dez
05

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DEU NO PÚBLICO, DE LISBOA

Nelson Mandela foi um homem de gestos. Como este: apenas aceitou sair da prisão quando recebeu garantias de que todos os outros prisioneiros políticos seriam libertados como ele. O advogado e ativista acreditou na luta pela libertação de todo um povo. Depois de 27 anos preso, foi eleito o primeiro Presidente negro na África do Sul. O seu legado vai muito além do seu país e do tempo em que viveu. Morreu nesta quinta-feira, com 95 anos, na sua casa em Joanesburgo.

Quando anunciou que deixava a política, Nelson Mandela o fez com a mesma naturalidade com que dizia: “Toda a gente morre.” Escolheu deixar a presidência da África do Sul no fim do primeiro mandato dois anos depois de decidir abandonar a liderança do Congresso Nacional Africano (ANC), que transformou num farol da luta de libertação do seu país. Na sombra, manteve uma atividade pública, por vezes próxima da política. Estávamos em 1999.

Cinco anos depois, com 86 anos, anunciou brincando que ia “reformar-se da reforma”. Era a sua maneira de dizer que desta vez era mesmo de verdade. “Não me telefonem, eu telefono para vocês”, disse na altura num encontro com jornalistas. “Não lhe telefonamos”, escreveu o jornalista Ido Lekota em 2010 no jornal The Sowetan, “mas a sua figura ‘maior do que a vida’ continua a pairar sobre a nossa democracia e o panorama político [da África do Sul].”

Hoje, três anos depois, Ido Lekota continuaria provavelmente a escrever o mesmo do líder da luta anti-apartheid, preso durante 27 anos por lutar contra o regime segregacionista da África do Sul, que foi prémio Nobel da Paz (com Frederik de Klerk) em 1993 e primeiro Presidente negro da África do Sul eleito um ano depois. “O estadista mais amado” do mundo, como se lhe referiu em tempos o New York Times, esteve internado este ano, com uma infecção pulmonar, como o foi várias vezes nos últimos dois anos. Deixa uma obra completa: um país que imaginou e criou a partir de um ideal.

Advogado, líder da luta anti-apartheid, defensor do uso de armas em nome de uma luta igual com o opressor, Nelson Rolihlahla Mandela conseguiu ter do seu lado pacifistas como o arcebispo Desmond Tutu, que foi Nobel da Paz antes dele, em 1984, e que, quando Mandela esteve internado, rezou pelo “conforto e dignidade” daquele que considera ser “o ícone mundial da reconciliação”. Também foi o arcebispo Desmond Tutu quem disse, num dos últimos aniversários de Mandela, a 18 de Julho, que a melhor prenda que ele podia receber era que as pessoas fossem como ele, era saber que as pessoas seguiriam o seu exemplo.

De pessoa revoltada a magnânima

Tutu previu ser este um momento “traumático” para a África do Sul, o da perda de Mandela, figura que descreveu como “um ser humano fantástico”, numa entrevista em Junho de 2012 ao PÚBLICO, em Lisboa.

“Quando vai para a prisão, é uma pessoa zangada, revoltada, que acredita na violência como meio de conquistar a liberdade. E, quando sai, emerge como uma pessoa extraordinariamente magnânima. O sofrimento por que passou ajudou-o a suavizar a sua posição. (…) Ele acreditava convictamente que se é líder pelas pessoas que são lideradas e não em benefício próprio. Fomos incrivelmente abençoados por termos Madiba [Mandela] aos comandos, num momento histórico para o nosso país. (…).”

Pelo menos até ao fim de 2010, o ex-Presidente sul-africano continuava, todos os meses, a receber quatro mil mensagens do mundo inteiro. Algumas com uma homenagem, outras a desejarem-lhe uma reforma tranquila e feliz, segundo a Fundação Nelson Mandela, em Dezembro de 2010, que, na declaração também recebida pelo PÚBLICO, juntou um pedido a todos para se coibirem de pedir autógrafos, declarações, entrevistas ou aparições públicas em apoio a algum evento, de forma a “ajudar a tornar a reforma de Madiba um período de paz e tranquilidade”.

