Futebol e barbáriem em Joinville:vergonha nacional

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DEU EM O GLOBO

Os três torcedores do Vasco que foram detidos após a pancadaria durante o jogo contra o Atlético-PR, na Arena Joinville, neste domingo, foram encaminhados durante a madrugada para o Presídio Regional de Jonville. Arthur Barcelos de Lima Ferreira, de 26 anos, e Jonathan Santos, de 29, foram detidos na saída do estádio. Leone Mendes da Silva, de 23 anos, foi levado por policias para a delegacia quando estava dentro do banheiro de um dos ônibus da torcida, já deixando a cidade. Leone aparece numa foto agredindo um torcedor do Atlético-PR com um bastão.

De acordo com a Polícia Civil, seguem as investigações para identificar outros envolvidos na confusão. A pancadaria provocou a interrupção do jogo por uma hora e doze minutos. Um torcedor segue internado. William Batista, de 19 anos, sofreu fratura no crânio e deve ficar em observação por tempo indeterminado.

Estevão Vianna, 24 anos, e Gabriel Ferreira, 24, sofreram pancadas na cabeça e foram liberados hoje de manhã. Diogo Cordeiro da Costa, 29 anos, teve alta ainda na noite de domingo, segundo informou a Secretaria Municipal de Saúde de Joinville. William e Estevão são paranaenses, e Gabriel e Diogo, cariocas.

Dentro do estádio não havia policiais. A segurança interna era feita por agentes de uma empresa contratada para o serviço pelo Atlético-PR. O tenente-coronel da PM Adílson Moreira, responsável pela segurança no entorno da Arena Joinville, explicou por que não havia policiais dentro do estádio:

– É um evento privado, e a segurança era de responsabilidade de uma empresa privada contratada pelo Atlético-PR – disse.

No fim da noite a PM de Santa Catarina divulgou nota explicando que a ausência dos policiais dentro do estádio atendeu a uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público. Na ação o MP propôs que o Poder Judiciário proibisse a participação de policiais militares em atividades que não fossem da competência constitucional da corporação. Diz a nota: “Outra atividade tida expressamente como ilegal vem a ser justamente a destinação de policiais militares para compor a chamada barreira que divide os torcedores. O Ministério Público entende que essa atividade é da competência dos organizadores do evento, portanto de cunho privado”. A PM informou ainda que 113 policiais trabalharam na parte externa.

Segundo o blog “Bastidores F.C.”, do site Globoesporte.com, o contrato entre o Atlético-PR e a prefeitura de Joinville deixa claro que a responsabilidade pela segurança é do clube. Uma das claúsulas determina que cabe ao Furacão “providenciar o aparato policial Militar com o recolhimento dos custos correspondentes” e também “providenciar segurança privada com contingente suficiente para garantir a segurança do público”.

O procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, comentou as cenas impressionantes de violência, que tiveram socos, chutes em pessoas caídas e espancamento. Ele informou que vai denunciar Atlético-PR e Vasco no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O artigo prevê multa ao clube que “deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens em sua praça de desporto”. A lei determina ainda que o clube seja punido também com “perda do mando de campo de uma a dez partidas” quando o caso for de “elevada gravidade”.

O Atlético-PR mandou o jogo contra o Vasco em Joinville porque já cumpria punição por tumulto de torcida em outra oportunidade, em jogo contra o Coritiba, em outubro. O time carioca também perdeu mandos de campo no Brasileirão deste ano, em função da briga de seus torcedores com os do Corinthians em Brasília, em agosto.

– É lamentável, mas já falei que alguém morreria se não houvesse medidas mais enérgicas, como jogos com portões fechados, desde aquele Vasco e Corinthians. Não sou vidente. Não precisa ser para saber que vai acontecer. Os dois clubes evidentemente serão denunciados no artigo 213. Foi um confronto, envolveu as duas torcidas. As questões de ordem técnica e as responsabilidades de cada um teremos de aguardar mais um pouco para analisar -disse o procurador Schmitt, em entrevista ao site Globoesporte.com.

Vasco queria que jogo fosse suspenso

Enquanto o jogo em Joinville esteve interrompido, o presidente do Vasco, Roberto Dinamite, argumentou que a partida não poderia continuar, em função de torcedores do Vasco terem ficado gravemente feridos.

– Não estão respeitando a coisa mais importante, que são as vidas. Não tem policiamento, e isso preocupa todo mundo. Não estamos pensando em primeira ou segunda divisão, ou qualquer outra coisa que esteja em jogo aqui – disse Dinamite. – Eu acho que a partida tem que ser suspensa, mas eu não posso tirar meu time de campo, senão o clube é punido – completou.

Vários jogadores dos dois times mostraram estar abalados com o que viram acontecer entre torcedores. O zagueiro Luiz Alberto era um dos mais chocados, e chegou a chorar.

– São tristes esses confrontos, não tenho palavras. Deu para ver uma pessoa no chão, não sei o que aconteceu. Mais um desastre no nosso futebol brasileiro. Ano de Copa do Mundo, ano em que o Brasil vai ser visto para o mundo todo. É difícil. É difícil pensar em tirar o time do rebaixamento e espero que não tenha acontecido o pior. Por isso que a gente vem tentando criar esse Bom Senso. A gente quer organizar um pouco mais – disse Wendell, volante do Vasco.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/esportes

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