Katia Vargas:médica vai responder em liberdade

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DEU NO CORREIO DA BAHIA

Louise Lobato (louise.lobato@redebahia.com.br)

A médica Kátia Vargas foi libertada do Conjunto Penal Feminino, no Complexo da Mata Escura, no final da tarde desta segunda-feira (16). Denunciada pelo Ministério Público da Bahia por duplo homicídio qualificado, a oftalmologista estava presa desde o dia 17 de outubro, acusada de ter provocado o acidente que matou os irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes no bairro de Ondina, em outubro. Em entrevista ao Correio24horas, o advogado de defesa da médica confirmou a liberação dela.

“Ela foi liberada às 17h50, depois que o juiz Moacyr Pita Lima acolheu o nosso pedido de revogação da prisão preventiva”, relatou o advogado Sérgio Habib. “Como ela está muito debilitada, com alguns problemas de saúde, o marido dela, que também é médico, resolveu levar ela para fazer uns exames antes de ir para a casa. A Kátia estava com depressão, sem se alimentar direito e com taquicardia”, conta.

A médica agora irá responder ao processo em liberdade, mas não poderá deixar a capital baiana. “Acabou a tensão inicial. Ela está muito abalada, mas agora vai para casa, ficar com a família e com os filhos dela”, disse Habib. O pedido de revogação da prisão preventiva de Kátia foi feito após a audiência na quinta-feira (12), quando a médica foi ouvida pela Justiça pela primeira vez, no Fórum Criminal de Sussuarana. Esta foi última parte da audiência de instrução — a primeira fase do procedimento de júri. Para que ela vá a júri popular, é necessário que o juiz decida que existiu homicídio doloso, quando há intenção de matar.

Durante a audiência de 40 minutos, Vargas disse que não tem certeza se fechou a moto ao sair da Rua Morro do Escravo Miguel. Ela afirmou ainda que não houve discussão de trânsito com Emanuel. Kátia também se recusou a assistir ao vídeo que mostra o momento do acidente e não respondeu alguns questionamentos feitos pelo promotor David Gallo.

Ainda segundo Habib, o juiz Moacyr Pita Lima havia decidido que Kátia deve ir a júri popular e o próximo passo da defesa vai ser entrar com outro recurso para modificar essa decisão.

“Vamos entrar com um recurso da pronúncia”, garantiu o advogado. “Ela foi pronunciada – o que significa que o juiz deu uma decisão interlocutória de que ela pode ir à júri. Mas o Tribunal ainda vai determinar se isso vai acontecer ou não. Enquanto isso, vamos entrar com o recurso da pronúncia, e aguardar o julgamento pelo Tribunal de Justiça da Bahia ou pelo Superior Tribunal de Justiça de Brasília”, afirma.

“Ela [mãe dos irmãos] ficou extremamente triste”, diz advogado de acusação

O advogado da família de Emanuel e Emanuelle Gomes, Daniel Keller, comentou a decisão do juiz de libertar a médica após dois meses de prisão. “Como técnico, como advogado, recebemos bem (a notícia) porque entendemos que ela deve ir ao júri popular, que sempre foi o nosso objetivo”, comenta o advogado, em entrevista ao Correio24horas.

“Essa decisão revoga da preventiva. A defesa ganha por colocar ela em liberdade. O juiz na decisão remete ela para o júri popular por crime qualificado, inclusive entendendo que houve impacto (do carro com a moto)”.

Ele reiterou, no entanto, que a decisão sobre o julgamento ainda não tem data para ser firmada e depende de recurso. Keller também comentou o impacto que a notícia da libertação de Kátia Vargas teve para a família das vítimas, especialmente para a mãe de Emanuel e Emanuelle, a enfermeira Marinúbia Gomes.