Seguiram-se meses e anos difíceis em que a sua saúde se deteriorou. E durante esta última permanência no hospital, à porta da sua casa em Joanesburgo e do hospital em Pretória, muitas flores foram deixadas com mensagens a desejar as melhoras ou a dizer: “Tata Madiba: Graças a ti, temos orgulho em ser sul-africanos.” Ou com promessas: “Prometemos viver em paz e harmonia.”

Descendente do rei thembu

O desejo de Mandela, expresso na autobiografia Longo Caminho para a Liberdade, era ser enterrado junto dos seus antepassados em Qunu, no Transkei, província do Cabo Oriental, onde nasceu em 1918, e foi educado para ser, como o pai falecido, conselheiro do rei thembu, Jongintaba Dalindyebo.

Era descendente de Ngubengcuka, que tinha antes sido o rei dos thembu, incluídos no mais vasto grupo linguístico dos xhosa. Mandela descreve o rei, que foi seu pai adotivo e do qual teria sido conselheiro, se não tivesse partido para Joanesburgo, como “um homem tolerante e esclarecido que tinha alcançado o objetivo [que caracteriza] todos os grandes líderes: manter o seu povo unido”.

Este “grande líder” acolhera Mandela com nove anos, após a morte do pai que, anos antes, ficara desapossado de tudo por desafiar um representante da administração britânica. A mãe, sem condições para o criar, entregou-o ao rei. Mandela aprendeu a escutar os anciãos.

Os vários nomes de Mandela

Mandela é muitas vezes chamado, na África do Sul, por “Tata”, que significa “pai”, ou por “khulu” que é “grandioso” – ambos na língua xhosa. Mas Mandela é sobretudo referido, em sinal de respeito, por “Madiba” – nome de um chefe thembu que reinou no Transkei no século XVIII, o nome do clã de Mandela que é mais importante do que o apelido.

Na clandestinidade, a partir de 1961, vestiu a pele de um David Motsamayi; disfarçou-se várias vezes de motorista, cozinheiro, jardineiro.

Não foi conselheiro, nem rei, mas a sua educação de aristocrata, os estudos de advocacia, o carisma e dedicação à luta anti-apartheid fizeram dele o líder inquestionável do ANC e principal ícone da libertação da África do Sul. Não aceitou ser libertado da prisão, enquanto não fossem instituídos o fim do apartheid e o fim da proibição do ANC, o levantamento do estado de emergência e a libertação dos outros presos políticos.

“Eu prezo muito a minha liberdade, mas prezo ainda mais a vossa”, escreveu num discurso lido pela filha Zindzi, num comício no Soweto, em 1985, dirigido aos africanos e membros do ANC.

Recolhimento nacional

Também por isso, a morte de Mandela é “uma perda tremenda para o país”, disse Ray Hartley, diretor do jornal sul-africano The Times numa entrevista ao PÚBLICO. “A África do Sul perderá aquele sentimento reconfortante de que existia este grande unificador”, disse, embora prevendo que “os processos políticos não serão afectados pelo seu desaparecimento.”

Também em entrevista, Thierry Vircoulon, investigador associado do Institut Français des Relations Internationales e co-autor de L’Afrique du Sud de Jacob Zuma (L’Harmattan), considerou que “a África do Sul vai entrar num momento de recolhimento nacional”. E realçou: “A nova África do Sul não vai desaparecer com ele, precisamente porque ele fez um excelente trabalho enquanto pai fundador dessa nova África do Sul.”

Os seus atos são frequentemente lembrados como exemplo para outros. As suas palavras ressoarão durante muito tempo como lições de vida.

