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DEU NO TV SPORT BLOG

A Globo sugeriu o baiano Lázaro Ramos e a carioca Camila Pitanga para a apresentação do sorteio dos grupos da Copa, mas a ideia foi rejeitada pela Fifa.

De acordo com a coluna “Radar on-line”, do site da revista “Veja”, a entidade que comanda o futebol mundial preferiu outra dupla, Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert, para estar à frente do badalado evento do Mundial de 2014, a ser realizado dia 6 de dezembro, na Bahia.

Deve ser coincidência a opção pelo casal branco, formado por uma gaúcha e um catarinense. A rejeição aos atores negros, também. Tomara, né?


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CRÔNICA/CONVERSAS

Uma turma nem aí pra Zé Dirceu

Janio Ferreira Soares

Dias depois da prisão de Zé Dirceu e companhia, lá ia eu por caminhos de terra quando uma moto, andando meio de banda como no carimbó de Pinduca, para em minha frente. Afino o olhar e vejo que o homem escanchado sobre ela é seu Vaco, batizado José Pereira da Silva, cujo apelido o acompanha desde os tempos em que sua enorme gagueira não lhe permitia se dizer vaqueiro. Depois de abraços e tentativas de frases atravancadas, resolvemos colocar o papo em dia num quiosque à beira-rio.

Ele me conta, entre caretas e pálpebras descompassadas, que a maioria dos filhos já casou e lhe deu uma ruma de netos; que agora só bebe jurubeba, pois o doutor lhe receitou vinho à pinga; que nunca mais tocou sua gaita; e que uma dor danada nas costas é o motivo dele guiar de lado. Indago sobre o destino do velho jumento que o levava dos bares à sua casa deitado em decúbito ventral sobre seu lombo e ele diz que, graças ao Bolsa Família, trocou-o por “essa motinha” e também comprou uma TV “das fininhas”. Em breve, uma lavadora de roupa dará um descanso aos dedos engelhados da patroa. Deus lhe preserve.

Enquanto um cantor berra “vai, Riquelme!”, dou uma beliscada num tucunaré e puxo o assunto do mensalão. Ele já ouviu falar, mas não quer nem saber. Cito Dirceu, ele dá de ombros; pronuncio Delúbio, ele pede um limão; falo Genoíno, ele vai ao banheiro; digo Pizzolato, ele sugere calabresa. Desisto de mencionar Barbosa, pois certamente ele vai achar que eu quero papo sobre a Copa de 50.

O bar está repleto de jovens igualmente nem aí pro tema. Eles tomam vodca ice e cantam um atentado sonoro de nome forró romântico, que diz: “Eu vou parar meu carro na frente do cabaré, vai ter muita mulher, vai ter muita birita. Todo puteiro me conhece, eu sou o cara que alugou um caminhão pra encher de rapariga”. Peço a conta, me despeço de seu Vaco e desejo boa sorte aos adolescentes que logo serão o futuro do sertão, mas no momento estão interessados mesmo é numa carona na boleia ou na carroceria desse animado caminhão. “Vai, meu batera!”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

nov
23
Posted on 23-11-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-11-2013


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M. Aurélio, hoje, no jornal Zero Hora (RS)


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Livro de Buñuel e presos do Mensalão e
Joaquim Barbosa:importância da memória
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ARTIGO DA SEMANA

Presos do Mensalão, Buñuel, e a Memória

Vitor Hugo Soares

Na abertura de “Meu Último Suspiro”, seu livro de memórias, o cineasta espanhol Luis Buñuel recorda: sua mãe, nos dez últimos anos de vida, começou a perder a memória. Chegou ao ponto de não mais saber quem eram seus filhos ou quem era ela mesma.

Ele entrava em casa, beijava-a, passava um tempo a seu lado. Depois a mãe (cuja saúde física se mostrava intacta) se afastava. Retornava em seguida e recebia o filho com o mesmo sorriso, pedia para que ele se sentasse, como se o estivesse vendo pela primeira vez, já não sabendo nem mais seu nome.

Nas primeiras páginas do livro referencial, o cineasta, ao falar da mãe, recorda também do seu tempo de garoto no colégio em Saragoza, quando era capaz de recitar de cor a lista completa dos reis visigóticos, as superfícies e populaçõesde todos os países europeus, “e muitas outras inutilidades”.

Buñuel fala, também, do primeiro esquecimento do antigo garoto espanhol tido como um “Memorion”, e dos esquecimentos seguintes. “Com esse esquecimento, e outros esquecimentos que não tardarão a apresentar-se, começamos a compreender e a admitir a importância da memória”, diz o mago do surrealismo no cinema.

“É preciso começar a perder a memória, ainda que se trate de fragmentos, para perceber que é esta que faz toda a nossa vida. Uma vida sem memória não seria uma vida, assim como uma inteligência sem possibilidade de exprimir-se, não seria uma inteligência. Nossa memória é nossa coerência, nossa razão, nossa ação, nosso sentimento. Sem ela não somos nada”, conclui Buñuel. Magnificamente!