“Acabei de conversar com a mãe dos meninos, e ela ficou extremamente triste”, conta. “Ela não acha justo, não acha correto. Ela inclusive falou do Natal – disse que ela vai passar Natal sem os filhos dela e a Kátia vai passar com a família, com os filhos dela”, diz o advogado. Perito acusa delegada de ‘farsa’


Leal na Comissão da Verdade: histó ria, coragem e dignidade

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Bahia em Pauta reproduz, na íntegra, em razão do valor histórico e relevância do conteúdo, o depoimento apresentado por escrito pelo ex-deputado cassado e perseguido pela ditadura, Luis Leal, esta segunda-feira, 16, na Comissão da Verdade da Assembléia Legislativa da Bahia. Aos 87 anos, um exemplo de coragem e dignidade: pessoal, política e social. Confira.
(Vitor Hugo Soares, editor do BP)

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Prezado deputado Marcelino Galo,

Presidente da Comissão Especial da Verdade da Assembleia Legislativa da Bahia

Meus queridos amigos,

Aos 87 anos, sinto-me honrado em prestar um depoimento sobre as minhas vivências políticas durante a ditadura militar de 1964.

Não deixa de ser uma alegria que esta reunião ocorra na Assembleia Legislativa, onde travei e promovi muitos debates, inclusive com Dom Hélder Câmara, naqueles anos em que lutávamos para restabelecer a democracia no País.

Pertenço a uma geração que despertou para a política no final do Estado Novo. Para as lideranças formadas nos anos 40 e 50, o golpe de 1964 foi um trauma que bloqueou o surgimento de grandes homens públicos, num país velozmente entregue à censura e à tortura.

A repressão militar teve desdobramentos imensos em minha vida, não somente porque fui enquadrado no AI-5 e perdi meus direitos políticos, mas porque, repentinamente, presenciei a destruição dos sonhos de minha geração.

Entre 1963 e 1969, exerci os mandatos de vereador do PSD e deputado estadual do MDB. Neste depoimento, darei prioridade a episódios pouco conhecidos ou aspectos menos conhecidos de acontecimentos que os senhores conhecem.

Procurarei não me perder em detalhes desnecessários. Creio que, dessa forma, atendo aos objetivos desta comissão: iluminar, com informações, aqueles anos de obscurantismo.

Devido a minha idade já avançada, procurei fazê-lo por escrito.

Em 1964, eu era vereador de Salvador, eleito pelo PSD. O velho PSD, com grandes talentos políticos, advogados brilhantes, oradores de primeira linha, como Vieira de Melo. Em março, houve a convenção nacional do PSD, em que Juscelino Kubitschek foi escolhido candidato.

Pouco antes dessa convenção, em 1964, tive uma conversa inquietante com o ex-governador Antonio Balbino. O tom era revelador do ambiente de conspiração contra João Goulart.

Eu tinha uma relação muito boa, muito afetiva, com Antonio Balbino. Conversamos em sua casa. Guardei suas palavras.

Disse-me Balbino:

“Olha, Luiz, eu tenho acompanhado a sua vida como vereador. Seu trabalho está muito bom, você tem feito bons pronunciamentos, mas eu queria conversar com você sobre isto. Eu já conversei com o Dr. Jango. Não sei por que, ele não quer me ouvir. Já procurei também falar com nosso amigo, Dr. Waldir Pires. Tanto o Dr. Waldir como o Dr. Jango não querem seguir as minhas sugestões, quase conselhos”.

“Eu disse que as esquerdas não têm condições de empolgar, agora, o poder no Brasil. Pelo contrário, quem está em condições de empolgar o poder é a direita e talvez fosse conveniente que o governo desse um passo atrás, para ver se consegue algumas conquistas agora e mais tarde avançar, para que eles salvassem o governo. Não querem me ouvir. Eu acho que o seu mandato como vereador aqui na Bahia está bom, tenho acompanhado e tenho estado satisfeito com a sua capacidade. Quero ver se lhe ajudo a salvar o seu mandato.”

“Como, governador?”, indaguei.

Balbino insistiu:

“Quero lhe pedir para você atenuar as suas críticas por um período pequeno. Deixe um pouco que as coisas se acalmem, para que você não seja incluído entre pessoas que possam ser atingidas”.

