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DEU NO JORNAL A TARDE

COSTA CONTRA LULA E WAGNER

Antonio Risério

Quanto mais a gente reza, mais babaquice aparece. Agora, amigos me chamam a atenção, vou logo conferir e vejo que é a mais pura verdade. O candidato do governador Jaques Wagner à sua sucessão, o sindicalista Rui Costa, um ilustre desconhecido, bate na mesa para perguntar o seguinte: o que Eduardo Campos, governador de Pernambuco e candidato a presidente da República, quer se metendo em assuntos baianos? Mais: pernambucano não tem nada de se meter nas coisas da Bahia.

É uma atitude pequena demais. Mesquinha, provinciana, grosseira e burra – para dizer o mínimo. Precisamente, esse indivíduo disse que Eduardo Campos está realizando uma “interferência indesejada” nos quintais da política baiana. E emenda, batendo na velha tecla do preconceito e de uma rivalidade regional que ninguém mais leva a sério: baianos não querem ser governados pelos interesses de Pernambuco. É ridículo. E o macaco, fazendo a sua macaquice, nem olha para o próprio rabo.

Afinal, Lula é pernambucano. E há anos vem se metendo – com êxito, inclusive – na política baiana. Rui Costa deve então perguntar publicamente, por um mínimo de coerência: o que esse pernambucano de Caetés-Garanhuns quer se intrometendo nas tramas de nossa política? E dizer com todas as letras: Lula, quando vem aqui fazer comício para o PT, está realizando uma “interferência indesejada” em nosso meio. Mais: baianos não querem ser governados pelos interesses do pernambucano Lula. E só assim ficamos sabendo que Rui Costa, em princípio, quer ver Lula longe do processo eleitoral baiano de 2014. Não é isso? Ou sou eu que estou ficando cego e burro?

Mas o ataque do pequeno polegar de Wagner não atinge apenas o ex-presidente Lula. Atinge, também, o próprio Wagner, que, como todos sabem, não é baiano, mas carioca. Afinal, o que esse judeu carioca quer fazendo aqui? – é a pergunta que se deve fazer, como consequência lógica da estupidez provinciana de Rui Costa. Nesse caso, no entanto, talvez Costa esteja certo: ao escolher um candidato que quase ninguém conhece e que os que conhecem detestam, é provável que Wagner esteja mesmo realizando uma “interferência indesejada” na Bahia. Por esse caminho, a crítica indireta de Costa ao governador tem sua razão de ser. Além disso, não nos esqueçamos de que Dilma Rousseff é mineira. Quando é que o pequeno polegar vai dizer a ela que os baianos não querem ser governados por interesses de Minas?

Pelo visto, Rui Costa não pensa no que diz, se é que por acaso pensa sobre alguma coisa, do que de agora em diante devemos desconfiar. Suas declarações espantam não só por serem absolutamente imbecis, mas pela estreiteza e pelo provincianismo. É autoritário como um coronel irritado com alguém que prega reforma agrária em sua fazenda. E de um preconceito antigo e rasteiríssimo, que o classifica como um indivíduo mentalmente raquítico e sem a menor grandeza que se deve exigir de um sujeito que quer governar a Bahia.

Por fim, não devemos nos esquecer de três coisas elementares, que talvez sejam complexas demais para o raso entendimento do sindicalista que Wagner quer nos empurrar goela abaixo. Primeiro, Eduardo Campos é presidente do PSB. Esse partido tem quadros de relevo na Bahia, a começar pela senadora Lídice da Mata, candidata ao governo baiano. E o presidente de um partido nacional tem de se meter, até obrigatoriamente, no jogo político de cada unidade da federação. Em segundo lugar, Eduardo é candidato a presidente. O grosseirão Rui Costa quer proibir que ele faça campanha na Bahia? Terceiro, ele vem, com Marina Silva, para apoiar a candidatura de Lídice. Não pode? O brucutu não quer?

Em comparação com uma “esquerda” dessas, a direita é bem mais democrática. Afinal, o que Rui Costa quer é fechar uma suposta porteira da Bahia como se isso aqui tivesse virado um curral sindicalista. Age, assim, como um bundão autoritário, justificando sua fama de casca grossa. E, se há uma coisa que os baianos não querem ou não devem querer, é que tamanha grosseria tome conta do governo da Bahia.

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BOA TARDE!!!

Em tempo: Janio, cabra bom na escrita e aprendizado do tio e mestre Lindemar Liberalino da Silva: o samba vai também para você, aí na beira do São Francisco, rio da nossa aldeia, na Santo Antonio da Glória do meu coração.

