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Deu no Jornal da Paraiba/ Blog Mundo Fantasmo

19 Medos

Braulio Tavares

Antonio Lédio Martins, 39 anos, Salvador: medo de ter os tornozelos amarrados a um cavalo que em seguida será chicoteado, para que o arraste pelo solo pedregoso do sertão. Olaf Sigursson, 61 anos, Estocolmo: medo de que no encanamento de sua casa haja insetos mortos, incrustados no interior do cano, que liberam micróbios fatais. Amanda Stross, 40 anos, Perth: medo de que o chão afunde sob seu peso (ela pesa apenas 53kg), em qualquer circunstância: em casa, no escritório, na calçada, na praia.

Paulo Marcílio Guimarães, 23 anos, São Paulo: medo de perder o aviso de embarque no voo por estar com earphones escutando Metallica. Carmen Gomez de la Murta, 7 anos, Salamanca: medo de que os pais tenham colocado microcâmeras no banheiro para depois postar fotos dela na Web. Zhin Wan Yung, 56 anos, Beijing: medo de descer do trem para ir ao banheiro e o trem partir sem ele. Roberto Lísio Gonçalves, 23 anos, Fortaleza: medo de debruçar na amurada de uma cobertura e a amurada ceder ao peso de seu corpo.

Fernanda Câmara, 21 anos, São Paulo: medo de ficar bêbada e sair dando para todo mundo da festa. Raymond Ambreville, 39 anos, Bruxelas: medo de que um inseto entre pelo seu ouvido, rompa o tímpano e fique passeando dentro do seu crânio. Lucy Harrigan, 47 anos, Hong Kong: medo de beber uma lata de refrigerante e no final perceber algo sólido lá dentro. Alcino Guimarães Tortuga, 48 anos, Santarém: medo de estar mexendo nas gavetas da esposa e encontrar algo que irá estragar sua vida para sempre.

Bernardo Cardoso Almeida, 18 anos, Londrina: medo de perder a carteira, juntamente com o restante do dinheiro que costuma distribuir pelos outros bolsos. Raquel Ondina de Andrade, 30 anos, Aracaju: medo de ser eletrocutada no chuveiro quando toma banho sozinha. Almeyr Hongallon, 41 anos, Istambul: medo de ser atingido na calçada por um martelo que pode escapulir casualmente da mão do operário vinte andares acima. Merlânia Cordeiro Cardoso, 11 anos, Bayeux: medo que os povo comece a tomar craque e que o mundo se acabe numa invasão de zumbi.

Harrison Luna dos Sabros, 33 anos, Belém: medo de que alguém se suicide pulando de um prédio e caia em cima dele. Jerôme Farfan, 55 anos, Le Havre: medo de descobrir entre seus antepassados um carrasco, um traidor da pátria, um violador de donzelas. Louis Dickson, 51 anos, Seattle: medo de que tudo que escreve no computador esteja sendo copiado por um programa espião e isto leve sua firma à ruína. Joacildo Cardoso de Melo, 44 anos, Natal: medo de reconhecer num assaltante um ex-colega da escola pública, tentar usar isso em seu favor e ver que só fez piorar as coisas.

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DEU NO iBAHIA/CORREIO

Após seis meses que assumiram o namoro, Daniela Mercury e Malu Verçosa se casam neste sábado (12) em Salvador. A cerimônia vai acontecer na casa onde elas moram, no condomínio Costa Verde, em Patamares. Com o tema Flores, a decoração terá mais de quatro mil delas espalhadas pelo local.

Segundo informações da Coluna VIP, do jornal Correio*, deste sábado, a ideia deste tema surgiu após elas assistirem ao longa-metragem ‘Flores Raras’, que tem Glória Pires no elenco. Serão cerca de 200 convidados, entre parentes, amigos e personalidades. Seu Jorge, Vovô do Ilê, Márcio Victor, Margareth Menezes e o prefeito ACM Neto são alguns dos VIPs que devem presenciar este momento.