Na época, estranhei que Balbino tivesse me dito aquilo. Mas entendi o recado. Balbino era um homem bem informado nos setores militares e civis, sabia quem conspirava contra Jango. Mas continuei no mesmo ritmo, na Câmara. A juventude é assim arrebatada.

Depois da queda de João Goulart, testemunhei alguns dos primeiros episódios da ditadura na Bahia.

Preso e deposto o prefeito Virgildásio Senna, o comandante da Sexta Região Militar, general Mendes Pereira, convocou os vereadores para uma reunião na noite de 5 de abril. O general nos avisou que Virgildásio estava preso, em nome da revolução que ele chamou de “Redentora”, e que não mais retornaria à Prefeitura.

Mendes Pereira solicitou que a Câmara, ainda naquela noite, se reunisse para declarar o cargo vago. Isto foi feito. Havia um movimento já vitorioso, o presidente estava fora do País, não havia resistência militar.

Lembro-me das palavras finais do general: “Em nome da Revolução, indicamos o Dr. Antonino Batista dos Anjos Cazaes como substituto do prefeito Virgildásio Senna”.

O ambiente fora da Câmara era terrível. Nós tínhamos medo de que um militar substituísse Virgildásio na Prefeitura.

Nós achávamos que era isto que estava sendo programado pelo coronel Humberto de Mello.

Quem fazia política dentro do Quartel General era Humberto de Mello. Rapidamente articulamos uma ação contrária ao Exército.

Concluída a votação da vacância, decidimos fazer a eleição indireta, por temer a indicação de um militar. A lei orgânica que definia estas situações mandava que fosse indireta.

Nós convocamos a reunião e elegemos Antonino Cazaes prefeito da capital, por voto indireto. Somente um dia depois os jornais perceberam que aquela eleição era definitiva. E aí começou a gritaria contra Antonino Cazaes.

Para mudar esta situação, os militares pressionaram pelo impeachment de Virgildásio Senna. Era uma aberração.

O Exército ameaçou os vereadores de prisão. Foi um dia terrível. A Bahia inteira se movimentou. A Câmara de Vereadores estava cheia.

Tenho grandes emoções daquele dia.

Nós tínhamos a notícia de que os militares prenderiam quem votasse contra o impeachment.

É preciso fazer uma rápida explicação. No início do meu mandato, eu era opositor de Virgildásio Senna, candidato de outra legenda.

Um dia, incomodado com minhas críticas, Vigildásio me chamou para conversar sobre seus projetos para a Prefeitura.

O prefeito me disse: “Quero lhe mostrar o que estou preparando para Salvador. Quero uma trégua para realizar este trabalho pela nossa terra. O senhor quer entrar aqui para ver uma maquete?”.

Era uma maquete da nova cidade do Salvador, com as avenidas de Vale, recuperando as ideias do urbanista Mário Leal Ferreira.

Eu me convenci da grandeza dos projetos de Virgildásio. Concedi a trégua e passei a admirar seus atos de homem público. Admiro até hoje sua integridade, erudição e competência.

Prossigo.

Na véspera da votação do impeachment, os vereadores foram chamados ao quartel-general. Fui excluído dessa reunião.

O vereador Jaime Loureiro Costa, capitão reformado do Exército, meu amigo e cliente, procurou saber do coronel Humberto de Mello porque o vereador Luiz Leal não tinha sido convocado.

Ouviu como resposta: “Não merece a confiança da Região”. O coronel explicou que eles queriam o impeachment e não aceitariam votos contrários. Quem votasse contra seria preso.

Tenho o dever de declarar que o vereador Luiz Sampaio, líder do prefeito, teve a dignidade de dizer ao coronel Humberto de Mello e ao comandante da Região, que ele não se sentiria bem em dar um voto contra Virgildásio Senna, porque era seu líder. Não merecia ser visto ou tratado como um traidor.