(Vitor Hugo Soares)


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ARTIGO

Mandela saiu para pescar

Janio Ferreira Soares

Início da noite de quinta-feira, 05 de dezembro, começo a burilar meu penúltimo artigo do ano. Um calor infernal me embaça as ideias. Lembro de coisas soltas, como a história que Gil conta quando Caymmi ficou dias ajustando o seu ventilador até encontrar a distância certa para que o vento chegasse exato à sua poltrona em um Rio 40 graus, à época somente um purgatório da beleza, sem nenhum indício de caos. Na TV uma reprise do excelente Zoombido, programa apresentado por Paulinho Moska, mostra Antônio Carlos e Jocafi falando e cantando. Fico feliz em ver que o tempo fez bem ao grisalho Jocafi, mas nem tanto a Antônio Carlos que, cabelos e barba à graúna, parece mais um irmão gêmeo do boneco Falcon. E enquanto “o quadradismo dos meus versos vai de encontro aos intelectos que não usam o coração como expressão” me conduz a tempos de inofensivos amores, breguetes e que tais, fico sabendo da morte de Nelson Mandela.

Imediatamente mudo o rumo dos dedos e solicito às teclas mais detalhes sobre sua saída de cena, mas não tem jeito. Mesmo diante de dezenas de milhares de informações a respeito de umas das figuras mais emblemáticas da história recente (em tempo: nestes dias em que punhos cerrados foram erguidos fora do contexto, é um colírio vê-lo em tal atitude), a imagem que não sai da minha cabeça é a dele bailando o toyi-toyi , dança oriunda dos guetos e subúrbios africanos, com aquela elegância e a placidez característica que poucos conseguem ter (Paulinho da Viola, professor Milton Santos, Mãe Estela…), além de um sorriso escancaradamente sincero, ingênuo e franco, que remete ao daquele moço que saía pra pescar nas águas do Mucuripe e, ao voltar, colocava sua calça nova de riscado, o paletó de linho branco (que até o mês passado lá no campo ainda era flor) e ia namorar, nem aí pra saudade, nem com anseio de casar.

Agora só me resta abrir um belo pinotage de terras sul-africanas, colocar Manu Dibango na vitrola e pedir inspiração a mestre Caymmi para acertar o ponto do meu velho ventilador. Tim-tim, Madiba.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem Bbaiana do Rio São Francisco.

dez
07
Posted on 07-12-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-12-2013


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Pelicano, hoje, no portal de humor A Charge Online


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Mandela na Praça Castro Alves e no Palácio de Ondina:
um heroi no coração da Bahia

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ARTIGO DA SEMANA

Mandela na Bahia: Dia para não Esquecer

Vitor Hugo Soares

“O que conta na vida não é o fato de termos vivido. É a diferença que fizemos para a vida dos outros.”

Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Prêmio Nobel da Paz, líder e herói das lutas pela liberdade e igualdade racial, que morreu quinta-feira, 5. Será sepultado dia 15.

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Conto nas linhas deste artigo semanal, uma das mais intensas e empolgantes experiências pessoais e profissionais de minha vida: o dia de Agosto de 1991, da visita de Nelson Mandela a Salvador, chamada “Roma Negra” do Brasil .

O dia do “Axé a Mandela”, tão marcante no processo da conscientização e participação política e social, quanto especial também no terreno da complicada atividade do pensar e fazer jornalismo. Data incrível, para recordar sempre, principalmente nesta semana triste da partida do líder e herói planetário, e de enorme reboliço no País.

Antes, no entanto, peço licença aos leitores para um registro factual mais próximo, que talvez não guarde muita relação com aquela visita única e histórica para a Cidade da Bahia e sua gente, da personalidade de tamanho imensurável que a África do Sul e o planeta acabam de perder.

Ou (quem sabe?), tenha tudo a ver com aquele memorável Agosto no Brasil.

Avaliem:

Na expressiva (e sentida) mensagem de pesar que concebeu, assinou e deu divulgação horas depois de confirmada a triste notícia da morte de Nelson Mandela , o ministro presidente da Suprema Corte de Justiça do Brasil , Joaquim Barbosa, foi sintético e emblemático.

As palavras escritas e divulgadas no calor da hora da grande perda mundial e, ao mesmo tempo, no meio dos graves abalos políticos, éticos, jurídicos e sociais no País, parecem destinadas a alcançar os dois alvos com uma flecha só: o interno e o internacional. A mensagem do presidente do STF fala de sentimentos pessoais e humanos profundos, ao tempo em que joga um foco de luz sobre o debate brasileiro nestes dias temerários de confrontos apaixonados.

