frente de um povo unido e de grande valor, como dizia uma das musiquinhas da ditadura.


jader on 17 dezembro, 2013 at 15:07 #

CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL

EDWARD SNOWDEN, publicado na Folha

Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.

Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.

Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.

Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.

A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.

Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.

Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.

A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.

Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.

Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.

Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.

Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.

Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!

Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.

Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.

A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.

Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.

A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.

Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.

Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.

Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”

Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.

Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.

Tradução de CLARA ALLAIN


Rosane Santana on 17 dezembro, 2013 at 15:39 #

Por que será?
O governo brasileiro não tem interesse em investigar a NSA (Agência de Segurança Nacional) e, por isso, não pretende conceder asilo ao delator do esquema de espionagem do governo dos Estados Unidos Edward Snowden, em troca de informações para atingir este objetivo.

A Folha revelou nesta terça a intenção de Snowden de colaborar com investigações sobre a NSA e, em troca, receber asilo do Brasil.

Como parte da estratégia, Snowden escreveu uma “carta aberta ao povo do Brasil”, que enviará às autoridades brasileiras. Nela, Snowden afirma que não é possível colaborar com as investigações diante da precária situação jurídica em que se encontra, com apenas asilo temporário, concedido pela Rússia até o meio de 2014. No Brasil, com status de asilado permanente, teria mais liberdade para isso.

Snowden toma cuidado, na carta, de não se dirigir diretamente a Dilma. A razão é não melindrar o governo russo. Mas, de acordo com o jornalista Glenn Greenwald, para quem ele vazou os dados, Snowden quer vir para o Brasil.

Leia íntegra da carta escrita por delator ‘ao povo brasileiro’
Read the full letter in English
Lea la carta completa en español

Segundo a Folha apurou, o Ministério das Relações Exteriores destaca como “positivo” trecho da carta em que Snowden pede uma mobilização em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, que estariam em risco por causa de ações como as da NSA.


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