Segundo Jaime Loureiro Costa, o coronel concordou. Mas acrescentou que não iria admitir insubordinação, porque isso representaria a generalização da desordem.

Ouvi muitos conselhos para votar a favor do Exército. Mas eu tinha a convicção de que aquele impeachment era imoral, ilegal, indecente. Não dava para votar a favor daquele impeachment e dormir com tranquilidade. Não me sentiria bem, mesmo sabendo que iria preso.

Na hora, os vereadores chamados a votar declararam “sim”, “sim” e “sim” ao impeachment. Chegou a minha vez e a de Luiz Sampaio. Eu disse “não” e a galeria se espantou. Houve aplausos de solidariedade. A reação se repetiu quando Luiz Sampaio disse “não”.

Foram os únicos votos contrários.

Em seguida, fiz este pronunciamento na tribuna. Creio que vale registrá-lo nesta comissão:

“Sr. Presidente, aqui está um homem e sua consciência. Eu não sairia desta casa de consciência tranquila se votasse a favor do impedimento do prefeito, pois entendo que esta casa já se manifestou, em tempo hábil, sobre a matéria, quando, em noite memorável, após a prisão do sr. Virgildásio de Senna e a declaração da vacância do cargo, elegeu para substituí-lo o sr. Antonino Cazaes.

Há poucos dias tomou posse na Presidência da República um honrado Marechal que jurou cumprir a Constituição. E é por isso que ouso manifestar minha opinião. Um dos grandes males do Estado Novo foi o de desfibrar os homens. Agradeço os conselhos que recebi no sentido de não votar contra este projeto, mas a verdade é que estou perfeitamente à vontade para assim proceder. Não acredito que, com isso, esteja me rebelando contra as Forças Armadas. Em momentos como este, é preciso que alguém fale por todos.

O eleitor não me conferiu poderes para cassar seu voto. Nem me permito atingir esse nível de arrogância. Os homens não se afirmam na rotina da vida cotidiana, senhores vereadores, mas em momentos graves como este”.

O coronel Humberto de Mello determinou a minha prisão. Mas, graças a uma interferência do vereador Ebert de Castro, que presidia a Câmara e levou a resolução até o quartel, o Exército substituiu a prisão por depoimentos.

O coronel Humberto de Mello me interrogou mais de uma vez. Fui acompanhado por Orlando Moscoso, meu companheiro de partido.

Ao me pedir explicações sobre a eleição indireta de Antonino Cazaes, sem o consentimento da Sexta Região, afirmei que temíamos que algum militar, indicado por ele, assumisse o cargo.

O coronel bateu na mesa e gritou: “Eu não tinha candidato! O senhor está me fazendo uma afronta!”.

Entre 1965 e 1966, com o bipartidarismo, me dediquei à fundação do Movimento Democrático Brasileiro em Salvador. Fui o primeiro presidente do diretório municipal do MDB.

Naquele tempo, ninguém queria ser vereador ou deputado do MDB. Enquanto a Arena se enchia com os eternos áulicos, que só sabiam viver ao lado do poder, nós não tínhamos candidatos.

Apesar disso, Ulysses Guimarães dizia: “O MDB é como pão-de-ló: quanto mais bate, mais ele cresce”.

Procurava candidatos a vereador com a maior dificuldade. As pessoas não queriam vir para o MDB, um partido de denúncias. Nesse período, junto com Chico Pinto e Josaphat Marinho, buscávamos candidatos para nossa legenda.

Tenho belas memórias do senador Josaphat Marinho. Entre 1966 e 1968, organizei debates em associações de bairro de Salvador. Discutíamos abertamente temas nacionais. Josaphat me acompanhava na segunda rodada de debates, para ampliar as discussões.

Numa noite chuvosa, fomos para a rua da Alegria, no Curuzu. Quando chegamos, a rua estava enlameada, escura e não havia nenhuma luz na casa da reunião.

“É, senador, com a chuva não deve ter vindo ninguém”, falei.