Frederik W. de Klerk, ex-líder do Partido Nacional, fala do líder que confrontou em duras negociações e com quem partilhou o Prémio Nobel da Paz 1993, numa entrevista a propósito do livro Conversations with Myself , também lançado em Portugal, em 2010, com o título Nelson Mandela – Arquivo Íntimo (Editora Objectiva), e que junta notas pessoais, cartas e diários de Mandela escritos antes e depois da saída da prisão: “Independentemente de qualquer crítica que possamos fazer, o homem que emerge de Conversations with Myself é uma eminente figura não só na história da África do Sul, mas na história do século XX. Ele foi Presidente para desempenhar um papel exemplar na unificação e reconciliação do povo profundamente dividido da África do Sul”, disse aquele que foi o último Presidente branco da África do Sul (1989-1994).

Muitas vezes, admite na autobiografia Um Longo Caminho para a Liberdade, Mandela se questionou sobre o sofrimento que infligira à família durante a clandestinidade e nos anos na prisão de onde só saiu com 72 anos.

Já em liberdade, numa entrevista à revista norte-americana Time em Fevereiro de 1990, disse acreditar no valor da dedicação quase exclusiva à luta: “Sim, valeu a pena. Ser preso por causa das nossas convicções e estar preparado para sofrer por aquilo em que se acredita vale a pena. É uma conquista para um homem cumprir o seu dever na terra independentemente das consequências.”

O difícil equilíbrio, nunca alcançado, entre a dedicação à família, por um lado, e à causa política da libertação, por outro, acompanhou-o durante a vida e é algo presente nas suas memórias do Arquivo Íntimo. Porém, aceitou-o da mesma forma que aceitou defender o recurso às armas como imprescindível para o sucesso da luta.

Em defesa das armas

“Nunca irei lamentar a decisão que tomei em 1961, mas gostaria que um dia a minha consciência estivesse tranquila”, disse referindo-se à decisão tomada nesse ano de passar à clandestinidade e formar o MK (Umkhonto we Sizwe – A lança da nação) de que foi primeiro comandante-chefe e que se tornou a ala militar do ANC. Viria a ser condenado a prisão perpétua em 1964 por sabotagem e conspiração.

Passou 18 anos na prisão de alta segurança de Robben Island. Esteve depois na prisão de Pollsmoor, e já no final foi transferido para a cadeia de Victor Verster perto da Cidade do Cabo.

Nos 23 anos que viveu depois de libertado, concluiu a missão, iniciada ainda na cadeia, de negociar o fim do apartheid com o Governo do Partido Nacionalista e foi eleito primeiro Presidente negro da África do Sul. Depois de terminado o mandato de cinco anos, retirou-se da política e passou a dedicar-se, através da fundação com o seu nome, a uma nova causa – o combate e a prevenção da sida – à qual se sentia especialmente ligado.

Em 2005, a morte do filho Makgatho, vítima de AIDS, levou Mandela a uma rara intervenção pública desde que deixara a vida política em 1999. Lançou um apelo ao fim do tabu, para que se falasse desta como de qualquer outra doença, por considerar que só assim a sida deixaria de ser fatal.

Já antes, quando estava preso, tinha perdido o filho mais velho Thembekile, num desastre de automóvel, em 1969, e uma filha pequena ainda bebé, Makawize, ambos do primeiro casamento com Evelyn Mase, de quem se divorciou em 1957.

Um ano depois conheceu e casou-se com Winnie Mandela, de quem teve duas filhas. Quando a viu pela primeira vez, “soube que a ia amar”, escreve na autobiografia. Durante os anos em que esteve preso, é a sua confidente e, durante muito tempo, quem melhor o compreende. A política, os métodos utilizados ou o rumo defendido para a luta acabam por separá-los. Mandela opta pelo divórcio em 1996.

Dos seis filhos que teve, acompanharam-no até ao fim as três filhas: Zindzi, Zenani e Makawize. E Graça Machel, com quem se casou dois anos depois do divórcio com Winnie, a 18 de Julho de 1998, no dia do 80.º aniversário.

Quando Mandela esteve esta última vez no hospital, Graça Machel agradeceu emocionada as muitas mensagens a desejar as melhoras do ex-Presidente vindas da África do Sul, do continente e do resto do mundo. Nessa mensagem pública e universal, Graça Machel dizia estar reconhecida a todos os que tinham, com isso, “feito uma diferença, na recuperação” de Mandela numa alusão às palavras do próprio: “O que conta na vida não é o fato de termos vivido. É a diferença que fizemos para a vida dos outros.”


