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Postado em 29-10-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 29-10-2013 12:02


Barra:um inferno no paraiso soteropolitano

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CRÔNICA DE DUAS CIDADES

Jaula neles!

Gilson Nogueira

Salvador está como o Rio antes das UPPs. A comparação é de uma carioca que teve um amigo remador do Vasco assaltado na cidade que faz o melhor acarajé do mundo no fim de semana passado. O marginal atacou o atleta arrancando-lhe do pescoço um colar de ouro. “ Ainda bem que ele não levou bala na cabeça”, disse a moça, em tom eufórico, agradecendo a Deus e reforçando o coro dos que dizem ser a violência sem limites que domina toda a Bahia peste sem cura diante da falta de solução para o problema. Promessas não faltam.

Ah, o crime deu-se na Barra, bairro que está para a capital do berimbau como Ipanema para a terra em que Vinícius de Moraes e Tom Jobim nasceram para serem eternos. Logo ela, a Barra, símbolo de esperança em um toque renovador da cidade no aspecto urbanísticocivilizatóriopacificadormulticultiracialfestivoesportivofamiliarecumênicoetílicomusical! A varanda da minha aldeia!

Jóia do perímetro urbano, seu projeto arquitetônico, desenhado no capricho, parece não incluir jaulas gigantescas para aprisionar os marginais que vão estar por lá, como agora, em qualquer tempo, ávidos em assaltar quem quer que seja, da criança ao idoso, sem dar bola para a policia. Seria, portanto, uma idéia a ser discutida: cadeias móveis, para trancafiar as feras do crime, como acontece no Carnaval. E mais, postos policiais, em cada esquina da metrópole, com, no mínimo, cinco policiais fortemente armados e motorizados. Sem barriga grande,senhores!

A ação do militar que atirou e matou o ladrão que assaltava uma mulher no Politeama, antes das oito horas da manhã da última sexta-feira, revela o perigo em andar nas ruas da Soterópolis. A força da lei falou mais alto, dizem alguns! O faroeste é aqui, digo eu.
Agora, mesmo, conversando com uma arquiteta e professora paulista, amiga da carioca que conhece bem a Bahia, pertinho de um ponto de ônibus, junto à entrada do Morro Dona Marta, percebo que o assunto ” Violência na Bahia” está presente nas rodas de conversa de Norte a Sul do país.

“ Salvador já era!”, acrescentou um passageiro que aguardava o ônibus que tomaríamos. E que ônibus! Parecia estar o baiano da gema viajando em um país do primeiro mundo. “Mas, não é sempre assim, não, meu caro, tem muito coletivo em péssimo estado rodando, aqui, como na sua terra.” Pois é,consenti.

Saltei no Jardim Botânico. O primeiro canto de ave que ouvi foi de um bem-ti-vi. Naquele momento, pensei, “ vá lá que engaiolar passarinhos não é ecologicamente correto, mas, em nome de uma melhor atmosfera em uma cidade caótica, como está Salvador, a construção de um super viveiro no Campo Grande e outro no Largo do Papagaio seria uma boa idéia para desestressar a população que mais teme a bandidagem no país.Ouvir o canto das aves faz bem à alma. ”
Táxi!!!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador do BP

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