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OPINIÃO POLÍTICA

Eliana na campanha

Ivan de Carvalho

Eliana Calmon, ministra do Superior Tribunal de Justiça, aposenta-se da magistratura no dia 18 e no dia 19, às 10 horas, em evento no Espaço Unique, próximo ao Salvador Shopping, filia-se ao Partido Socialista Brasileiro, recentemente reforçado no país com o ingresso da ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata a presidente da República, Marina Silva.

Estão confirmadas no evento – que se pretende seja politicamente muito expressivo – as presenças do presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, governador de Pernambuco e candidato a presidente da República e de Marina Silva, que impedida por um golpe cartorial de registrar seu partido, o Rede Sustentabilidade, surpreendeu a nação e o governo ao decidir aliar-se a Campos, filiando-se ao PSB.

Eduardo Campos comentou o trabalho extraordinário e corajoso realizado pela baiana Eliana Calmon quando corregedora nacional de Justiça, quando denunciou ao país a existência de “bandidos escondidos atrás da toga” e de resistências muito fortes a uma fiscalização da corregedoria a malfeitos ou ineficiência de magistrados e órgãos da magistratura, denúncia em que não generalizava e até fazia o mais difícil, especificando casos mais notórios.

“Eliana desempenha um papel importante na história recente do Brasil. Sua seriedade e competência sempre foram exemplares”, escreveu em sua página do Facebook o presidente nacional do PSB, governador de Pernambuco e aspirante a presidente da República, Eduardo Campos.

O ingresso de Eliana no PSB foi articulado por Campos – outros convites ela recebeu de vários partidos, tanto da oposição quanto da área governista, mas não do PT, talvez porque este estivesse certo de que um eventual convite seu não seria aceito ou por entender que há, entre o PT e a ministra, “incompatibilidade de gênio”.

Ao ingressar na seção baiana do PSB, Eliana entra sabendo que será candidata a uma cadeira no Senado Federal. Em princípio, conquistá-la não será uma tarefa fácil, porque, ressalvadas surpresas, vai enfrentar o candidato governista Otto Alencar e o candidato de um agrupamento de partidos da oposição no qual se destacam, também ressalvadas surpresas, o Democratas, o PMDB e o PSDB.

A entrada de Eliana na batalha eleitoral do ano que vem representa um reforço, na Bahia, à campanha presidencial do PSB, já fundada sobre a candidatura da senadora Lídice da Mata, que também se beneficia, política e eleitoralmente, da presença de Eliana na chapa socialista que concorrerá às eleições majoritárias de 2014.

Esta chapa, aliás, vai, naturalmente, buscar votos tanto na área da oposição tradicional quanto na governista, mas é uma ameaça flagrante à chapa governista liderada pelo petista Rui Costa. É que o PT e o PSB estavam juntos até recentemente (ainda estão, por enquanto, considerando ocupação de cargos na administração estadual) e será bastante fácil militantes e eleitores governistas insatisfeitos migrarem para a chapa do PSB. Esse fenômeno e o crescimento político-eleitoral da chapa do PSB às eleições majoritárias baianas poderão ampliar-se na medida em que cresça a campanha do PSB para a presidência da República, seja a chapa encabeçada mesmo pelo governador Eduardo Campos, seja por Marina Silva.

A sinergia entre as campanhas estaduais e as federais não é negligenciável. E, sob certas circunstâncias, pode até ser decisiva.

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