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OPINIÃO POLÍTICA

PDT e sucessão

Ivan de Carvalho

Escrevi ontem neste espaço, sobre aspectos da sucessão estadual de governador, com ênfase quase total no processo interno do PT, pois este partido tem o governador e o governador é o líder e “condutor do processo”, como ele mesmo se qualifica.

Também foi dito que ninguém, “nos meios políticos e na mídia”, ignora que o candidato do governador – dado a conhecer, mas não proclamado – é o secretário-chefe da Casa Civil, deputado Rui Costa. Presume-se que seu nome prevaleça, apesar dos outros aspirantes no PT. Há, em setores petistas e setores da base governista em outras legendas a convicção de que Rui Costa não é um candidato “leve”, de fácil aceitação pelo eleitorado. O repórter ouviu de um político que o governador “está flertando com a derrota”. Mas ninguém consegue ver petista algum capaz da atitude de “por o guiso no gato”, isto é, alertar enfaticamente o governador.

Finalmente, uma referência foi feita, no que aqui foi publicado ontem, sobre a candidatura a governadora de Lídice da Mata, que, talvez contra a vontade dela mesma, se tornou uma pedra no sapato do governo e do PT.

Mas nem só o PSB é pedra no sapato do governo e do PT baiano. Outra pedra já se alojou no outro sapato. É o PDT, mas antes de entrar nesta questão, vale lembrar que o processo se afunila rapidamente em um esforço governista para definir toda a chapa governista concorrente às eleições majoritárias até meados do mês que vem, talvez no dia-símbolo da República, dia 15.

O vice-governador e presidente estadual do PSD, ex-governador Otto Alencar, proclama que é candidato a senador. Dois dos três postos preenchidos na chapa majoritária governista – candidatura a governador de um petista e a senador, de Otto Alencar.

E então as coisas complicam. O PP informa a mídia que a “chapa majoritária está fechada”, com o petista Rui Costa para governador, Otto Alencar para senador e o deputado e presidente estadual do PT, Mário Negromonte, para vice-governador.

Aí é que entra o PDT. E entra de sola, sem pretensões a trocadilho. No dia 10, o governador Wagner recebeu para uma conversa a executiva estadual do PDT e deputados da legenda. O presidente estadual do partido, Alexandre Brust, informou ao governador: “O PDT não vai se resignar a ser humilhado”. Também disse que o deputado Marcelo Nilo, presidente da Assembléia Legislativa, há mais de um ano tem esse compromisso com o partido.

Marcelo Nilo segue candidato declarado a governador (faz tempo que ele comunicou pessoalmente a pretensão a Wagner e anunciou publicamente o fato). Está em plena pré-campanha. Quanto ao PDT, afirma que não se resignará a ficar sem uma das três candidaturas da chapa majoritária (suplente de senador não conta). Não rejeitaria a de candidato a vice-governador, que o PP parece já considerar sua. Na linguagem política, entende-se: o PDT quer o lugar de vice na chapa para Marcelo Nilo.

Aí vale um balanço de forças ou peso político, que se colhe junto à executiva do PDT. O PP tem cinco deputados estaduais e três federais. O PDT tem cinco estaduais e dois federais. Também tem um dos três senadores baianos (João Durval) e o presidente da Assembléia Legislativa. Há uma vantagem sensível para o PDT, até aí. (O PDT trocaria a cadeira que tem no Senado pelo lugar de vice na chapa). Quanto a prefeitos, o PP tem 64. O PDT tem 42, mas o presidente da Assembléia, Marcelo Nilo, tem o apoio de vários prefeitos de outros partidos – “do DEM e PMDB até o PT”, disparou um integrante da executiva estadual. Em almoço tipo demonstração de força, no dia 15, reuniu exatamente 64 prefeitos (número igual aos do PT), com o detalhe de que alguns prefeitos pedetistas, por motivos eventuais, não puderam comparecer.

Dois deputados estaduais pedetistas destacaram ainda a estreita ligação e a lealdade de Marcelo Nilo ao governador Wagner durante todo o tempo em que o primeiro está na presidência da Assembléia Legislativa, incluindo as duas graves crises para o governo – a greve e ocupação da sede do Legislativo por grevistas da Polícia Militar e a ocupação na greve dos professores. No primeiro caso, o presidente da Assembléia formalizou um pedido ao Exército e, no segundo, pediu à Justiça a reintegração de posse. Duas atitudes corretas, mas nada simpáticas, e que, no momento, atendiam às estratégias do Executivo.

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