“É um casamento artístico, poético e filosófico. É uma loucura! (risos). Juntou Daniela comigo e deu nisso. Não vai ter nada religioso. A gente até convidou amigos religiosos (como Mãe Carmem do Gantois), mas não para celebrar, apenas para participar. Vai ter apenas um juiz. Nós duas vamos declamar poemas e alguns trechos do nosso livro, Daniela e Malu – Uma História de Amor, que será lançado no mês que vem”, contou Malu a coluna VIP.

Marcelo Dantas (empresário de Daniela), Olívia Cavalcante (médica), Adriana Quadros (jornalista) e Cristiano Saback (empresário) serão os padrinhos. Já a lua de mel será em Fernando de Noronha, na pousada Zé Maria.

Questionada como o terceiro casamento estaria sendo diferente dos anteriores, Daniela responde: “O passado não existe mais. O presente é algo sempre tão novo. É o que me interessa”.

T

Padroeira do Brasil

Luíz Gonzaga

Senhora da Aparecida
Venho de longe a cantar
Para fazer-te um pedido
E minha santa louvar } bis

Ai,ai, ai
Oh… Oh…Oh…Oh…Oh…Oh
E minha santa louvar

Minha santinha morena
Alegremente te louvo
Proteja minha Helena
Padroeira do meu povo } bis

Ai,ai, ai
Oh… Oh…Oh…Oh…Oh…Oh
Padroeira do meu povo

Senhora da Aparecida
Com o teu manto de anil
Cubra de graças meu povo
Padroeira do Brasil } bis

Ai,ai, ai
Oh… Oh…Oh…Oh…Oh…Oh

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Façam seus pedidos, mas não esqueçam dos agradecimentos à “santinha morena”!!!

BOM SÁBADO

(Vitor Hugo Soares)

out
12
Posted on 12-10-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-10-2013

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CRÔNICA

O Céu dos meus heróis

Janio Ferreira Soares

Embora entenda não haver coisa alguma após a morte, gosto de imaginar situações para aqueles que se foram e que, de certo modo, fazem parte da minha história. Por esses dias mesmo, depois que fiquei sabendo do falecimento do ator Giuliano Gemma, idealizei um lugarejo no Velho Oeste onde bandidos e mocinhos jogam pôquer num saloon esfumaçado, enquanto dançarinas gordinhas sacodem as pernas ao som de um boogie-woogie tocado por um pianista manco. Lá fora, a ventania do fim de tarde arrasta garranchos em direção à silhueta de um caubói que parece flutuar na poeira alaranjada do entardecer de Yelowstone.

Atraído pela música, Giuliano desce do cavalo, amarra-o num tronco de um umbuzeiro em flor (lembre-se que o lugar é de quimera) e empurra a meia-porta com o cano de seu Winchester. Depois de uma generosa dose de bourbon, ele faz a inevitável pergunta dos que chegam ao desconhecido: “então é pra cá que vêm os bons, os maus e os feios depois que partem, não é mesmo…?” “Montgomery, senhor”, diz o barman com uma toalha no pescoço, ao tempo em que risca um fósforo para reacender um toco de charuto que o vento apagou.

De repente ouve-se um grito vindo do mezanino: “Ringo, seu muchacho de uma figa!”. Da escada de madeira desce um baixinho com um sombreiro bordado na cabeça e um crucifixo da Virgem de Guadalupe pendurado no pescoço. “Fernando Sancho, seu guapo safado, quanto tempo! A última vez que te vi estavas de ceroula correndo das balas do meu colt”. Sancho solta uma daquelas gargalhadas que parecem marinadas no deboche e pede ao barman uma garrafa de tequila, “daquela que matou Cantiflas”. É hora de beber o morto.

“Acendam o fogo e queimem a carne, hombres”, ordena Sancho do alto de sua pose de um velho bandoleiro. A fumaça atrai Bob Marley e amigos que, mesmo habitando numa célula paralela, aparecem para cantar I shot the Xeriff, a favorita de John Wayne, que com uma estrela de seis pontas pendurada no peito convida Elizabeth Taylor para um trago no estábulo, “sem querer ofender o Burton, please!”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio Sâo Francisco

out
12
Posted on 12-10-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-10-2013


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Tribuna do Norte (RN)


Eduardo campos com o avô Arraes em campanha: primeiras lições
Foto:Arquivo

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De Arraes ao Plano C (de Campos-Marina)

Vitor Hugo Soares

Ateu que acredita em milagres, antes mesmo da canção famosa, creio mais que nunca, a partir desta semana, depois do Bosão de Higgs, “a partícula de Deus”, ter levado os dois cientistas que a comprovaram, em suas pesquisas, à conquista do Prêmio Nobel de Física 2013.

