Lula:loas a Sarney na festa à Constituição de 88

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DEU NO UOL/FOLHA

Em ato de comemoração aos 25 anos da Constituição de 1988, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta terça-feira (29) uma homenagem pública ao também ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), dizendo que o peemedebista foi tão importante quanto Ulysses Guimarães (1916-1992) no processo de formulação da atual Carta Magna brasileira.

No período da montagem e promulgação da Constituição, Sarney era o presidente da República, Ulysses o presidente da Câmara dos Deputados e Lula um dos constituintes pelo PT, na época, oposição ao governo.

“Eu queria fazer reconhecimento de público. Ulysses Guimarães certamente foi o símbolo dessa Constituinte, coordenou com maestria numa situação muito difícil, em que o PMDB tinha 23 governadores e 306 constituintes, e que sozinho podia fazer o que queria. Eu tenho consciência que o senhor não teve facilidade, muito menos moleza. Quero colocar a sua presença na Presidência no período da Constituinte em igualdade de condições com o companheiro Ulysses Guimarães”, discursou Lula no plenário do Senado.

Segundo o petista, o principal mérito de Sarney foi permitir que os constituintes fizessem livremente críticas a ele.

“Em nenhum momento, mesmo quando era afrontado no Congresso, o senhor levantou um único dedo, uma só palavra para criar qualquer dificuldades aos trabalhos da Constituinte, que certamente foi o trabalho mais extraordinário que o Congresso já viveu. (…) Por isso presidente Sarney, já que Ulysses não está entre nós, eu quero dizer claramente que o senhor merece a minha homenagem como comportamento digno como presidente da República, de permitir que nós disséssemos aqui dentro todos os desaforos que achávamos que tínhamos direito de falar contra o senhor”, acrescentou Lula, se dirigindo a Sarney, que falara antes dele.

Apesar de o PT ter feito oposição ao governo Sarney e até hoje integrantes da legenda atacarem sua atuação política, Lula e o maranhense patrocinaram uma aliança que perdura até hoje após o petista chegar ao poder, em 2003.

Em sua fala, Lula também exaltou as políticas sociais do governo Dilma Rousseff e voltou a criticar aqueles que negam a política, dizendo que se os jovens e a imprensa tivessem lido biografias de presidentes como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek eles saberiam que a “avacalhação” de políticos e da política resulta em ditadura.

“Na história desse país, se a juventude lesse a biografia do Getúlio, Juscelino e outras biografias, possivelmente as pessoas não iriam desprezar a política e muito menos a imprensa não ia avacalhar a política como avacalha hoje. (…) O que aparece quando se nega a política, é uma pessoa praticando ditadura, praticando políticas que não condizem com aquilo que nós acreditamos”, afirmou.

As referências que Lula têm feito sobre a negação da política têm como alvo os protestos de rua contrário aos partidos políticos e o discurso defendido pela ex-senadora Marina Silva, para quem é preciso acabar com o atual modo de se fazer política no país.

Em sua fala, Lula não fez menção à sua declaração de 1993, cinco anos após a promulgação da Constituição, segundo a qual havia “300 picaretas” no Congresso.

Também participaram do ato no Senado o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e outros políticos que participaram da Constituinte. O hino nacional foi cantado por Fafá de Belém, tratada como “musa” da campanha das Diretas-Já.

Convidados, os ex-presidentes Fernando Collor de Mello (1990-1992) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) não compareceram. O tucano afirmou aos organizadores que não iria devido a uma diverticulite. Não houve justificativa, durante o evento, para a ausência de Collor.

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Comentários

rosane santana on 29 outubro, 2013 at 15:49 #

Em homenagem à Lula, para o qual só guardo palavras impublicáveis.

Folhetim (Chico Buarque)

Se acaso me quiseres,
Sou dessas mulheres
Que só dizem “sim!”,
Por uma coisa à toa,
Uma noitada boa,
Um cinema, um botequim.

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda,
Qualquer coisa assim,
Como uma pedra falsa,
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim.

E eu te farei as vontades.
Direi meias verdades
Sempre à meia luz.
E te farei, vaidoso, supor
Que és o maior e que me possuis.

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte:
Te afasta de mim,
Pois já não vales nada,
És página virada,
Descartada do meu folhetim.


Lilyane on 29 outubro, 2013 at 15:56 #

Ele era o único que não deveria ter sido convidado. Foi contra a Constituinte. Zero para essa comemoração, não valeu de absolutamente nada.


Carlos Volney on 29 outubro, 2013 at 17:19 #

Continuo com minha opinião: não há nem nunca houve farsante maior em nossa Pindorama que esse cara. Ganha longe até do Fernando Henrique.
Que asco me dá…


vangelis on 29 outubro, 2013 at 21:28 #

Brizola: Cuidado com o Sapo Barbudo porque é escorregadio e mentiroso…

hahahahahaha


luís augusto on 29 outubro, 2013 at 22:01 #

Aos 15 dias de governo, em janeiro de 2003, disse a meu amigo e colega Marcos Santana: “Será o maior demagogo da história do Brasil”.
Respaldava-me em dois fatos: a primeira notícia que a Presidência produziu em duas semanas foi a reforma da churrasqueira da Granja do Torto; e foi editada uma medida provisória para garantir a propaganda de cigarro no GP do Brasil de Fórmula 1, que seria realizado em março.
É certo que o governo anterior foi esperto. Aceitou o tabagismo automobilístico por anos, e na hora de sair, o ministro da Saúde José Serra comandou a proibição, deixando a bronca política para o PT, pois havia risco de não se realizar a corrida. Mas foi um cartão de visitas lamentável para a política de saúde do PT.
E sobre o que disse Lilyane: o partido não assinou a Constituição.


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