Em alguns momentos, cada vez com mais intolerância e virulência de algumas áreas (incluindo a jornalística), isso tem ultrapassado as fronteiras do bom senso democrático e da inteligência a serviço da clareza e da verdade, para cair no terreno pantanoso da mentira e engodos deslavados, ou da pura e simples selvageria das agressões pessoais.

Na mensagem de condolências do STF, Joaquim Barbosa começa com terrível e verdadeira constatação: “A morte de Nelson Mandela torna o mundo mais pobre de referências de coragem, dignidade e obstinação na defesa das causas justas”. Em seguida, destaca que a vida altiva do morto “traduziu o sentido maior da existência humana”.

E conclui, o presidente da suprema corte de justiça brasileira, a sua mensagem, seguramente destinada a ser anotada agora, guardada em lugar de destaque, e lembrada sempre: “Seu nome (Nelson Mandela) permanecerá como sinônimo de esperança para todas as vítimas de injustiça em qualquer parte do mundo”.

Nada a acrescentar, a não ser um pedido de reflexão sobre o que está explicitamente dito nas linhas, e implicitamente consignado nas entrelinhas, para quem entende dos signos do poder e da lei.

Agora é hora de retomar o fio da conversa do início deste artigo: O dia da visita do gigante Mandela a Salvador:

Era 03 de agosto de 1991. Na época, Antonio Carlos Magalhães era quem voltava a mandar na política da Bahia, pouco tempo depois da retumbante e consagradora vitória eleitoral de Waldir Pires sobre o Carlismo. Feito brilhante transformado em frustração, dois anos depois, quando Pires renunciou ao governo e entregou o comando do Estado a Nilo Coelho, para se candidatar a vice na chapa do MDB, encabeçada pelo deputado e presidente da Câmara, Ulysses Guimarães, à Presidência da República. Mas essa é outra história. Ou não?

O dia se revelaria especial logo no desembarque de Mandela. Milhares de soteropolitanos se comprimiam nas dependências internas e nas áreas próximas do então Aeroporto 2 de Julho. Governantes, políticos, militantes da lutas dos negros pela igualdade racial, líderes dos terreiros de candomblé, representantes dos famosos e poderosos blocos afros do carnaval baiano – destaque para o Ylê Aiyê e Olodum – artistas de todas as tendências musicais e políticas que então dominavam a cena baiana e nacional nas artes.

Mandela, com 71 anos, acabara de ser libertado, depois de 27 anos de prisão política e resistência em vários presídios de seu país. Eleito para comandar o partido do Conselho da União Africana (CNA), decidiu realizar um périplo por vários lugares do mundo que ele avaliava com importância nos embates por sua libertação. O Rio de Janeiro e a Bahia figuravam como pontos de destaques no roteiro pela América Latina.

Salvador, citada sempre como a capital mais negra do Brasil, mantinha laços profundos e reconhecidos com os ideais do ícone sul-africano das lutas pela liberdade de expressão e contra o racismo. Laços mais profundos, ainda, com os integrantes do movimento negro, dos blocos afros, dos poetas, intelectuais, autores e cantores, como Gilberto Gil (autor e intérprete do sucesso mundial “A Batina do Bispo Tutu) e Margareth Menezes, entre tantos outros que gritavam aos quatro ventos a defesa da liberdade do ativista negro que morreu anteontem.

A gente de Salvador respondeu à altura. No desembarque no aeroporto, no almoço oferecido no Palácio de Ondina por ACM, com a presença do cardeal arcebispo e Primaz do Brasil, na época, Dom Lucas Moreira Neves, políticos e personalidades das mais diferentes plumagens, partidárias e ideológicas, juntas no preito de honra a Mandela.

Mas a apoteose foi mesmo no grande espetáculo político e popular realizado, no final da tarde, na Praça Castro Alves. Multidão calculada em mais de 100 mil pessoas tomou o centro inteiro da capital. Alegria, vibração e lágrimas, tudo misturado na mesma emoção, como era comum se ver nas grandes festas cívicas e sociais baianas. A cada discurso, a cada abraço, a cada canção por Mandela e sua luta. Quando o herói visitante falou, praticamente todo mundo, mesmo o mais duro entre os presente, se entregou à emoção.

Ninguém me contou. Eu vi. Estava na Castro Alves, na área do destruído restaurante Cacique, ao lado de Raimundo Lima (amigo e ex-parceiro na redação da sucursal do Jornal do Brasil, hoje na ponte Angola-Salvador), que então comandava o Sindicato dos Jornalistas da Bahia, o cantor e compositor Gerônimo (Essa cidade é de Oxum), que presidia a Fundação Gregório de Mattos, Margarida (minha mulher e também jornalista), outros amigos e um sósia do líder sul-africano que desfilava nos blocos do carnaval, que Raimundo Lima apelidou de “Nosso Mandela”. Ele virou uma atração à parte na memorável celebração.