Igualmente, a semana da miraculosa reviravolta promovida na política brasileira pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, em tabelinha com a ex-senadora acreana, Marina Silva. Ajudados grandemente, diga-se a bem da verdade, por toques refinados de inteligência, audácia e astúcia de outros “craques”.

Cito alguns, mais à vista: O senador gaúcho Pedro Simon; a ex-prefeita de São Paulo e atual deputada socialista Luiza Erundina; o ministro da Suprema Côrte, Gilmar Mendes, com assento no Tribunal Superior Eleitoral: este na linha de grandes polemistas nacionais, com atuação única, crucial e emblemática na contestação do golpe cartorial afinal consumado (6 a 1), que rejeitou o reconhecimento do partido Rede Sustentabilidade.

Mas marcou aquela noite para não esquecer, registrada em vídeo e áudio pela TV Justiça em transmissão ao vivo e na íntegra para o País. Fato jurídico, político e jornalístico de enorme relevância, para o bem ou para o mal, principalmente em relação às biografias dos membros do STE que participaram da votação decisiva, incluindo sua atual presidente, Carmen Lúcia.

Como se não bastassem estes incríveis sinais, de desígnios insondáveis e acontecimentos inesperados, tivemos ainda, na quinta-feira(10), outro anúncio extraordinário: O Prêmio Nobel de Literatura foi conquistado pela escritora canadense Alice Munro, de 82 anos, “mestre do conto contemporâneo”, na definição precisa da nota da instituição ao anunciar a premiação a esta notável escritora que recriou o apaixonante universo de Ontário, onde Alice sempre viveu em contato direto e criativo com os personagens que povoam seus livros, vários deles já publicados no Brasil e em Portugal.

Diante da confissão do início deste artigo, dos fatos relatados acima, e de tantas coisas que eles representam ou podem significar, acrescento: Estou à vontade para, sem me desguiar dos caminhos factuais recomendados nos manuais de redação para o exercício da minha profissão, seguir dando asas à imaginação e prospectar sobre o desconhecido.

Sei que não estou sozinho. Ao contrário, tenho ótimas companhias, a começar pela de Gabriel Garcia Marquez, o fabuloso escritor do realismo fantástico da América Latina (também premiado com o Nobel de Literatura), que recomenda este exercício em sua obra jornalística do começo de carreira. A exemplo do livro “Entre Amigos”, com reportagens artigos e relatos de seu tempo de redator no El Espectador, de Bogotá.

Assim, imagino o enorme contentamento de Miguel Arraes (na dimensão em que estiver agora o histórico líder de esquerda da política no Nordeste, apesar de sabê-lo um turrão e infenso a manifestações elogiosas ou de grandes efusões pessoais em vida) com o feito do neto, Eduardo Campos.

Seu legítimo herdeiro na gestão pública e na política, como está demonstrando Campos nas duas pontas da sua atuação, apesar do muxoxo e cara feia de muita gente quando se fala disso, mesmo em Pernambuco.

“Doutor Arraes” – é assim que o chamam os pernambucanos e o próprio neto –, com fama de “incendiário”, disseminada por militares e civis que comandaram a ditadura de 64, sempre foi um estrategista dos melhores. Mestre na conversa mansa, mas de uma firmeza espantosa nas afirmações, decisões e, principalmente, nas ações.

Fala quase inaudível às vezes (Campos, não raramente, “é igualzinho ao avô”, como assinalou o experiente radialista e político baiano, Mario Kertesz, ao entrevistar o governador pernambucano e presidente nacional do PSB, esta semana, em seu programa de enorme audiência e alcance na Rádio Metrópole-Salvador), Arraes tinha uma incrível capacidade de dialogar e conviver com os extremos. Camponeses ou usineiros. Falava do mesmo jeito com a gente mais humilde e pobre do campo e com os mais ricos e arrogantes fazendeiros e empresários de seu estado e do País.