Ndaba e Kweku Mandela na Bahia
(Foto: Ruan Melo/ G1)
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DEU NO G1

Ndaba e Kweku Mandela, os netos do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, estiveram em Salvador na manhã desta quinta-feira (5). No começo da noite, foi anunciado pelo presidente sul-africano Jacob Zuma a morte do líder, que foi símbolo da luta contra o apartheid.

Eles participaram do pré-lançamento da campanha mundial de conscientização sobre o HIV, chamada “Proteja o Gol”. Os irmãos fizeram um tour na capital baiana durante a tarde. Segundo a assessoria do evento, os irmãos foram para a Costa do Sauípe, onde ocorre o sorteio da Copa na sexta-feira (5), e ainda não sabem o horário que voltam ao país africano.

Os dois netos são os porta-vozes da campanha. Na ocasião, Kweku lembrou a morte dos pais e da importância na redução de casos de HIV no mundo. “Meus pais morreram por causa do HIV. Nós temos que alcançar zero casos de HIV, zero discriminação e zero mortes”, afirmou. O lançamento oficial da campanha irá ocorrer no dia 13 de junho de 2014.

O pré-lançamento da ação ocorreu no Forte de São Diogo, em Salvador. A campanha tem como slogan “De Soweto a Salvador” e foi iniciada na África do Sul na Copa do Mundo de 2010.

Durante pronunciamento, Ndaba Mandela citou os jogadores brasileiros Romário, Ronaldo Neymar e Daniel Alves para falar da importância em ter grandes nomes participando da campanha. “Em 1994 lembro do Romário. Lembro também do Ronaldo e do que ele fez. Em 2014 vemos o Brasil na Copa, temos Neymar, Daniel Alves. Mas nós temos também que ter sucesso na campanha. Nós vamos fazer coisas surpreendes”, prometeu.

DEU NO ESTADÃO

Felipe Recondo – O Estado de S. Paulo

Brasília – O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou nesta quinta-feira, 5, a prisão imediata de mais quatro condenados por envolvimento no mensalão. O deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), os ex-deputados Bispo Rodrigues e Pedro Correa e o ex-vice-presidente do Banco Rural Vinicius Samarane deveão ser presos ainda nesta quinta pela Polícia Federal, que já confirmou o recebimento dos mandados de prisão.

Além deles, já estão presos outros 11 condenados do mensalão. Todos se entregaram à PF logo após a expedição dos mandados, exceto o ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, que é considerado foragido desde o dia 15 de novembro. A prisão dele já foi determinada.

Após ser anunciado a expedição dos mandados de prisão, o advogado do ex-deputado Pedro Correa, Marcelo Leal, chegou à Superintendência da Polícia Federal em Brasília e afirmou que seu cliente está na cidade e deve se entregar à polícia.

dez
05


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Um “help” na terapia

Maria Aparecida Torneros

Estou no consultório do terapeuta com um pedido de “help”, mas, sei que a relação analista/paciente é, antes de tudo, confiança no profissionalismo que o atendimento requer e/ou inspira.

Tenho sorte. Meu terapeuta é renovador e estudioso. Depois de alguns meses sem visitá-lo, sou recebida com a grata surpresa da dinamica da psicologia cognitiva, que postula respostas mais imediatas. Vamos fundo. Os porquês são recolocados, o saldo positivo supera as dificuldades e o céu está muito azul, compreendo isso, através do novo olhar que dirijo a mim, em momento de redescoberta.

Vibrações positivas e muita força para enfrentar a luta, sacudir a poeira, observar o mar sem fim, penetrar no vento flutuante, lembrar de amigos que partiram, agradecer o quanto me fizeram feliz e o legado de carinho que me presenteiam, apesar da despedida.
Bom sentir que há muita luz no meio do túnel.

