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OPINIÃO POLÍTICA

O PT no seu dia

Ivan de Carvalho

Numa manobra política importante, governador Jaques Wagner proclamou ontem que o nome que indica ao diretório estadual do PT, como seu preferido para candidato à sua sucessão, é o do secretário da Casa Civil de seu governo, deputado Rui Costa. Não houve surpresa alguma quanto à preferência, mas alguma quanto à revelação, em entrevista à Rádio Metrópole, na véspera da reunião do diretório que deve decidir, hoje, sobre o nome do candidato do PT ao governo. Já amanhã haverá a solenidade de posse do novo diretório estadual do partido, evento que tende a confundir-se com a festa de comemoração pela escolha de Rui Costa para candidato petista ao governo.

Mas o PT não está pacificado. Pelo menos, ainda não está. O partido chegou a ter cinco postulantes à sucessão de Wagner. O último a surgir foi o primeiro a desistir – o tempo de vida da candidatura do secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, foi o de uma estrela cadente. Não que ele esteja desprestigiado no âmbito do governo, até pelo contrário. Mas sua candidatura não era o caso.

Outro aspirante, o ex-prefeito de Camaçari e ex-presidente da UPB, Luiz Caetano, lançou-se por conta própria, fez movimento, alguma mobilização, mas faz um tempo que oficiosamente já não é aspirante ao governo e cuida de consolidar sua eleição praticamente certa a deputado federal. Hoje, no diretório, faz um discurso enfatizando a importância da unidade do partido, oficializando seu apoio a Rui Costa e declarando-se candidato a uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Como se nota, restam, além de Rui Costa, dois nomes na lista de pré-candidatos petistas ao governo baiano – o senador Walter Pinheiro, líder do PT no Senado e o secretário estadual do Planejamento e ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o preferido de Lula, que, no entanto, tem sido bastante discreto nessa preferência.

Ainda ontem pela manhã, minutos após o governador Wagner anunciar que seu preferido para o governo é o chefe de sua Casa Civil (que durante muitos meses passou, por óbvia delegação não escrita do governador, a operar como uma espécie de gerente político e administrativo do governo, função que lhe facilitava trabalhar intensamente a própria candidatura), Gabrielli deu declarações à rádio Band News FM.

Gabrielli comentou que não se omitiu e admitiu – primeira vez que isso aconteceu por parte de um petista graduado – que o partido corre o risco de perder a eleição para o governo. “Não teremos eleição fácil”, disse, e, depois de uma rápida e convincente análise do cenário político-eleitoral, disse que “o mais importante é manter o partido unido. A militância do PT sempre foi um elemento extremamente importante. Se tentarmos apenas com a vontade do governador, sem mobilizar as bases, teremos risco de ser derrotados”. A uma questão direta, respondeu: “O governador anunciou o seu candidato preferido, então… o diretório vai se reunir amanhã (hoje)”.

Alguns viram nesse final um certo conformismo. De fato, pareceu. Mas não foi assim pacífica a reação do outro aspirante escanteado, senador Walter Pinheiro. Em entrevista à rádio Tudo FM ele atirou: “Eu saí da lista do governador, mas continuo na lista do partido. E aí, PT? Está na mão de vocês. O nosso nome está lá à disposição e o PT vai dizer se efetivamente me quer como provável candidato ou se o PT também resolve me dar bilhete azul. Eu estou mantendo na mão do partido para que o PT possa responder sobre essas questões”. E completou, ou complicou: “Esse é o momento em que não é possível fazer retiradas (retirar candidaturas), mas se avaliarem que podem nos retirar, nós não nos sentiremos diminutos”.

À tarde, o senador Pinheiro fez um discurso no plenário do Senado, exclusivamente sobre a escolha do candidato do PT a governador. Recebeu apartes muito elogiosos. E em entrevista à TV Bandeirantes de Salvador, Gabrielli, secretário estadual do Planejamento, afastou toda impressão de conformismo que suas primeiras declarações podem ter deixado: “Minha candidatura está mantida. O importante é a unidade. Devemos criar um processo (de escolha). Se prevalecer apenas a vontade do governador…”.

Sintetizando: para Pinheiro e Gabrielli, a simples absorção do nome preferido do governador pelo diretório põe em grave risco a unidade do partido e até mais do que isso.

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