Digo isso não apenas apoiado no que li e escutei de outros, a exemplo do escritor, memorialista e querido amigo alagoano Carlito Lima, capitão do Exército, digno e humano “Capita, carcereiro de Arraes” no quartel de Recife, que descreve como poucos (sem perder o humor e a ternura jamais) aqueles tempos temerários em seus livros de memória.

Falo e escrevo também por testemunho e vivência pessoal. Nascido na margem baiana do Rio São Francisco, a menos de seis quilômetros da pernambucana Cabrobó, marco zero das custosas, inacabadas e praticamente abandonadas obras de transposição das águas do rio da minha aldeia, sempre estive umbilical, afetiva, cultural e politicamente ligado a Pernambuco. Em Petrolina (PE), onde morei e estudei no começo da juventude, fui dirigente estudantil da UPES, conheci e participei intensamente de campanhas memoráveis do doutor Arraes.

Mesmo em sua invencível circunspecção, creio firmemente que ele deve ter soltado foguetes na alma lá nas alturas, com o feito memorável protagonizado por seu neto, Eduardo Campos (PSB), em parceria com a ex-senadora acreana, Marina Silva, horas depois desta ter sido vítima de um golpe cartorial de “corar frade de pedra”, como definiu sem meias palavras o ministro Gilmar Mendes, no julgamento do TSE que recusou o reconhecimento do Rede Solidariedade.

O resto é o que se sabe e o que se viu nesta semana memorável. Indicativa, pela surpresa e barulho que se escuta em diferentes arraiais e terreiros da política brasileira, de que muito mais se ouvirá e se verá antes das urnas de 2014. Por falar nisso, a presidente Dilma Rousseff desembarca terça-feira na Bahia, em viagem de serviço e de palanque. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, edita o site blog Bahia em Pauta.

E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

“Doutor Arraes” e outros personagens na semana da reviravolta de Eduardo Campos e Marina Silva que abalou a politica brasileira e tirou o sossego e conforto de muita gente

ARTIGO DA SEMANA

De Arraes ao Plano C (de Campos-Marina)

Vitor Hugo Soares

Ateu que acredita em milagres, antes mesmo da canção famosa, creio mais que nunca, a partir desta semana, depois do Bosão de Higgs, “a partícula de Deus”, ter levado os dois cientistas que a comprovaram, em suas pesquisas, à conquista do Prêmio Nobel de Física 2013.

Igualmente, a semana da miraculosa reviravolta promovida na política brasileira pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, em tabelinha com a ex-senadora acreana, Marina Silva. Ajudados grandemente, diga-se a bem da verdade, por toques refinados de inteligência, audácia e astúcia de outros “craques”.

Cito alguns, mais à vista: O senador gaúcho Pedro Simon; a ex-prefeita de São Paulo e atual deputada socialista Luiza Erundina; o ministro da Suprema Côrte, Gilmar Mendes, com assento no Tribunal Superior Eleitoral: este na linha de grandes polemistas nacionais, com atuação única, crucial e emblemática na contestação do golpe cartorial afinal consumado (6 a 1), que rejeitou o reconhecimento do partido Rede Sustentabilidade.

Mas marcou aquela noite para não esquecer, registrada em vídeo e áudio pela TV Justiça em transmissão ao vivo e na íntegra para o País. Fato jurídico, político e jornalístico de enorme relevância, para o bem ou para o mal, principalmente em relação às biografias dos membros do STE que participaram da votação decisiva, incluindo sua atual presidente, Carmen Lúcia.

Como se não bastassem estes incríveis sinais, de desígnios insondáveis e acontecimentos inesperados, tivemos ainda, na quinta-feira(10), outro anúncio extraordinário: O Prêmio Nobel de Literatura foi conquistado pela escritora canadense Alice Munro, de 82 anos, “mestre do conto contemporâneo”, na definição precisa da nota da instituição ao anunciar a premiação a esta notável escritora que recriou o apaixonante universo de Ontário, onde Alice sempre viveu em contato direto e criativo com os personagens que povoam seus livros, vários deles já publicados no Brasil e em Portugal.

