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OPINIÃO POLÍTICA

Realidade e nitidez

Ivan de Carvalho

Foi uma surpresa ou até mais, um espanto, a atitude do secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, que exerce o cargo desde o início do primeiro mandato do governador Jaques Wagner (pouco falta, assim, para completar sete anos no importante cargo) de dar uma entrevista em que claramente se coloca como um aspirante a ser escolhido candidato do PT a governador.

Se, neste caso, as aparências não estiverem enganando, como costumam fazer, trata-se de um ato inesperado e até repelido abertamente pelo ainda presidente estadual do PT, Jonas Paulo, segundo o qual a pré-candidatura de Solla “não existe”. O presidente eleito no domingo para sucedê-lo, Everaldo Anunciação, descartou, em entrevista à emissora Tudo FM, a hipótese de inclusão do secretário de Saúde na relação de pré-candidatos petistas ao governo.

Relação atualmente composta, pelo menos para efeitos externos, pelo deputado Rui Costa (preferido pelo governador Wagner), pelo senador Walter Pinheiro (preferido por ele mesmo, por seus simpatizantes dentro do PT e moderadamente pelo PP), por José Sérgio Gabrielli, (ex-candidato a governador, ex-presidente da Petrobras e preferido de Lula, embora não de Dilma Rousseff) e por Luiz Caetano (ex-prefeito de Camaçari e ex-coordenador geral da campanha de Wagner para o governo).

Jonas Paulo diz que “não existe” a hipótese de Solla ser incluído na relação de aspirantes petistas ao governo. Cumpre questionar: como não existe, cara pálida? Se ele disse que existe, então existe. A não ser que já haja desistido, ele mesmo providenciou a auto-inclusão na relação de pré-candidatos. Claro que se não desistiu e não desistir ante o bombardeio, impressionante de tão imediato, partindo do presidente em exercício e do presidente eleito do PT, que atuam, aparente e vigorosamente – não importa o entusiasmo de cada um deles nisso – segundo a estratégia de levar à escolha do deputado e secretário-chefe da Casa Civil, Rui Costa, para representar o governismo.

Se o vocábulo “atuam” foi acompanhado de “aparente” é para respeitar o mistério. Afinal, o que significa essa pré-candidatura de Solla posta no cenário um momento antes de – a acreditar-se no anúncio de que o nome do candidato petista a governador será anunciado no dia 30 – o pano cair, concluindo o drama?

Solla é PT e, pela maneira com que lida com os políticos, é bastante estimado não somente pelos parlamentares petistas da Bahia, mas pelos outros deputados governistas, que não sentem a mesma empatia por outros aspirantes petistas ao governo. E, parece, confiam um pouco mais nas chances de eleição do eventual candidato Jorge Solla do que, digamos, de Rui Costa, o nome reconhecidamente com mais chance (quase certeza) de ser o escolhido para representar do PT e, consequentemente, para representar o governismo no pleito. Porque qualquer candidato do PT ao governo será o representante do governismo na disputa do cargo. Se alguém não aceitar, estará deve considerar-se fora da “base”, automaticamente. Não precisa esperar um comunicado público ou privado.

Veja o leitor o que diz, em entrevista ao jornal A Tarde, o presidente estadual do PT, deputado federal e ex-ministro Mário Negromonte. Eventual entrada de Solla na disputa petista “é coisa interna do PT”. E aí dispara: “Os partidos aliados querem um candidato competitivo, com chances de ganhar e eleger um grande número de deputados federais e estaduais”. E o nome, sugeriu, deve passar pelos filtros do PT, do governador, dos partidos aliados e da sociedade “através de pesquisas”.

Aí, ó. Embora pareça que as coisas já estão acertadas nos bastidores, cabendo a partir de agora apenas um trabalho de convencimento para a aceitação, esse “lançamento” de Solla, as declarações de Negromonte e afinal as de Otto Alencar, que além de repetir que deseja ser candidato ao Senado (não quer mais ser vice, já foi duas vezes), acha que houve muita precipitação no processo de escolha do candidato. “Normalmente, as candidaturas são lançadas depois do carnaval. O ano de 2013 deveria ser dedicado todo ao trabalho”.

Ele não pode estar dizendo isso para nada. Talvez esteja sugerindo, de modo implícito, uma dilatação considerável de prazo, que deixe a realidade mostrar-se com mais nitidez.

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