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DEU EM “PONTO DE VISTA”, COLUNA DE OPINIÃO PUBLICADA NA TRIBUNA DA BAHIA

O ciúme, sentimento indomável

Consuelo Pondé de Sena

O ciúme se manifesta com a abertura para o Amor. Falo do ciúme afetivo, nascido da competição e do receio de perder o objeto do amor. Cresce com a fascinação que se sente por alguém e que não se pretende dividir. Esse sentimento é tão avassalador que se tem ciúme do passado, dos sentimentos anteriores experimentados por quem se ama, enfim, de outra pessoa que ocupou espaço de ternura no coração do ser amado.

Dizem os entendidos que as demonstrações de ciúme têm tudo a ver com o lugar ocupado na família, na escola formal e na “escola da vida”. Nesse caso, afastar o ciúme poderá depender, inteiramente, da capacidade de superação, da energia pessoal, do auto-controle, do sentimento de rejeição e da possibilidade de superá-lo. Muito propalado, também, é o conceito de que os ciumentos tendem a possuir “baixo grau de auto-estima.

Para mim, pessoalmente, o ciúme está relacionado a paixão. Esse sentimento avassalador interfere na rotina de trabalho, no sono e, às vezes, no próprio apetite. Convém mencionar que o ciúme também se alimenta da “dependência”. De tal forma que, tanto é maior o ciúme quanto é importante merecer o amor de alguém.

Freud distingue o ciúme normal do patológico. São dele as seguintes palavras: “O ciúme é um daqueles estados emocionais, como a dor, que podem ser descritos como normais. Se alguém parece não senti-lo, a justificativa é a experimentação de severa repressão e, conseqüentemente, a tomada da maior parte da vida inconsciente. Os estágios de anormalidade de ciúme intenso, experimentados em trabalho analítico revelam-se através de três etapas que podem ser descritas como: 1) competitivo, 2) projetado e 3) ciúme ilusório.

Curiosamente, quase todas as pessoas negam que sentem ciúmes. Pessoas brilhantes, que se jactam de afirmar que conhecem todos os sentimentos humanos, sempre afirmam que jamais experimentaram essa “dependência”. Não será essa negação uma intencional fuga? Ou será que esse sentimento se alterou com a independência da mulher?

Outrora, a mulher era passiva, por isso, se apaixonava mais profundamente do que o homem. Àquela altura representava o “sexo da espera”. Dela não deveria partir qualquer iniciativa (visível) de conquista do homem desejado. Cabia-lhe ser caçada, jamais caçar. Talvez, circunstância tivesse a ver com a condição subalterna da mulher, desde quando, historicamente, era considerada por meio da sua identidade, enquanto os homens eram evidenciados por meio de suas atividades profissionais, a liberdade sexual, o dinheiro que ganhavam, coisas impessoais, enfim.

Será que o homens se sentiam tão “poderosos” a ponto de se colocarem acima do ciúme? Ou por, historicamente, fossem ensinados a esconder seus sentimentos mais profundos? Pode ser que, decidindo conscientemente sobre o que vai sentir ou não, esteja se defendendo de uma sensação própria ou exclusiva das mulheres. Quem nunca escutou a conhecida sentença: um homem não chora?

Para a psicanalista Melanie Klein, era vantajoso para a mulher colocar-se sempre como uma “boneca desprotegida”, jogada de lá para cá pelo ciúme, quando diante de homens dotados de frio autocontrole. Em seu magnífico livro “Inveja e Gratidão” ela estuda o papel do ciúme na inveja.

Mas, com o passar dos anos, as mulheres se modificaram, enquanto os homens passaram a ter receio de sua fortaleza e combatividade. Sua vida expandiu-se intensamente e seu acesso ao “mundo masculino”, certamente, passará à História como um dos mais importantes acontecimentos do século XX. Muita coisa mudou quando a mulher passou a ganhar o seu salário e a dispor de métodos anticoncepcionais. A partir de então, elas se conscientizaram de que a fidelidade e o adultério devem ser cumpridos tanto pelo homem quanto pela mulher. Demonstrações recentes asseguram que a crescente atividade da mulher está “agredindo“ os brios masculinos, tornando-os inseguros, numa tendência incontrolável de “recuperação” do vivido no passado.

Observem que, ao longo dos tempos, a infidelidade sexual das mulheres era punida severamente, variando desde o ostracismo social (enclausuramento) até a morte, porque o homem enganado era golpeado na sua honra, enquanto a mulher era apenas considerada infeliz e, no máximo, humilhada.

Aos homens sempre foi absolutamente necessário saber que o filho era dele. Não era sem motivo que os tupinambás praticavam a “couvade”, ou sobreparto, por meio de cuja prática o homem assegurava a sua paternidade. Com efeito, as transformações físicas evidentes, no corpo da mulher, garantem-lhe a maternidade.

Enquanto isso, a paternidade é, por vezes, duvidosa. Em nossos tempos, com o surgimento glorioso do exame de DNA os homens podem respirar tranquilamente. Isto é, caso não façam parte das “tramas” produzidas pelos novelistas de plantão.

Consuelo Pondé de Sena, Escritora da Academia de Letras da Bahia, presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.

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Comentários

regina on 11 dezembro, 2013 at 17:47 #

Dizem que foto não mente, mas, tirada fora do contesto pode dar uma história completamente falsa, assim diz o próprio fotógrafo que capturou as fotos que meteu os Obamas, especialmente a Michelle, numa saia justa…
“But photos can lie. In reality, just a few seconds earlier the first lady was herself joking with those around her, Cameron and Thorning-Schmidt included. Her stern look was captured by chance.”

http://news.yahoo.com/obama-funeral-selfie-152731325.html


vitor on 11 dezembro, 2013 at 19:07 #

OK, mister Fotógrafo. Agora conta aquela historinha de Papai Noel!!


vangelis on 12 dezembro, 2013 at 10:43 #

Meu caro VHS,
Inculto, vivo pensando como será esse século 21, todavia, não consigo avançar a essa herança cultural dos ancestrais do século 17 quando aportaram em Pindorama, especialmente na Ilha de Itaparica, como bem sabe João Ubaldo, onde se fixou o culto aos Eguns.
Eu sabia que, com aquela plateia de falsos líderes no funeral do grande líder Sul-Africano que deu de tudo, paquera da galega dinamarquesa com o negão americano, cantor de rock, os ex-presidentes juntos de Pindorama, Maribuendo del Fuego, o Playboy das Alagoas, o Babão da Bochecha Mole, o Sapo Barbudo, a Bruxa do Cerrado e o escambau, o defunto ia se tremer no túmulo.
Pois bem antes disso, o Egun do falecido baixou no Thami Jantjie que viu anjinhos caindo do céu e mandou bala na linguagem de libras.
Parecia cantor de gangsta rapper, com os dedos fez coraçãozinho, fez o sinal de OK, bateu continência, com o indicador mandou todo mundo enfia-lo no fiofó e a porra toda.
Por último deu bananas a todos.
Depois disse:
– “Esse cara não sou eu!”
UI!
http://www.mirror.co.uk/news/world-news/fake-sign-language-interpreter-nelson-2917872


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