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OPINIÃO POLÍTICA

A mídia no divã

Ivan de Carvalho

Com o nome de Via Portuária, o então prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy, iniciou obras – notadamente com a construção de um viaduto que continua em seu lugar como testemunha – que deveriam resultar na então chamada Via Portuária.

Ontem à tarde, informa o site Política Livre, a presidente Dilma Rousseff telefonou “para o celular do governador da Bahia, Jaques Wagner”, confirmando que na sexta-feira estará na Bahia (a segunda vez que vem ao estado em duas semanas).

A presidente vem para a inauguração da Via Expressa, denominação que substituiu a de Via Portuária, importando mais notar que, do início à conclusão, essa obra, que vem sendo tocada pelo governo do Estado, exigiu bem mais de uma década de dinheiro, suor e transtornos passageiros que toda grande obra urbana acarreta.

Hoje ela continua sendo muito importante, por permitir que o trânsito pesado do transporte rodoviário de cargas destinado ao porto de Salvador não interfira com o restante do trânsito urbano. No entanto, entre o início e a conclusão da obra, tanto tempo passou que o problema principal de transporte em Salvador deixou de afetar as áreas atravessadas e adjacentes à Via Portuária/Via Expressa e deslocou-se para a Avenida Paralela.

Assim, entende-se a presença da presidente da República, Dilma Rousseff, no ato de inauguração da Via Expressa, que liga as rodovias do entorno de Salvador ao porto da capital, ainda mais porque esta é uma das escassas obras do PAC – com gastos de R$ 500 milhões.

Ainda assim, chama a atenção o fato que esta é a segunda vez, em duas semanas, que a presidente vem à Bahia. É evidente que tal frequência tem como causa a tão afobada quanto aflita campanha que vem realizando por todos os meios possíveis – até pelo quase incrível discurso de propaganda, a título de saudação, ao papa Francisco, no Palácio Guanabara – para recuperar, de modo sustentável (o que talvez seja o mais difícil, esta sustentabilidade, da qual mais entende Marina Silva) sua popularidade junto ao eleitorado brasileiro, após o desastre popular e de desaprovação do governo que amargou no período maio – julho.

Em artigo na Tribuna da Imprensa on line, o articulista Carlos Newton chama a atenção para a análise do ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, sobre as duas últimas pesquisas de opinião política divulgadas pelo Ibope. César Maia é um estudioso e veterano comentarista de pesquisas eleitorais e similares. A análise do ex-prefeito, observa Carlos Newton, “vasculha a pesquisa no que ela tem de mais importante”. Para César Maia, o que interessa mesmo são os índices de aceitação (ou reprovação) do governo Dilma Rousseff e não as sempre badaladas respostas à pergunta das pesquisas estimuladas, tipo “em quem votaria hoje? Fulana, Sicrano ou Beltrano?”. Aliás, os índices das respostas a essa tipo de pergunta vão depender muito, entre outras coisas, do grau de conhecimento dos nomes citados na ocasião da pesquisa. E isso pode mudar muito na campanha eleitoral ou mesmo antes.

O ex-prefeito do Rio chama a atenção “para o fato de que o Ibope mostra que a reprovação a Dilma Rousseff subiu em todos os aspectos” entre a pesquisa Ibope de setembro e a de outubro. Assim: avaliação de Dilma Ruim+Péssimo: em setembro, 22 por cento; em outubro, 26 por cento. Desaprovam Dilma: setembro, 40 por cento; outubro, 42 por cento; Não confiam em Dilma: setembro, 43 por cento; outubro, 46 por cento.

Bem, se, existindo esses números, a quase totalidade da mídia conseguiu dar a impressão, aos leigos em pesquisas, de que a presidente Dilma Rousseff voa em céu de brigadeiro, aquela quase totalidade da mídia é que está precisando deitar no divã para ser analisada.

Lembro-me agora de uma frase célebre, pronunciada pelo então ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, embaixador Rubens Ricúpero, no famoso “episódio da parabólica”, que o derrubou do cargo: “O que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”.

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