Ao abrirmos a porta, dezenas de velas se acenderam. Na penumbra, os moradores começaram a cantar o Hino Nacional.

Não me esqueço.

Em 1966, fiquei na suplência de deputado estadual pelo MDB, mas logo assumi o mandato. Nós nos revezávamos, para dar a todos a oportunidade de atuar na Assembleia. Isso fortalecia nossas lideranças.

Em meu mandato, aproximei-me do movimento estudantil, do sindicalismo e da Igreja.

Em 1968, organizei a primeira reunião de políticos com estudantes e trabalhadores, enfrentando até mesmo os radicais de esquerda.

Naqueles debates, destacaria figuras como Haroldo Lima e Eduardo Collier, jovens talentos políticos.


Eduardo Collier(Duda):jovem de 20 anos, estudante de Direito
da UFBA morto e desaparecido, lembrado por Leal
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Duda Collier era um estudante de Direito com quem tive altercações às vezes duras, no Sindicato da Petrobrás, ali na Piedade.

Foi um embate duro, denunciando quando queriam tornar sem efeito resoluções tomadas em plenárias estudantis na Universidade.

Quando o conheci, Duda Collier tinha apenas vinte anos. É triste pensar que, poucos anos depois, aquele garoto idealista seria preso, assassinado e desaparecido pela ditadura.

Numa reunião muito grande, com lideranças sindicais e estudantis, decidimos organizar o 1o de maio de 1968.

Nós resolvemos fazer o ato político em um recinto fechado: a Associação dos Funcionários Públicos. Mas avisamos à Secretaria de Segurança Pública que, se o volume de pessoas fosse grande, sairíamos às ruas.

Esta seria a primeira manifestação pública de políticos, sindicalistas e estudantes, nas ruas de Salvador, desde o golpe militar de 1964.

A polícia se armou fortemente para a repressão.

E aí entra a Igreja nessa história.

A Igreja havia anunciado que não participaria da passeata.

Procurei o maravilhoso cidadão Dom Timóteo de Amoroso Anastácio, do Mosteiro de São Bento. Sempre contávamos com Dom Timóteo na denúncia dos abusos da ditadura.

Daquela vez, havia uma proibição de cima. Dom Timóteo me disse que devia obediência a dom Eugênio Salles, seu superior, e não poderia sair às ruas. Ele observava os princípios da hierarquia religiosa.

Para tentar reverter a decisão da Cúria, revolvi, ao lado de Ignácio Gomes, procurar Dom Eugênio Salles, o administrador apostólico da Arquidiocese.

Se a Igreja não participasse, o ato pacífico poderia virar uma tragédia, como se anunciava. A polícia, a mando do governador Luis Viana Filho, começou a ocupar pontos estratégicos do centro da cidade.

Dom Eugênio nos recebeu. Inicialmente, agradeceu a nossa sensibilidade e falou: “Devo confessar que não consegui dormir esta noite, pensando nessa questão”.

Ele esclareceu a posição da Igreja de não se envolver com protestos de natureza política. Então, pedimos que dom Eugênio fosse até a janela, na Praça da Sé.

Ignácio havia estudado o esquema policial e mostrou a Dom Eugênio que a polícia estava armada com fuzis.

Portanto, não se preparava para evitar a desordem e sim para atirar e matar estudantes em confronto. Se a Igreja não interferisse junto a Luis Viana, uma morte poderia pesar sobre os ombros dela.

Na memória, estava a morte do estudante Edson Luís, ocorrida pouco antes, no Rio de Janeiro.

Dom Eugênio se assustou e ficou sensibilizado. Marcou um encontro urgente com o governador. Logo viria a resposta da Cúria.

Atendendo a um pedido de Dom Eugênio, Luis Viana mandou desarmar os policiais de rua.

O ato ocorreu pacificamente.

Este é um relato que julgo importante para a história dos protestos de 1968 na Bahia.

Luis Viana Filho ganhou o meu primeiro voto para deputado federal, porque era um democrata. E foi um dos que pressionaram, depois do AI-5, pela cassação do meu mandato.

