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Postado em 08-12-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 08-12-2013 14:27


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Deu no blog Os Inimigos di Rei

JORNAL COMENTADO

“Nelson Mandela, apesar do sofrimento, mudou tudo sorrindo com doçura”
(Vanessa da Mata, jornal “Correio”)
O primeiro é o Mandela “fofinho” que a mídia amestrada quer. O segundo é o Mandela comandante-em-chefe de um grupo guerrilheiro que derrotou os brancos racistas

O GUERREIRO MANDELA

Tony Pacheco

Não, senhora! Não mudou nada com doçura. Ele meteu bomba nos brancos racistas, que é como a Humanidade tem acabado com as injustiças desde que o mundo é mundo.

Há uma tradição entre nós ocidentais cristãos, em transformar todo mundo em santo após a morte. E o brasileiro leva isso ao paroxismo, alterando a história da vida das pessoas de forma brutal, a descaracterizando. Mas em se tratando de Nelson ROLIHLAHLA Dalibhunga Mandela, isso não pode passar em branco (sic). O nome de Mandela de batismo tribal era Rolihlahla, que significa no dialeto da tribo Thembu nada mais nada menos que “agitador” ou “semeador de confusões”.

Porque Mandela era filho de um líder tribal no território que depois se chamaria Transkei, uma das “nações independentes” criadas pelo regime do Apartheid na África do Sul. Mandela era, portanto, um nobre guerreiro, um aristocrata, como o foram Alexandre da Macedônia ou qualquer rei guerreiro da Inglaterra ou da França. Só porque era negro não significa que não era nobre. Era nobre e herdaria o cargo de rei da tribo de seu pai. Só que os estudos o afastaram da vida tribal, como a adesão ao anarquismo afastaria o príncipe russo Kropotkin da aristocracia cruel da Rússia. É assim que é.

Mandela lutou pacificamente de 1942 até 1960 pelo fim do racismo na África do Sul comandada por descendentes de holandeses e ingleses . Mas em 1960, o saco de Mandela estourou como o de qualquer ser humano submetido à opressão permanente. Em março daquele ano, os racistas brancos assassinaram 69 negros que se manifestavam contra o Apartheid.

Foi o que passou à história como “Massacre de Sharpeville”. A partir daí, Mandela, como membro do Congresso Nacional Africano (o partido anti-apartheid clandestino), defendeu a luta armada e fundou com os companheiros o braço armado de sua organização, a “Umkhonto we Sizwe”, em zulu “A Lança da Nação”, um grupo guerrilheiro que teve Mandela como comandante-em-chefe e que fez centenas de atentados a bomba na África do Sul depois que ele viu que os racistas não iam ceder o poder pacificamente para a maioria negra. Incendiaram fazendas dos racistas, explodiram empresas, carros-bomba estouravam, tudo nos conformes. Da cadeia ele liderava o movimento armado e a “Umkhonto we Sizwe” só abriu mão da luta armada quando os racistas brancos libertaram Mandela em 1990. Tanto isso é verdade que os Estados Unidos até 2008 consideravam o partido de Mandela, o CNA, como “organização terrorista”, mesmo depois do fim do Apartheid e mesmo depois que Mandela tinha sido presidente constitucional eleito.

Foi na ponta da lança zulu que os racistas brancos foram batidos. Não foi com beijinho e doçura. Quando a comissão do Nobel deu a ele o Nobel da Paz em 1993, as mentes medianamente informadas deste planeta deram muitas risadas.
Mandela foi um guerreiro. Um dos maiores guerreiros da História da Humanidade, para estar ao lado de Alexandre, Júlio César, Spartacus ou Napoleão. Qualquer coisa menos que isso é preconceito.

“Nós adotamos a atitude de não-violência só até o ponto em que as condições o permitiram. Quando as condições foram contrárias, abandonamos imediatamente a não-violência e usamos os métodos ditados pelas condições.”
(Nelson Mandela)

Tony Pacheco é jornalista-radialista profissional formado pela UFBA, registro no Ministério do Trabalho 966 DRT-B

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Comentários

regina on 8 dezembro, 2013 at 15:22 #

Aqui outra opinião:

A razão de Mandela ter entrado para a história

dom, 08/12/2013 – 06:00 – Atualizado em 08/12/2013 – 07:38

Luis Nassif
Desde tempos imemoriais, o avanço da civilização se faz através de processos sucessivos de emancipação de pessoas, do trabalho árduo de reconhecimento de direitos, de busca da igualdade, de considerar todas as pessoas portadoras dos mesmos direitos.

