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OPINIÃO POLÍTICA

Do PT e da base

Ivan de Carvalho

Quando o PT da Bahia, sob inspiração do governador Jaques Wagner, anunciou, um tanto informalmente, que deveria escolher seu candidato até o dia 15 próximo, quase certamente não acreditava nisso. Era mais para sinalizar que o comando estadual petista quer urgência na decisão. Isto tem explicações bastante evidentes: reduzir ao máximo o tempo disponível para o aprofundamento de divergências internas entre as “tendências” petistas sobre quem deve ser o candidato do partido a governador, encurtar, assim, o período de luta interna e apresentar o nome ungido à sociedade, abertamente, iniciando bem cedo o trabalho de convencimento do eleitorado, que pode não ser fácil.

Mas o comando petista sabia que o dia 15 seria inviável, então, quando o colocou na mídia, já previa um adiamento, o que já foi feito para 30 de novembro, supõe-se que desta vez com a intenção de que seja para valer. Mas mesmo sobre isto há incertezas. Amanhã, 10, o PT escolhe suas direções nacional, estaduais e municipais em um tal de PED – Processo de Eleição Direta –, uma coisa boa que os outros partidos não fazem. Já se sabe ou supõe saber qual o grupo de tendências que vencerá o PED para a direção estadual baiana, com Everaldo Anunciação para presidente. Esse grupo apoia o pré-candidato a governador Rui Costa, também o preferido pelo governador Wagner.

Mas outro postulante, José Sérgio Gabrielli, redobrou seus esforços e o senador Walter Pinheiro, também postulante, é um perigo-pós escolha. Se o processo interno no PT não for próximo de um consenso (e ameça não ser), pessoas que vivem no ambiente do partido fazem uma previsão um tanto agourenta: o PT não tem mais aquela militância antiga e brava, lutadora e espontânea. Existem duas militâncias, atualmente: a mercenária (sanduíche, refrigerante, cachê, transporte) e a das tendências. A primeira não é eficiente e é de curta duração. “A segunda, se dá para empurrar sem muito suor um candidato a governador, ela o faz, caso contrário, vai cuidar de eleger os deputados ligados à tendência de cada um dos militantes”, analisa um destes.

O PT, aparentemente, não tem mais que se preocupar com o PSB e a candidatura da senadora Lídice da Mata a governadora – isso já está definido, Lídice já o disse, ao acertar que o seu partido deixa o governo estadual em dezembro, no contexto da reforma que o governador pretende fazer para substituir os candidatos a mandatos eletivos nas eleições de 2014. O PT só tem de se preocupar com os votos que a senadora vai tirar do candidato governista à sucessão de Wagner, seja ele quem for.

E, se alguém cometesse a indelicadeza e a estultícia de duvidar da palavra da senadora, de que será candidata, o presidente nacional de seu partido e candidato a presidente da República, Eduardo Campos, governador de Pernambuco, confirmou em entrevista a candidatura dela na Bahia como coisa decidida, líquida (ou sólida?) e certa.

Mas o PT tem ainda de se acertar com os partidos “da base”. Existem aí alguns, digamos assim, à falta de palavra mais apropriada, problemas. Um deles é o PDT, que tem um aspirante declarado a candidato à sucessão de Jaques Wagner, o presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo.

Em plena pré-campanha a não menos de um ano. Nilo declara-se candidato, em público e em privado, a governador, mas sabe-se que o PDT aceitaria, para ele algum outro lugar na chapa de candidatos governistas às eleições majoritárias. Poderia ser o candidato a vice-governador, por exemplo, já que existe uma presunção de que seria coisa garantida, mansa e pacífica, a candidatura, do ex-governador e atual ex-governador, Otto Alencar, ao Senado.

Otto Alencar, presidente estadual do importante PSD, não se cansa de dizer que é candidato a senador. Mas esta semana discordou da declarada disposição (tese seria uma palavra inadequada) de escolha do candidato do PT ou “da base” a governador até o dia 30 próximo, com anúncio oficial nesse dia. Para que, argumentou ele, essa pressa? Ela não vai prejudicar, não vai causar desgaste, mas a “tradição”, como qualificou, é a de anunciar o nome do candidato depois do carnaval. E é mesmo, não por acaso. Antes do carnaval, quem, além dos políticos, de uns poucos pacientes jornalistas e uns poucos empresários vai se ligar em campanha eleitoral, tendo a grande farra pela frente? Mas por que Otto Alencar externou sua tão natural opinião?

Isso ele não chegou a explicar bem, mas parece óbvio. Para dar tempo a ver como as coisas andam, como elas ficam, afinal, na Bahia como no Brasil. Na medida do possível, claro, porque ele não é profeta e mesmo superado o carnaval muita coisa pode acontecer.

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