Diante da confissão do início deste artigo, dos fatos relatados acima, e de tantas coisas que eles representam ou podem significar, acrescento: Estou à vontade para, sem me desguiar dos caminhos factuais recomendados nos manuais de redação para o exercício da minha profissão, seguir dando asas à imaginação e prospectar sobre o desconhecido.

Sei que não estou sozinho. Ao contrário, tenho ótimas companhias, a começar pela de Gabriel Garcia Marquez, o fabuloso escritor do realismo fantástico da América Latina (também premiado com o Nobel de Literatura), que recomenda este exercício em sua obra jornalística do começo de carreira. A exemplo do livro “Entre Amigos”, com reportagens artigos e relatos de seu tempo de redator no El Espectador, de Bogotá.

Assim, imagino o enorme contentamento de Miguel Arraes (na dimensão em que estiver agora o histórico líder de esquerda da política no Nordeste, apesar de sabê-lo um turrão e infenso a manifestações elogiosas ou de grandes efusões pessoais em vida) com o feito do neto, Eduardo Campos.

Seu legítimo herdeiro na gestão pública e na política, como está demonstrando Campos nas duas pontas da sua atuação, apesar do muxoxo e cara feia de muita gente quando se fala disso, mesmo em Pernambuco.

“Doutor Arraes” – é assim que o chamam os pernambucanos e o próprio neto –, com fama de “incendiário”, disseminada por militares e civis que comandaram a ditadura de 64, sempre foi um estrategista dos melhores. Mestre na conversa mansa, mas de uma firmeza espantosa nas afirmações, decisões e, principalmente, nas ações.

Fala quase inaudível às vezes (Campos, não raramente, “é igualzinho ao avô”, como assinalou o experiente radialista e político baiano, Mario Kertesz, ao entrevistar o governador pernambucano e presidente nacional do PSB, esta semana, em seu programa de enorme audiência e alcance na Rádio Metrópole-Salvador), Arraes tinha uma incrível capacidade de dialogar e conviver com os extremos. Camponeses ou usineiros. Falava do mesmo jeito com a gente mais humilde e pobre do campo e com os mais ricos e arrogantes fazendeiros e empresários de seu estado e do País.

Digo isso não apenas apoiado no que li e escutei de outros, a exemplo do escritor, memorialista e querido amigo alagoano Carlito Lima, capitão do Exército, digno e humano “Capita, carcereiro de Arraes” no quartel de Recife, que descreve como poucos (sem perder o humor e a ternura jamais) aqueles tempos temerários em seus livros de memória.

Falo e escrevo também por testemunho e vivência pessoal. Nascido na margem baiana do Rio São Francisco, a menos de seis quilômetros da pernambucana Cabrobó, marco zero das custosas, inacabadas e praticamente abandonadas obras de transposição das águas do rio da minha aldeia, sempre estive umbilical, afetiva, cultural e politicamente ligado a Pernambuco. Em Petrolina (PE), onde morei e estudei no começo da juventude, fui dirigente estudantil da UPES, conheci e participei intensamente de campanhas memoráveis do doutor Arraes.

Mesmo em sua invencível circunspecção, creio firmemente que ele deve ter soltado foguetes na alma lá nas alturas, com o feito memorável protagonizado por seu neto, Eduardo Campos (PSB), em parceria com a ex-senadora acreana, Marina Silva, horas depois desta ter sido vítima de um golpe cartorial de “corar frade de pedra”, como definiu sem meias palavras o ministro Gilmar Mendes, no julgamento do TSE que recusou o reconhecimento do Rede Solidariedade.

O resto é o que se sabe e o que se viu nesta semana memorável. Indicativa, pela surpresa e barulho que se escuta em diferentes arraiais e terreiros da política brasileira, de que muito mais se ouvirá e se verá antes das urnas de 2014. Por falar nisso, a presidente Dilma Rousseff desembarca terça-feira na Bahia, em viagem de serviço e de palanque. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, edita o site blog Bahia em Pauta.