O governador era obrigado a recomendar os subversivos às forças militares, para serem cassados. A Sexta Região acompanhava as minhas atividades políticas e, naturalmente, também endossou o pedido de cassação.

Sempre manifestei, pessoalmente e na Assembleia, minhas divergências com o ex-governador Luis Viana Filho. Em 1968, revelei a Luis Viana que tinha dado meu primeiro voto a ele, por admirar sua luta pela democracia, durante o Estado Novo.

Luis Viana comentou: “Um de nós dois mudou para pior”.

Sem demora, eu afirmei: “Foi o senhor, governador. Tenho certeza que foi o senhor”.

O inquérito policial-militar da Sexta Região, presidido pelo coronel Marino Freire Dantas, elencou as justificativas para minha cassação.

A Sexta Região recomendou a punição nestes termos: em face a “constantes atividades anti-revolucionárias, quer as caracterizadas por sua atuação da tribuna da Assembleia Legislativa, quer pelas realizadas nos meios estudantis e operários, tem se tornado um elemento nocivo aos ideais da Revolução de 31 de março de 1964”.

No ofício acusatório, constava a defesa da Frente Ampla, organizada por Jango, Juscelino e Carlos Lacerda. Os militares se incomodaram porque afirmei que se a Assembleia não convocasse Carlos Lacerda para falar sobre a Frente Ampla, o MDB o levaria a praça pública, em Salvador.

Fui monitorado em reuniões com estudantes, na Faculdade de Filosofia; com sindicalistas, no Sindipetro; com membros do clero; e com várias organizações civis, na sede do MDB.

A convocação de Dom Helder Câmara para palestrar na Assembleia – uma sessão, aliás, memorável – ampliou essa irritação. Até mesmo a leitura de uma crônica do genial Stanislaw Ponte Preta, na tribuna, motivou um depoimento meu no Quartel General.

No dia do AI-5, eu, Adelmo Oliveira e Chico Pinto discutimos longamente o que viria adiante no País.

Em breve, o Exército me enquadraria duplamente no AI-5 e na Lei de Segurança Nacional. O inquérito foi concluído em 14 de fevereiro de 1969. Fui cassado em 13 de março.
Depois do anúncio, Josaphat Marinho e João Borges foram dos primeiros a me visitarem, para um abraço de solidariedade, além de outros amigos e colegas de partido. E viria mais punição.

Em dezembro de 1969, o coronel Humberto de Souza Mello presidia a Comissão Geral de Inquérito Policial-Militar. Ele já me conhecia desde 1964, na Bahia. Num ofício ao presidente da República, Humberto de Mello pediu que eu também fosse enquadrado no AI-10.

Dessa forma, eu não poderia assumir mais qualquer cargo público da União, dos Estados e dos Municípios. Nem poderia fazer convênios com o Estado. Fiquei limitado ao meu consultório médico, no Largo de Roma, em Itapagipe.

Até a chegada da Anistia, não deixei de exercer a militância política, apesar da cassação. Nesse período, apoiei lideranças como o ex-deputado Chico Pinto, de brilhante atuação na Câmara Federal.

E continuei a conviver com grandes camaradas, como Rômulo Almeida, Waldir Pires, Fernando Sant’Anna, Magno Burgos, Ignácio Gomes, Aristeu Almeida, Jayme Guimarães, Jorge Hage, Antonio Guerra Lima, Adelmo Oliveira, Marcelo Duarte, Newton Macedo Campos, Sérgio Gaudenzi, Euclides Neto, Hamilton Saphira, Virgildásio Senna, Amabília Almeida, Colbert Martins, Joviniano Neto, Olívia Soares, Haroldo Lima, Emiliano José, Lídice da Mata, Luiz Nova, Roberto Argolo, Dirceu Régis, Élquisson Soares, Domingos Leonelli…

Paro por aqui. Não quero esquecer muitos outros amigos.