Os grandes artífices da escritura que me perdoem o tamanho da citação, mas a julgo absolutamente essencial neste momento estranho e desmemoriado que o Brasil atravessa. Em outros escritos, em outros momentos, ou em outras ações pessoais já me socorri dela.

Diante da verdade (bela e terrível ao mesmo tempo) contida na citação e nas páginas de “Meu Último Suspiro”, devo seguir na trilha das lembranças. “Enquanto é tempo”, como recomendava Raimundo Reis, outro autor da minha predileção, já no título de um de seus livros. Exatamente seu livro de memórias.Raimundo, ex-deputado pessedista de renome na história de seu partido (PSD) e do parlamento de seu Estado foi, acima de tudo, um notável cronista do cotidiano da Bahia e escritor de muitos livros publicados, nascido nas barrancas do São Francisco, o rio da minha aldeia.

Recordemos, então: Corriam os primeiros meses de 1969 quando aconteceu, na Bahia, a estranha história que, espero, sirva para contextualizar melhor este artigo de opinião. Pode, a princípio, parecer uma “coisa antiga”, sem sentido ou significado maior para alguns. Mas (quem sabe?), pode ser que guarde expressão e relevância factual e interpretativa, jornalisticamente falando, em relação aos tumultuados e explosivos dias que correm na política, na justiça e na vida social brasileira em geral.

Em especial, se a narrativa for comparada com histórias, atos, fatos e aspectos da feroz controvérsia que envolve os condenados, pelo Supremo Tribunal Federal, no processo criminal do Mensalão. E o barulho causado pelo recolhimento dos 11 primeiro deles (homens e mulheres) às dependências do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. José Dirceu, José Genoino (ontem internado em um hospital do DF, para exames sobre o seu efetivo estado de saúde, autorizado pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa) e Delúbio Soares. Figuras referenciais da história do PT e, no caso dos dois primeiros, da própria história política e social brasileira recente.

Era começo daquele ano (1969), ainda sob as sombras e reflexos kafkianos de 1968, o incrível “ano que não terminou”. Em meio, também, aos desdobramentos terríveis da aplicação das implacáveis medidas ditatoriais do AI-5, que atingiam com braço de ferro desde a atividade política à vida educacional nos colégios e nas universidades públicas.

Neste ambiente cavernoso, começava o ano letivo, quando a Faculdade de Direito da UFBA foi cercada e invadida por agentes da Polícia Federal (PF). À frente da operação, inédita na vida da Bahia, o chefe da instituição policial no estado à época. Quase uma dezena de alunos da tradicional escola baiana de ensino jurídico, integrantes de uma relação de quase 50 estudantes com matrículas “cassadas” na UFBA, pelo AI-5, foram retirados algemados da sala de aula, sob as vistas de diretores, professores, alunos e funcionários da Faculdade. Entre eles, o autor deste artigo, que acabara de ser diplomado em Jornalismo e se preparava para cursar o último ano de Direito.

Na Bahia e no País, só um jornal registrou a invasão da Faculdade de Direito da UFBA e a prisão dos estudantes em sala de aula: O Estado de S. Paulo, graças à coragem do jornal paulista e de sua correspondente em Salvador, na época: jornalista Zilá Moreira

Depois de um dia de identificação, entre a sede da PF e o Quartel General do Exército, em Salvador, fomos todos dormir em uma cela no Quartel do 19º Batalhão de Cavalaria, no bairro do Cabula, que, com o correr dos dias de março, ficaria cheia de outros presos: Estudantes, profissionais liberais, dirigentes sindicais, vereador da capital, prefeito de cidade grande do interior do estado.
“Gente de esquerda e gente de Andreazza”, como fazia questão de frisar o vereador, um líder portuário do antigo PTB, quando queria estabelecer as diferenças políticas, ideológicas e pessoais dos prisioneiros na cela do 19 BC. Quando isso não se mostrava suficiente, ele chamava a “turma de esquerda” em um canto, e fazia o alerta mais direto e explícito:

– Olha, não esqueçam: o prefeito é gente boa, todos nós sabemos. Inteligente, culto, psiquiatra competente, intelectual de boas leituras, joga xadrez muito bem, é simpático e amigueiro. Mas é preciso não esquecer: “Nós estamos presos aqui por subversão, mas o prefeito está preso por corrupção”, encerrava o vereador, referindo-se às ligações do político com “o ministro dos Transporte da ditadura”, que então começava “a cair em desgraça no regime”.

Mais não digo. Ou melhor, faço apenas outra citação. Esta da preferência dos franceses, da qual também gosto muito e repito sempre que preciso e a memória permite:”Que seja amaldiçoado, quem pensar mal destas coisas!”

