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Lídice(PSB) na inauguração da sede da Rde na Bahia

OPINIÃO POLÍTICA

Agitação governista

Ivan de Carvalho

A primeira quinzena de outubro deu um forte impulso na mobilização e nas articulações para definir o cenário da sucessão baiana. O primeiro fato foi o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral que alijou oficialmente das eleições de 2014 a Rede Sustentabilidade, partido que Marina Silva – com seus 20 milhões de votos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2010 – estava tentando por em condições de disputar o pleito presidencial do ano que vem.

A exclusão da Rede inviabilizou a candidatura de Marina por essa legenda e resultou, para surpresa geral e espanto do governo e do PT, que por isso não esperavam, no ingresso de Marina no PSB, com a intenção de apoiar, como candidata a vice – salvo eventual e improvável inversão da chapa –, a candidatura do presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à sucessão de Dilma Rousseff.

Isso teve imediato e muito relevante reflexo no cenário sucessório da Bahia. Foi eliminada toda dúvida sobre candidatura própria do PSB a presidente da República. Ficou determinado que terá. E isso eliminou toda dúvida sobre a hipótese da senadora Lídice da Mata, presidente do PSB da Bahia, não ser candidata a governadora e manter o comando do PSB baiano em suas mãos.

Ela escolheu ser candidata e manter-se no comando do partido, apesar de sua gratidão ao governador Jaques Wagner pelo empenho que teve para sua eleição ao Senado (setores amplos do PT ou pelo menos de sua militância pretendiam abandoná-la na campanha para garantir a eleição do senador Walter Pinheiro, no caso, que parecia provável, do senador César Borges reeleger-se). Foi Wagner que pressionou os petistas temerosos a se mobiliarem para a eleição de Lídice também.

Bem, temos agora, portanto, encerrando a quinzena, a candidatura de Lídice fixada e a candidata socialista participando da inauguração da sede da Rede Sustentabilidade na Bahia e, naturalmente, articulando-se política e eleitoralmente com essa nova “vertente” do PSB.

Mais coisas. O presidente estadual do PP, deputado Mário Negromonte – pilotando o terceiro maior partido da base do governo baiano – escolhe-se publicamente como candidato a vice-governador na chapa encabeçada ainda não se sabe por quem. Ou por qual petista. E por pouco não define toda a chapa majoritária. Porque, baseado em que o governador Wagner lhe confirmou que o “espaço” de vice está reservado ao PP, tratou de destinar o espaço de senador ao atual vice-governador Otto Alencar, como coisa definitiva, para isso utilizando as afirmações de Alencar de que sua intenção é de candidatar-se ao Senado.

Para completar, Negromonte fixou que o candidato a governador, apesar do monte de nomes petistas existentes (são quatro, Rui Costa, José Sérgio Gabrielli, Walter Pinheiro e Luiz Caetano), um deles será seguramente candidato petista a governador. A não ser, ressalva, quando provocado, que se o candidato do PT “não decolar”, Wagner não vai querer perder e terá de arranjar um Plano B.

Com a afirmação de que o candidato a governador será do PT e a sua declaração de que Wagner lhe confirmou estar o lugar de candidato a vice reservado ao PP, Negromonte, como presidente estadual deste partido, não somente deu reconhecimento formal à óbvia exclusão da senadora Lídice como eventual candidata da base governista, com deu mais dois passos ousados: excluiu da chapa de candidatos às eleições majoritárias o presidente da Assembléia, deputado Marcelo Nilo, em intensa e prolongada mobilização para ser, segundo declara repetidamente, candidato a governador com o apoio de Wagner.

Esta qualidade de agregador das forças políticas governistas, aliás, é reivindicada também pelo presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo. Que respondeu de bate-pronto às declarações do presidente do PP, Mário Negromonte. Nilo disse que, se confirmadas as informações de Negromonte de que a chapa majoritária já está “fechada”, o PDT, partido de Nilo, vai manter sua candidatura a governador. Até porque o PDT tem hoje um senador, João Durval, e se considera, não só por isto, mas também por isto, de tentar manter em 2014 um cargo de eleição majoritária.
Talvez as coisas acabem se acalmando no âmbito governista, mas, com já chapa fechada ou não, por enquanto o ambiente está agitado.

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