Enfrente seus medos, digo a mim mesma e sigo, na quinta-feira, com destino ao bom combate. Sei que o amor pela minha mãe é vivenciar, neste momento, seus problemas, cabe a mim, ter paciência, compreender e ser solidária.

Vejo-me com a luminosidade das criaturas que buscam a superação, aplaco os efeitos das dores fisicas, são pequenas lufadas, brisas inquietas que não tem poder suficiente para apagar o brilho do meu sol interior!

Grito um bom dia dirigido à vida que me acolhe e cerca. Fixei a imagem de flores coloridas se abrindo nas manhãs do meu jardim e me reconheço, entre elas, decididamente, cognitivamente, sinceramente!

Maria Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, edita o Blog da Mulher Necessária, onde o texto foi publicado originariamente. Nenhum
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dez
05

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DEU NO BLOG TERRA MAGAZINE E NA TV GAZETA(SP)

Vem aí um novo capítulo da novela político-policial do Brasil. Quem seria o dono do Hotel Saint Peter, onde José Dirceu quer trabalhar em Brasília?

E José Genoino segue nas manchetes. Ele renunciou ao mandato, e assim não teria como não estar nas manchetes. O problema é quanto ao que e quem não chega, ou não permanece nas manchetes.

O ministério público requisitou a suspensão de 10 contratos para reforma de trens em São Paulo. O tal escândalo dos trens e metrô.

O promotor Marcelo Milani diz que um pacote de reforma de trens em São Paulo custou mais do que a compra de trens novos.

Segundo Milani, em 4 dos contratos não houve competição. Só foi apresentada uma proposta por lote. Valor destes 4 contratos? R$ 1 bilhão e 600 milhões.

Cada trem reformado, só o trem, custou 80% do preço de um trem novo, informa o promotor.

O metrô alega que a reforma de cada trem custou 60%, e não 80% de um novo trem. Vamos ver o fôlego desse trem…e desse escândalo.

Há 8 anos, José Adalberto Vieira da Silva foi preso no aeroporto de Congonhas. Ele era assessor do então deputado estadual no Ceará, e hoje líder do PT na Câmara, José Guimarães. Que é irmão de Genoino.

Adalberto foi preso com US$ 200 mil numa valise e US$ 100 mil na cueca, isso em meio às investigações do chamado “mensalão”. Hilário, chocante e monumental escândalo, aquele dos “dólares na cueca”.

Adalberto assessorava Guimarães, lá no Ceará. Mas foi Genoíno quem, mesmo sem indício ou prova alguma contra ele, pagou a conta na gigantesca repercussão daquele fato.

Tem gente que não exerce o livre arbítrio. E, por consequência, analisa os outros pelo que carrega dentro de si mesmo, pelo que é.

Quem é assim não aceita que liberdade de escolha e liberdade na crítica possam conviver numa só pessoa.

Maior cronista do Brasil, Luis Fernando Veríssimo declarou voto no PT por mais de uma vez. E, aos 77 anos, Veríssimo segue dizendo o que pensa. Outro dia ele escreveu:

-Proponho o fim da hipocrisia no julgamento de casos de corrupção no país. Oficialize-se, já, dois sistemas de pesos e medidas diferentes. Um que só vale para o PT… e outro para os outros, principalmente o PSDB.

Como previsível, aplausos de um lado da arquibancada. O outro lado da arquibancada vaiou. Ou fez que não leu. A proposta de Veríssimo provoca reflexão. E a imaginação.

Imagine, cara amiga, caro amigo, que José Genoino não está condenado à prisão. E que ele não é deputado, e sim senador.

Imagine que Genoino e um dos seus filhos, que seria deputado, têm um helicóptero. E que nesse helicóptero o piloto é preso, pela Polícia Federal, com 450 quilos de cocaína.

Imagine a dimensão, a duração e extensão, o tamanho da repercussão.