Nos anos 80, retomei minha vida pública, assumindo a secretaria-geral e a presidência do PMDB. Em 1986, retornei finalmente a esta Casa como deputado estadual constituinte. Mas esta é outra história.

Por fim, quero homenagear Ulysses Guimarães, o timoneiro dos aguerridos dias das Diretas-Já. Em suas inúmeras visitas à Bahia, Ulysses nos deixou muitas lições de estadista. Não o esqueço.

A todos esses amigos, a minha mulher, Gilka, aos meus filhos e irmãos, dedico estas memórias.

Muito obrigado.
Luiz Leal.

DEU NO PORTAL A TARDE

O perito Ricardo Molina, contratado pela defesa da médica Kátia Vargas, acusa a delegada Jussara de Souza – responsável pela investigação do caso da morte dos irmãos Emanuel e Emanuele Gomes Dias em Ondina – de “falso relato do crime” envolvendo a médica. A declaração foi dada durante a apresentação de laudo na manhã desta segunda-feira, 16, no Sheraton da Bahia Hotel, no Campo Grande.

Segundo Molina, a delegada afirma que o carro colidiu com a moto, mas a perícia feita por ele constatou que não houve contato entre os veículos no momento do acidente.

Além disso, ele argumentou que a delegada mudou a data do depoimento de uma das testemunhas, que declarou de maneira conveniente que o carro da médica bateu na motocicleta.


Victor Ramos: bom de bola vai para o México

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DEU NO PORTAL METRO1

O zagueiro Victor Ramos não é mais jogador do Vitória. O jogador acertou sua ida para o Monterrey, do México, que fez uma proposta ao Standard de Liège (BEL), dono dos direitos federativos de Victor, e deve ficar em definitivo com o defensor. Ele, inclusive, já se encontra no México, onde foi apresentando à comissão técnica do time mexicano, nesta segunda-feira (16).

O vínculo com o clube belga é até o fim de 2015 e o Leão, detentor de 28% dos direitos econômicos do atleta, tinha prioridade na compra. Porém, o interesse dos dirigentes rubro-negros era apenas renovar o empréstimo do ex-capitão.

dez
16
Posted on 16-12-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-12-2013


Fachada da Lamont Library, ao lado do Sever Hall,
locais evacuados por ameça de bomba nesta segunda-feira, pela manhã.(Foto: Rosane Santana, colaboradora do BP, ex-aluna
de Harvard.No Facebook)

A Universidade de Harvard, mais famosa instituição de ensino superior e pesquisas dos Estados Unidos, emitiu um alerta no Twittermesta segunda-feira, 16, em que dava conta da suspeita da existência de engenhos explosivos em quatro locais do Campus. As autoridades estão no local.

Os estudantes, professores e dirigentes foram retirados de quatro zonas do recinto da Universidade de Harvard, depois de terem sido descobertos engenhos que se suspeitam serem explosivos.

Até o momento, não há indicação de qualquer explosão. As autoridades de Cambridge e a polícia da Universidade estão no local a investigar.

O alerta foi lançado às 9h02 locais (14h02 em Lisboa), com um post no Twitter da Universidade de Harvard, em Cambridge, no Massachusetts: “Alerta: relatos não confirmados de explosivos em quatro locais do campus: departamento de ciências e os edifícios Thayer, Sever e Emerson. Evacuar estes edifícios imediatamente”.

Às 10h40 , a universidade atualizou a informação, dizendo que o acesso ao jardim foi aberto aos residentes com cartão de identificação da universidade e que ainda não há confirmação da existência de explosivos, considerando-se que não há nenhuma ameaça nas outras zonas da universidade

(Informações do portal europeu TSF)

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dez
16
Posted on 16-12-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-12-2013


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Sid, hoje, no portal de humor A Charge Online

DEU EM O GLOBO

SÃO PAULO – Uma universitária morreu na madrugada deste domingo, na capital paulista, após cair em um buraco de um prédio abandonado, localizado ao lado do campus da Universidade de São Paulo (USP), na Zona Oeste da capital paulista.

