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Postado em 25-10-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 25-10-2013 00:25

DEU NO PÚBLICO, DE LISBOA

Barack Obama tem mais um motivo para se preocupar com a deterioração das relações diplomáticas dos EUA com os seus vizinhos, aliados, parceiros e inimigos. Num momento em que não está totalmente esclarecido se o telefone celular da chanceler alem-a Angela Merkel esteve ou não sob escuta, um memorando divulgado por Edward Snowden revela que a Agência Nacional de Segurança (NSA) norte-americana monitorou as conversas telefónicas de 35 líderes mundiais.

O potencial disrutivo é grande, uma vez que o documento não diz quem foram os alvos desta ação de espionagem dos EUA. O memorando pode estar referindo-se a qualquer líder estrangeiro. Os números de telefone chegaram à NSA através de um “oficial” norte-americano que também não é nomeado. Ao todo, esse responsável forneceu mais de 200 números.

O memorando, publicado pelo Guardian, é de Outubro de 2006 e dirige-se aos “clientes” da NSA – a Casa Branca, o Departamento de Estado e o Pentágono. O propósito é claro: encorajar altos funcionários, com acesso às mais proeminentes figuras da política internacional, a partilhar as suas listas telefónicas. E é como mero exemplo que refere que a partilha de 200 contatos telefónicos por parte de um “oficial” permitiu identificar 43 números novos.

Para sublinhar a importância desta partilha, o documento explica que, mesmo que a monitorização dos contatos não produza informação significativa – como a agência reconhece ter acontecido no caso de que serviu para exemplo –, é sempre possível obter novos números de telefone através dos que são postos sob escuta.

A NSA não pretendia com este memorando sugerir uma nova prática, mas relembrar procedimentos enraizados: “De tempo a tempo, é disponibilizado à SID [Signals Intelligence Directorate] acesso às listas de contatos pessoais de funcionários dos EUA. Tais agendas de telefone podem conter informações sobre os contatos de líderes políticos ou militares estrangeiros, incluindo linha direta, fax, morada e números de telefone celular.”

Contactada pelo diário britânico, a Casa Branca escusou-se a comentar o documento agora revelado, remetendo para as declarações desta quinta-feira do seu porta-voz. Jay Carney reconheceu que a exposição do programa de espionagem da NSA tem causado “tensão” na relação com alguns países, mas que os EUA a estão tentando resolver pela via diplomática.

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