Já imaginou?

dez
05
Posted on 05-12-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-12-2013


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Amarildo, hoje, no jornal Brasil Econômico

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OPINIÃO POLÍTICA

Dirceu em queda

Ivan de Carvalho

O ministro José Dirceu era, até poucos dias, muito poderoso, como tanto se diz que gosta, apesar de condenado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção ativa e formação de quadrilha (estando esta última condenação dependente do julgamento de um embargo infringente). Ele foi, aliás, apontado por ministros do tribunal como o chefe da quadrilha, o que talvez haja sido a injustiça contra ele cometida, uma vez que declarara que nada do que fez na chefia da Casa Civil foi feito sem o conhecimento do seu chefe.

Mas voltemos ao fio da meada. Não se pode dizer que há uma certeza, mas é grande a possibilidade de que, mesmo cumprindo pena, mantenha dose cavalar de poder, uma vez que o PT, seu partido, do qual já foi presidente, e que estará no governo pelo menos até 31 de dezembro de 2014. Especialmente se for absolvido no segundo julgamento pelo crime de formação de quadrilha, o que lhe pouparia o regime fechado e lhe permitiria experiência exclusiva no regime semiaberto, dando-lhe a oportunidade de exercer atividade política com desenvoltura.

O Jornal Nacional, da Rede Globo, edição de terça-feira, entregou ao público dados e informações que ampliaram e aprofundaram o que já era um escândalo – o emprego de R$ 20 mil por mês, para ser gerente administrativo, oferecido pela firma que administrava o Saint Peter, hotel situado no centro de Brasília (local muito adequado), valendo o registro de que o diretor geral do hotel tinha o salário de R$ 1.800,00.

As coisas não parecerão tão sem lógica se considerado o fato de que o hotel com tão mal pago diretor geral tinha, de fato, o controle de um ex-deputado, empresário importante na área de comunicações eletrônicas, com ênfase em televisão. E que, com a anuência técnica e legal da Anatel, uma agência que integra o governo federal, a torre de uma emissora sua conseguiu pular de Goiás para a Avenida Paulista, uma espécie de salto da China. Um dos sócios do hotel, Paulo Masci de Abreu, é irmão de José Masci de Abreu, presidente do PTN. O Partido Trabalhista Nacional apoiou a eleição de Dilma Rousseff em 2010.

Mais lógica ainda se põe a história quando o JN nota que o presidente da empresa administradora do hotel mora no Panamá, onde a reportagem o encontrou em uma área pobre, lavando esforçadamente seu automóvel na porta de casa. Ele trabalha como auxiliar de escritório em uma empresa de advocacia e, dizem os fruticultores panamenhos, é chegado a uma laranja.

Bem, em um hotel de uns 400 quartos, saguão amplo, não faltarão a José Dirceu tarefas a cumprir e pessoas a quem receber e com quem conversar, na sua faina diária. Mas pode não ser bem como ele pensa. A decisão de autorizar ou não o trabalho estafante de Dirceu no hotel cabe ao juiz da Vara de Execuções Penais e há muita desconfiança, no STF, de que o juiz Bruno Ribeiro não concederá o benefício do emprego no hotel a José Dirceu nem a Delúbio Soares o emprego que a Central Única dos Trabalhadores lhe ofereceu.

Como a confirmar isto, Marco Aurélio Mello, um dos ministros do STF, disse ontem que, como cidadão, “não vê com bons olhos” a informação de que o presidente da firma que administrava o hotel Saint Peter (que ofereceu o emprego a Dirceu) é um auxiliar de escritório de uma empresa de advocacia no Panamá. Segundo a reportagem do Jornal Nacional, o panamenho teria outras mil firmas ligadas ao seu nome, o que sugere seja ele, não um “laranja”, mas um laranjal.

Marco Aurélio disse ainda que cabem explicações (de alguém ligado a Dirceu) à sociedade. “Todos nós devemos contas à sociedade e cada qual adota a postura que é conveniente”.

Bem, se o Mensalão reduziu o poder de Dirceu, mas não o extinguiu, esse escândalo do hotel tende a reduzi-lo um pouco mais, ainda que muito sobre.

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BOM DIA

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