A estudante Bruna Barbosa, de 19 anos, que estava no primeiro ano do curso de Letras, entrou na construção com um grupo de amigos, na madrugada deste domingo, após uma festa. A universitária não teria visto um fosso que seria de um elevador, localizado no terceiro andar do prédio, e caiu.

Os amigos da jovem acionaram a Guarda Universitária após o incidente. O Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) foi chamado ao local, mas já encontrou a jovem morta. A construção abandonado fica localizada ao lado do Paço das Artes, em área externa ao Campus Universitário.

Segundo a assessoria de imprensa da Universidade de São Paulo, o prédio pertence à Secretaria da Cultura. O casos será investigado pela Polícia Civil.


Cid e Luis Henrique:homenagens na AL-BA.
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DO FACEBOOK:

Luis Guilherme

A homenagem aos professores Cid Teixeira (89 anos) e Luis Henrique Dias Tavares (87), ambos aposentados da UFBA e confrades na Academia de Letras da Bahia (ALB), foi, sobretudo, o gesto de gratidão de um ex-aluno – o deputado Zé Raimundo (PT), também professor de História – aos mestres que o estimularam a abraçar e deslanchar na carreira. Os dois professores receberam a Comenda Dois de Julho na sexta-feira (13.12), pela manhã, no plenário do Poder Legislativo estadual.

Tudo transcorreu acima do previsto.

A Orquestra de Berimbaus executou o Hino Nacional, no início da sessão, e o Hino da Bahia, no final, e, certamente, ingressou de modo definitivo na agenda de eventos da Cidade do Salvador.

Os pronunciamentos foram consistentes. O deputado Zé Raimundo situou-se em meio ao perfil biográfico dos dois homenageados para falar de um período de empenho nos estudos e nas pesquisas; a reitora Dora Leal Rosa, da UFBA, aproveitou a ocasião para pedir às autoridades mais atenção aos templos do saber e da memória – as bibliotecas, os arquivos, os museus e as escolas; a presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), professora Consuelo Pondé de Sena, relembrou os laços dos dois homenageados com a instituição para a qual ela foi reconduzida esta semana para um novo mandato; o presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), jornalista Walter Pinheiro, salientou a justeza da homenagem se comparada a muitas delas que o Legislativo tem prestado nos últimos anos e arrancou aplausos quando comparou o professor Cid Teixeira ao “Google”, ao lembrar o sucesso do programa radiofônico “Pergunte ao José”; a professora Marli Geralda Teixeira, discípula dos dois homenageados, dedicou seus comentários ao amigo mais próximo, o professor Luis Henrique, em quem enxergou, por exemplo, a iniciativa de métodos muito próprios na exposição dos assuntos das disciplinas que ministrou.

A mesa da sessão especial contou também com a presença prestigiosa do professor Roberto Santos, ex-governador da Bahia, da senadora Lídice da Mata (PSB), da diretora da Fundação Pedro Calmon, Fátima Fróes, e da diretora da ALB, professora Evelina Hoisel.

Antes de encerrar, o deputado Zé Raimundo, que conduzia a sessão desde o final do ato de entrega da Comenda Dois de Julho, passou a palavra ao professor Cid Teixeira para que falasse em nome dos dois homenageados. O professor tratou da importância do Dois de Julho para os baianos e para os brasileiros e expressou sua convicção de que as decisões fundamentais sempre são tomadas pelo povo. O professor Luis Henrique Dias Tavares resolveu endossar as palavras de seu colega e registrou sua saudade de Simplícia do Amor Divino, descendente de escravos, a quem está unido por laços de afeição desde a década de 1920, quando ela atuou junto a ele como uma segunda mãe.

Luis Guilherme é jornalista

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José Feliciano, “Ângela”, dele, para ouvir e relaxar!

BOM DIA !!! (Desde a Carolina do Norte, USA)

(Gilson Nogueira) )

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