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OPINIÃO POLÍTICA

Abacaxis para descascar

Ivan de Carvalho

A presidente Dilma Rousseff esteve ontem em Salvador, assinando, com o governador Jaques Wagner e o prefeito ACM Neto, coisas do metrô. Quem menos tem a ver com o assunto, pelo menos sob o aspecto do envolvimento e responsabilidade, é o prefeito, que logo no início de sua gestão transferiu essa bola para o governo do Estado, que a aceitou avidamente.

E não demorou a ter a demonstração de que a bola é quadrada: as empresas Odebrecht e OAS, que eram as queridas e consideradas pule de dez na licitação, na hora H não se apresentaram. Consideraram que o negócio não seria compensador e se desinteressaram. Houve então uma licitação com um só consórcio concorrente, coisa mais sem graça, ainda mais por envolver a Siemens, a mais falada do ano pelas más línguas.

Mas não estou escrevendo sobre o metrô, licitações, empreiteiras, bolas quadradas. Pretendo escrever algumas linhas sobre abacaxis e por mero acaso (se existe acaso) comecei com o já descrito, em homenagem à presidente Dilma Rousseff, que nos deu a honra de, mais uma vez visitar a Bahia. Desta vez, trocando as areias e águas da bela Inema pela burocracia da assinatura de papéis misturada com um marketing político de sentido eleitoral. O tempo dirá se ou quando o que foi posto nos papéis sairá deles na forma de equipamentos para a cidade. E se o número de votos que o marketing porá nas urnas de 2014 será suficiente.

Mas vamos deixar em paz e reflexão a presidente Dilma Rousseff com a sua surpreendente constatação de que “tudo o que as pessoas que estão pleiteando a Presidência da República querem é ser presidente” – ela inclusa, eu presumo – e vamos a outros abacaxis, não muitos para que não extrapolem o espaço e não encham a paciência do indulgente leitor. Anunciou-se, não sei bem se oficial ou oficiosamente, que até o dia 15 de novembro (daqui a um mês, exatamente) será decidido (e anunciado, pois decidido muitos dizem que já está) qual o candidato do PT (entre os quatro supostos aspirantes) para o mandato de governador do Estado a ser disputado em outubro de 2014. Nota o leitor que de repente o PT, que se mostrava bastante malemolente na questão, se encheu de pressa?

Bem, aos abacaxis. No governo e reeleito para exercer a partir de 1º de janeiro de 2011 o segundo mandato de governador, Wagner tinha em dezembro de 2010 nada menos que 60 por cento de aprovação em pesquisa do Datafolha. Este ano, em julho, havia caído para 28 por cento de aprovação. Todos se lembram da queda de Dilma Rousseff e seu governo de maio ao fim de junho. Grande parte da queda da aprovação de Wagner terá acompanhado em esse movimento quase geral no país. E certamente uma parte da queda ocorreu por motivos locais. Agora, o governador se dispõe – e, mesmo sem dizer o nome publicamente, ninguém imagina que esteja fazendo segredo – levar o PT a apresentar o deputado e secretário-chefe da Casa Civil, Rui Costa, a governador. E a conseguir para ele o apoio dos partidos da base governista. O raciocínio básico é o de que, como ACM Neto, que seria candidato forte de oposição, não pretende concorrer, o governo pode ganha mesmo com um candidato avaliado em geral como difícil eleitoralmente.

Mas acontece que as coisas não estão assim tão simples. O PSB vai sair da base eleitoral governista e lançar a candidatura própria da senadora Lídice da Mata. O PDT promoveu ontem, em uma churrascaria e com as bases municipais e mais de 40 deputados estaduais, um evento, prestigiado pelos presidentes nacional e estadual do partido, Carlos Lupi e Alexandre Brust, para reafirmar e reforçar a candidatura a governador de Marcelo Nilo, presidente da Assembléia Legislativa. Nilo já declarou que, se ficar foram da chapa majoritária (governador, vice e senador), seu partido manterá sua candidatura a governador. É outro abacaxi para Wagner e o PT descascarem. Quanto ao atual vice-governador Otto Alencar, mantém linha de total fidelidade ao governador Wagner, mas seu partido, o PSD, presidido por Gilberto Kassab, ainda não decidiu exatamente o que vai fazer nas eleições presidenciais (há uma tendência de apoiar a candidatura de Dilma Rousseff, mas é só tendência, por enquanto). A definição do PSD em âmbito nacional gerará reflexos no cenário sucessório baiano.

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