Não é tarefa fácil. É disponível apenas àqueles que têm o sentimento do mundo.

Ao longo da história, o poder dos nobres foi derrubado com sangue; lutas abolicionistas, com guerras; guerras libertadoras, com mortes.

Quando se pensava que a ciência seria dominante, o século 20 abrigou duas guerras mundiais, holocaustos de judeus, de armênios, bósnios, de populações africanas dizimadas pela guerra e pela fome, pelos Gulags e pelo macarthismo. E, para grande parte deles, a justificativa foram as razões de Estado, o interesse nacional, ou algo circunstancial, de afirmação de poder.

***

Na era da comunicação de massa, interesses de Estado ou mero oportunismo político levaram à exploração das piores caraterísticas humanas. O século 20 testemunhou a intolerância contra os negros, os homossexuais, os deficientes, as mulheres, os analfabetos.

Mas reservou espaço, na história, para os pacificadores, os Estadistas da paz, que conseguiram fazer a transição do regime selvagem para o civilizado, sem derramar sangue.

***

Não os imagine dúbios ou pusilânimes.

Na infância, superaram as barreiras da mortalidade infantil, do analfabetismo familiar, da miséria. No início da vida adulta, esfolaram-se em trabalhos braçais.

Gradativamente, superaram os obstáculos produzidos pela pobreza e pelo preconceito e, ao primeiro contato com o mundo das ideias políticas, tornaram-se ativistas, lutaram contra ditaduras. E, quando chegou sua vez de governar, conseguiram superar paixões e ódios.

***

É nos momentos em que empalmam o poder, que se identificam os verdadeiramente estadistas.

Tiveram que engolir os traumas anteriores, sufocar sede de vingança, deixar de lado pruridos possíveis apenas nos que buscam a comodidade da crítica sem resultados, e enfiar o pé no barro.

***

Em cada luta civilizatória, desses estadistas da paz, a transição passou pelos pactos com as forças dominantes, pela institucionalização dos direitos, em vez de empurrá-los goela abaixo do preconceito. Passou por administrar os ímpetos dos seguidores e o ódio dos adversários, sem recorrer à violência e ao poder de Estado.

Tiveram que ler desaforos de uma imprensa defensora do “apartheid” que diuturnamente estimulava o ódio, a intolerância, o preconceito, que recorria a toda sorte de denúncias para impedir os avanços sociais, ainda que o preço a ser pago pudesse ser uma guerra civil.

No caso de Mandela, o agente o ódio foi o grupo Naspers, sócio da Editora Abril.p

***

Sempre haverá os puristas de gabinete, afirmando que a moderação teria impedido avanços maiores. Sempre haverá os catões condenando concessões que permitiram chegar ao concerto nacional. Sempre haverá os que deplorarão as vitórias, pela fé impenitente de que nada avança nem avançará sem o rastilho de uma revolução que nunca virá.

Mas são esses Estadistas, com a perspectiva dos visionários, com o senso prático dos vitoriosos, que comandam os avanços civilizatórios.

Quando morrem, não são pranteados: são celebrados como conquistas eternas da humanidade.

http://jornalggn.com.br/noticia/a-razao-de-mandela-ter-entrado-para-a-historia#.UqRLiv8yNow.facebook


regina on 8 dezembro, 2013 at 15:28 #

Em tempo, eu acho que a doçura que emanava do olhar de Mandela vinha da certeza do dever cumprido.
regina


Lilyane on 8 dezembro, 2013 at 16:27 #

O resultado (ou problema) disso tudo é que a população da África do Sul continua na mesma. Depois do fim do apharteid castas se formaram entre seus habitantes negros e o resto continuou na mesma. Como disse Lampeduza, há que se mudar para continuar tudo como antes.


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