Rui Costa:acenos para o Palácio Tomé de Sousa

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DEU EM A TARDE

Biaggio Talento

Na estratégia de agregar apoios à sua candidatura ao governo do Estado, o secretário da Casa Civil, Rui Costa (PT), não fecha a porta nem para a principal liderança do DEM na Bahia, o prefeito ACM Neto. Cogita também negociar com a pré-candidata do PSB, Lídice da Mata. Nesse início de campanha já tem atuado como escudeiro do governador Jaques Wagner.

O senhor declarou que não jogou a toalha em relação à senadora Lídice da Mata (PSB). Acredita ser possível atraí-la para a candidatura da base do governador Jaques Wagner?

Por que eu digo que não descartei o PSB? Porque a candidatura do PSB na Bahia está muito vinculada ao projeto nacional, do governador de Pernambuco (Eduardo Campos) de se candidatar a presidente da República. O prazo é junho (da inscrição de candidaturas) e até lá acho que podem ocorrer novidades até porque o candidato do PSB vem nas pesquisas caindo sucessivamente e isso pode ter uma mudança no cenário. Se permanecer a candidatura, ele vai buscar um palanque mais forte nos estados. Isso o fará também passar por um processo de negociação e acho que isso pode alterar a composição dos estados inclusive na Bahia.

Lídice candidata vai ser encarada como uma adversária já que ela é uma aliada de longa data do PT?

Passa a ser adversária e concorrente, mas não significa que passaremos a ser inimigos.

Serão programas bem parecidos. PSB e PT são aliados há anos na Bahia. O PSB integrou os dois governos de Wagner…

É o que estou dizendo. A eleição na Bahia sofre influência direta do quadro nacional. Eu arriscaria dizer que: não teria a candidatura de Lídice se não fosse a candidatura nacional do PSB. Essa candidatura de Eduardo Campos induzirá a eleição nos estados. Veja o caso do Ceará, onde o governador (Cid Gomes) saiu do PSB em função da candidatura nacional. Tendo a achar que se não houvesse essa candidatura de Eduardo Campos o PSB permaneceria com o nosso projeto.

Em função dessas boas relações do governo com o prefeito ACM Neto (DEM) e as próprias declarações dúbias dele em relação às alianças em 2014 (falou-se na possibilidade de um eventual apoio de Neto à reeleição de Dilma), é possível atrair o prefeito ou é uma coisa completamente descartável?

Evidente que em política você nunca fecha as portas e nunca descarta as possibilidades. Hoje, não é um cenário provável qualquer movimento até porque ele continua filiado do DEM, é a maior liderança do partido que, nacionalmente, faz oposição a Dilma e a Wagner. Repito, na política você não pode dizer: está encerrada qualquer possibilidade. Mas não é um cenário provável. As boas relações não podiam ser diferentes porque o governador, assim como Lula, coloca em primeiro a ação que vai beneficiar a população e não a filiação partidária do prefeito. Portanto, estamos com um bom diálogo administrativo e é importante que continue assim porque tanto as obras municipais como as estaduais estão fluindo graças a esse bom diálogo administrativo que, tanto a prefeitura quanto o governo do Estado, estão colocando no primeiro plano, a gestão e não a política. Entendo que deve continuar assim. Salvador já sofreu muito durante muitos anos e acho que é o momento de deslanchar. Só em mobilidade o governo do Estado, junto com o governo federal, tem um pouco mais de R$ 8 bilhões na capital.

Por que não foi possível ainda destravar a Ferrovia de Integração Oeste Leste (FIOL) como se fez com o metrô de Salvador ?

A ferrovia é uma obra federal, executada por uma empresa federal, a Valec. A participação do Estado aí é acessória, um apoio que temos dado para acelerar. Por exemplo, na parte de desapropriação, cartorial. Agora, do lote 1 ao 4 a obra está em andamento. Hoje temos mil trabalhadores empregados. A obra está faturando mais ou menos R$ 150 milhões/mês. Portanto, está a pleno vapor. Conseguimos no trecho 5, 5A, 6 a licença ambiental. A meta do trecho de 1 a 4 é concluir em dezembro de 2014. Ficaria o lote de 5 em diante que chega ao Centro-Oeste do País.