Na partida de Mandela, como esquecer a força dos sentimentos que brotavam da sua presença em Salvador? Responda quem souber, enquanto eu guardo a emoção.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta.

E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Pedro:.Milton de Brito:partida há 13 anos
Foto Facebook, Sara Silva =======================================================


A performance de Simon e Olodum , do jeito que Nelson Mandela mais gostava, vai em tributo ao grande líder e herói das lutas contra o racismo e pela liberdade na África, que acaba de partir e deixar um vazio sem tamanho no mundo inteiro.

Vai, igualmente, em memoria do bravo e brilhante advogado Pedro Milton de Brito, ex-presidente da seccional baiana da OAB, membro destacado do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, e lutador incansável em defesa dos perseguidos políticos, das liberdades democráticas e das melhores lutas sociais e por justiça na Bahia e no País.

Grande admirador de Mandela, Pedro morreu há 13 anos, no dia 4 de dezembro de 2000, semanas antes da chegada do Século XX!.

Saudades !!!

(Vitor Hugo Soares)

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OPINIÃO POLÍTICA

Eliana na campanha

Ivan de Carvalho

Eliana Calmon, ministra do Superior Tribunal de Justiça, aposenta-se da magistratura no dia 18 e no dia 19, às 10 horas, em evento no Espaço Unique, próximo ao Salvador Shopping, filia-se ao Partido Socialista Brasileiro, recentemente reforçado no país com o ingresso da ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata a presidente da República, Marina Silva.

Estão confirmadas no evento – que se pretende seja politicamente muito expressivo – as presenças do presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, governador de Pernambuco e candidato a presidente da República e de Marina Silva, que impedida por um golpe cartorial de registrar seu partido, o Rede Sustentabilidade, surpreendeu a nação e o governo ao decidir aliar-se a Campos, filiando-se ao PSB.

Eduardo Campos comentou o trabalho extraordinário e corajoso realizado pela baiana Eliana Calmon quando corregedora nacional de Justiça, quando denunciou ao país a existência de “bandidos escondidos atrás da toga” e de resistências muito fortes a uma fiscalização da corregedoria a malfeitos ou ineficiência de magistrados e órgãos da magistratura, denúncia em que não generalizava e até fazia o mais difícil, especificando casos mais notórios.

“Eliana desempenha um papel importante na história recente do Brasil. Sua seriedade e competência sempre foram exemplares”, escreveu em sua página do Facebook o presidente nacional do PSB, governador de Pernambuco e aspirante a presidente da República, Eduardo Campos.

O ingresso de Eliana no PSB foi articulado por Campos – outros convites ela recebeu de vários partidos, tanto da oposição quanto da área governista, mas não do PT, talvez porque este estivesse certo de que um eventual convite seu não seria aceito ou por entender que há, entre o PT e a ministra, “incompatibilidade de gênio”.

Ao ingressar na seção baiana do PSB, Eliana entra sabendo que será candidata a uma cadeira no Senado Federal. Em princípio, conquistá-la não será uma tarefa fácil, porque, ressalvadas surpresas, vai enfrentar o candidato governista Otto Alencar e o candidato de um agrupamento de partidos da oposição no qual se destacam, também ressalvadas surpresas, o Democratas, o PMDB e o PSDB.

A entrada de Eliana na batalha eleitoral do ano que vem representa um reforço, na Bahia, à campanha presidencial do PSB, já fundada sobre a candidatura da senadora Lídice da Mata, que também se beneficia, política e eleitoralmente, da presença de Eliana na chapa socialista que concorrerá às eleições majoritárias de 2014.

Esta chapa, aliás, vai, naturalmente, buscar votos tanto na área da oposição tradicional quanto na governista, mas é uma ameaça flagrante à chapa governista liderada pelo petista Rui Costa. É que o PT e o PSB estavam juntos até recentemente (ainda estão, por enquanto, considerando ocupação de cargos na administração estadual) e será bastante fácil militantes e eleitores governistas insatisfeitos migrarem para a chapa do PSB. Esse fenômeno e o crescimento político-eleitoral da chapa do PSB às eleições majoritárias baianas poderão ampliar-se na medida em que cresça a campanha do PSB para a presidência da República, seja a chapa encabeçada mesmo pelo governador Eduardo Campos, seja por Marina Silva.

A sinergia entre as campanhas estaduais e as federais não é negligenciável. E, sob certas circunstâncias, pode até ser decisiva.

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