Joseph Paul Franklin numa foto de 2012 DR

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DEU NO PÚBLICO, DE LISBOA

Após duas reviravoltas em poucas horas, a execução de pena capital para Joseph Paul Franklin, 63 anos, foi mesmo concretizada. Franklin, o homem por trás de 22 assassínatos e um ataque que deixou o criador da revista Hustler, Larry Flynt, paralisado, foi executado esta quarta-feira no estado do Missouri.

Franklin, 63 anos, tinha visto a execução suspensa apenas horas antes da hora marcada por uma decisão de um tribunal federal. Mas, numa nova reviravolta inesperada, a decisão foi revertida por um tribunal de recurso. O Supremo confirmou a última decisão, a execução foi mesmo levada a cabo.

A juíza Nanette Laughrey tinha suspendido a concretização da pena na sequência de uma queixa de Franklin e outros 20 condenados à morte no estado do Missouri. Estes alegavam que não havia informação suficiente sobre as substâncias que seriam usadas na execução. O estado tinha substituído o cocktail usado na injecção letal por um único medicamento, depois da oposição do fabricante alemão do propofol, um anestésico, à sua utilização na pena de morte.

Os detalhes do protocolo de excução, comentou a juíza, são “enganadores, na melhor das opções”.

Nos Estados Unidos, um dos defensores de mais transparência em relação ao modo como são levadas a cabo as execuções foi uma das vítimas de Franklin, o próprio Larry Flynt – numa cadeira de rodas desde 1978 na sequência do ataque do supremacista branco.

O condenado, cujos assassínios tiveram motivos raciais, atacou Flynt depois de ter visto uma fotografia de uma cena de sexo entre pessoas de raça diferente na revista erótica Hustler.

Flynt tinha feito há dias um pedido público para que Franklin não fosse executado. “Em todos estes anos após o ataque, nunca estive cara a cara com Franklin. Adoraria ter uma hora num quarto com ele e um par de alicates, para lhe poder provocar o mesmo dano que ele me provocou a mim”, disse o magnata do império erótico Hustler. “Mas não o quero matar, nem quer vê-lo morrer.”

A sua oposição à pena de morte é total, sublinhou Flynt, acrescentando: “Enquanto não é abolida, o público tem o direito de saber os detalhes sobre como o estado planeia executar pessoas em seu nome.”

Franklin descreveu-se como membro do Ku Klux Klan e do partido nazi dos EUA, e as suas ações, “ditadas por deus”, disse, pretendiam começar uma guerra racial na América. Foi condenado por oito ataques, incluindo o que matou um homem e deixou outros dois feridos numa sinagoga de St. Louis em 1977. Daí até 1980 ainda terá matado mais 21 pessoas. Numa entrevista publicada esta semana, declarou que as suas ideias tinham sido “ilógicas” e que na prisão tinha percebido que os negros “são pessoas como nós”.

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