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

nov
23
Posted on 23-11-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-11-2013

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“Sabe Você?”: Composição de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes interpretada por Djavan. Faixa extraída da trilha sonora do filme “Para viver um grande amor” lançada em 1983.

BOM DIA!!!

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OPINIÃO POLÍTICA

Estratégia ou imprudência
Ivan de Carvalho

Pode até ser que dê certo, que esteja correta a escolha de 30 de novembro para anunciar o candidato do PT (e, consequentemente, dos governos estadual e federal) a governador da Bahia. Mas é uma data imprudente, um tanto açodada.
Ontem mesmo surgiu informação, a confirmar, mas com firme aparência de verdade, que a ministra do Superior Tribunal de Justiça e ex-corregedora nacional de Justiça – função que exerceu brilhante e corajosamente no Conselho Nacional de Justiça, enfrentando os “bandidos que se escondem atrás das togas” – vai se filiar ao PSB e concorrer por este partido, na Bahia, a um mandato eletivo no ano que vem. Presume-se que ao de senadora.
O site Política Livre, que divulgou a informação obtida nos bastidores políticos de Brasília, refere que ela culminou articulação pessoalmente conduzida pelo presidente nacional do PSB, governador de Pernambuco e candidato a presidente da República, Eduardo Campos.
O PSB e o Democratas vinham trabalhando há algum tempo pela adesão da magistrada baiana Eliana Calmon e o fato de que a ministra tenha em seu pensamento, desde os tempos de faculdade de Direito (fui seu colega de turma na UFBa) o que se poderia chamar de um moderado “viés de esquerda” haja sido talvez o principal fator a conduzi-la ao PSB, ao invés do DEM, cujo ideário segue caminho democrático diverso.
Caso entre mesmo na disputa pela cadeira que estará em jogo nas eleições para o Senado, Eliana Calmon é considerada uma candidata com amplas possibilidades, havendo muitos políticos na oposição que a consideram “imbatível”. Se é mesmo imbatível só as urnas dirão, mas que é forte, dúvida não há. E aí é que nos lembramos da opinião explicitada pelo vice-governador e secretário estadual de Infraestrutura, Otto Alencar, presidente estadual do PSD e tido por muitos (até porque ele mesmo fica dizendo que é o que quer) como candidato governista a senador.
A opinião de Otto Alencar – uma liderança de forte peso eleitoral no governismo – expressa antes dessas últimas informações sobre Eliana Calmon, mas certamente já a incluindo como um dos numerosos fatores do contexto político-eleitoral, é de que o anúncio do nome do candidato a governador (e possivelmente da chapa completa às eleições majoritárias, com os candidatos a Senado e vice-governador) não deveria ocorrer no dia 30 próximo, mas seguir a tradição baiana de ocorrer depois do carnaval. Até lá já estariam mais evidentes os personagens presentes no cenário, suas respectivas alianças e a receptividade do eleitorado, do qual já se poderia sentir com mais consistência do que agora as vontades.
Pode muito bem ser que Otto Alencar (cuja advertência não incluiu muitos dos detalhes da interpretação que lhe dei) se torne apenas “a voz que clamou no deserto” e o açodamento em curso, cujos planejadores presumem estratégicos, prossiga impávido – para a vitória ou para as trapalhadas.
Inicialmente o governismo contava com o PSB em sua coligação e hoje está confrontado com a candidatura da senadora Lídice da Mata, presidente estadual deste partido (não importa muito se entusiasmada ou constrangida) a governadora. E então consolida-se a hipótese do reforço de Eliana Calmon ao PSB. Um segmento importante da chamada “esquerda” – sem embargo do cheiro de mofo que, a meu ver, as palavras esquerda e direita hoje exalam na política – desgarra-se da enciclopédica miscelânea “ideológica” governista. No segundo turno, caso o PSB não esteja nele, pode voltar ao ninho antigo, pela inclinação dominante local – ou até não. Eduardo Campos, o presidente nacional do PSB, conversa muito bem com Aécio Neves, do PSDB e não é simpático a um papo com o PT, do qual sensatamente considera haver descoberto que apenas o estava enrolando ad aeternum.
Bem, e não está claro como vai terminar o arranca-rabo PP-PDT pela candidatura governista a vice-governador nem como procederá o PDT na Bahia, que “não aceita ser humilhado com a exclusão da chapa” às eleições majoritárias, segundo seu presidente regional Alexandre Brust disse ao governador. E como procederá o PDT nacional ao tratamento que lhe der o governo do PT até junho? E as oposições tradicionais disputarão o governo com o democrata Paulo Souto, o peemedebista Geddel Vieira Lima ou quem?
Ora, afinal, a “voz que clama no deserto” pode ter razão. Nos registros bíblicos, tem. No mundo profano da política, como diria Caetano, pode ter. Ou não.

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