O governador Wagner disse que a cara do governo dele é diferente de um eventual governo do senhor. Como será diferente, o que falta fazer?
Cada governo, mesmo sendo de uma determinada linha programática, responde às necessidades do momento. É igual uma casa. Para se colocar a parede e o telhado precisa ter a base pronta. Em cima dos pilares plantados pelo governo Wagner vamos dar um salto no desenvolvimento da Bahia e na geração de empregos, em todas as áreas, inclusive na área de segurança que eu reputo como sendo o calcanhar de aquiles nosso.

O que o senhor pretende fazer na questão da Segurança Pública, que é uma área muito complexa?

É complexa no País inteiro. Os indicadores de segurança pública em todos os estados são ruins, não são indicadores de país desenvolvido. Nem no Rio, São Paulo, nos estados do Nordeste, são todos indicadores ruins, uns mais outro menos. Veja que os arrastões voltaram no Rio. Em São Paulo teve arrastão em hotel de luxo. Os estados sozinhos vão ter sempre respostas limitadas. Precisamos de uma política nacional, com aporte específicos para os estados. Na Bahia, o governador, nesses sete anos, reestruturou as polícias civil e militar. Quando Wagner entrou, em janeiro de 2007, o que eu mais recebia era pedido para colocar viaturas nos municípios. Tinha mais de 200 municípios sem viaturas. O prefeito emprestava aqueles carrinhos pequenos para a polícia trabalhar. Só metade dos policiais tinha pistola. O estado chegou a ter no passado 32 mil policiais. Quando Wagner entrou havia só 26 mil. O governador fez concurso e contratou 12 mil pessoas para a segurança. Tivemos um crescimento “liquido” de seis mil. Os outros seis mil supriram as vagas dos que se aposentaram ou se afastaram por doença. Hoje tem 32 mil. Entendo que tem que chegar a 40 mil. Repito: acho que essa questão tem que ser encarada como política nacional. Ou se repactua os recursos entre União, estados e municípios ou, na atual distribuição, não é possível os estados sozinhos responderem como essa questão merece.

A questão da Segurança Pública é a que o ex-governador Paulo Souto (DEM) tem mais batido no governo Wagner. Como o senhor responde a essas críticas?

Acho que as pessoas querem saber o que será feito no futuro. Ninguém vai ser eleito para governar o passado ou o presente. O passado é importante para dar credibilidade aos candidatos. E pra falar do passado, na minha opinião, a pessoa mais apropriada não é o ex-governador Paulo Souto. Se a gente somar todos os anos que ele governou a Bahia, seja como secretário, como governador, foi tempo demais para ele colocar essas ideias que hoje ele diz ter. Ele não fez quando pode e agora diz que fará quando puder. Ele deixou a PM sem veículo. Os policiais sem armamento. Todos os policiais militares ganhavam abaixo do salário mínimo. O delegado de polícia era o último ou penúltimo salário do País. Os agentes de polícia estavam há dez anos sem reajuste, e promoção. Esse ex-governador é que tem credibilidade para fazer mais pela Bahia? Quem entregou, em dezembro de 2006, o Estado nessas condições não tem legitimidade para falar sobre segurança. O povo vai julgar.

Outro pré-candidato da oposição, Geddel Vieira Lima (PMDB) acusa o governo Wagner de inércia. Como o senhor responde a isso?

Na campanha cada um vai ter que mostrar a sua capacidade de fazer. O que fez, qual a sua experiência, quando teve possibilidade de ocupar cargo público quais os benefícios que trouxe para a Bahia. Hoje ele é vice-presidente da Caixa Econômica Federal. É importante que faça um balanço desse período para mostrar o que trouxe para a Bahia, qual a ajuda dada ao povo da Bahia. Se o período que ele foi ministro (da Integração Nacional) se todas as obras que ele fez pela Codevasf, pelo ministério, concluiu ou deixou obras paralisadas. É isso que o povo vai julgar, o discurso e a prática. Por isso o passado e o presente é importante para dar credibilidade ao que você fala que vai fazer no futuro. Se fez tem condições de fazer. Se não fez tenho certeza que o povo vai ficar desconfiado: “não fez em tantos anos que pôde, agora que vai fazer?”.

A polarização agrada o senhor pela possibilidade de comparação?

Sim. Acho que o governador Wagner fez muito pela Bahia e até por uma questão de Justiça isso deve ser mostrado. Repito, não é isso que vai eleger o novo governador, mas a consistência das propostas e a confiança no que for dito.

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