E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

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A linda e sugestiva canção que os Beatles tornaram mundialmente famosa é lindamente interpretada por crianças neste vídeo do? SOSVillages- SOS Kinderdorf – Aldeas Infantiles SOS- Aldeias Infantis SOS.

BOM SÁBADO PARA TODAS AS CRIANÇAS DA BAHIA, DO BRASIL E DO PLANETA.

(Vitor Hugo Soares)

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OPINIÃO POLÍTICA

Obamacare e liberdade

Ivan de Carvalho

Um furdunço está se desenvolvendo nos Estados Unidos em torno de um programa federal de saúde que o presidente Barack Obama instituiu, com sua assinatura, em 23 de março de 2010, e que já deveria estar em execução, mas não está, pois apesar do apoio do Senado, onde a maioria é do Partido Democrata (o mesmo do presidente da República), a maioria republicana na Câmara de Representantes se opõe ao programa tal qual está formulado.

O governo precisa aprovar o Orçamento da União e também aumentar o limite da dívida da União. O impasse sobre o Obamacare – apelido popular de Patient Protection and Affordable Care Act ou, numa nomenclatura simplificada, Affordable Care Act (ACA) – levou o Partido Republicano, pressionado por seu setor mais radicalmente liberal, o Tea Party, a vetar o Obamacare em sua formulação atual, sob pena de não aprovar o Orçamento da União e a elevação do limite da dívida pública. Exigem cortes de despesas no Orçamento, centradas sobretudo no Obamacare.

Sem orçamento o governo fica semiparalisado e sem a elevação do limite da dívida os Estados Unidos, logo terão de dar calote nos credores, desencadeando uma perigosa crise financeira mundial. Essa situação está levando a maioria dos políticos, analistas e a mídia a crucificarem os republicanos em geral e sua bancada na Câmara dos Representantes em especial, enquanto apedrejam o Tea Party. Sugere-se que estão cegos, que não compreendem a situação.

Os republicanos alegam que o Obamacare amplia de forma temerária o poder estatal, com a redução da liberdade e da autonomia individual. Para o segmento republicano Tea Party, os indivíduos são responsáveis por eles mesmos e têm direito ao que conseguem com o que produzem e não a esmolas do governo – o Obamacare, em um país em que não existe qualquer coisa do tipo SUS, é um programa de planos de saúde fortemente subsidiado pela União. A oposição republicana tem se voltado para o seguinte ponto: se a União está precisando aumentar o limite de sua dívida, então está precisando gastar menos e portanto tem que cortar gastos – e para isto o Obamacare seria o alvo ideal.

Isto parece ou é mesmo cruel, pois deixaria muitas dezenas de milhões de pessoas nos Estados Unidos sem qualquer cobertura de saúde e sequer com algo como o caótico e sucateado SUS, esse mata-mata que existe no Brasil com o apelido oficial de Sistema Único de Saúde.

Mas o Obamacare tem dois aspectos sinistros. Certamente muitos republicanos (além de outras pessoas e instituições) estão atentos a um deles. É o caráter impositivo, quase inacreditável, do Obamacare. A pessoa é obrigada, literalmente, a ter um plano de saúde. Caso não o contrate, será punida com multa. Dependendo da renda anual da pessoa, o Estado subsidiará o pagamento até o percentual máximo de 90 por cento.

Trata-se de uma generosidade (embora não com o dinheiro dos parlamentares e gestores, mas dos contribuintes), mas o que repugna aos republicanos (e, não vou negar, também a mim) é o caráter obrigatório que se introduz numa esfera totalmente privada, sujeitando as pessoas que resistam a punição.

O caráter impositivo, diria mesmo – sem medo de errar ou exagerar – autoritário ou ditatorial, do governo de Barack Obama é de criar a obrigação, para as pessoas, que serão obrigadas a filiar-se ao sistema Obamacare, de se submeterem à colocação de um chip subcutâneo com sua identificação, histórico e outros dados médicos. A previsão era de que isto valeria a partir deste ano, mas houve um adiamento para 2014. A alegação é de que o chip facilitaria as coisas no caso de atendimentos médicos, sobretudo em casos de emergência. Os médicos já teriam tudo no chip subcutâneo, poderiam dispensar todas ou quase todas as perguntas e grande parte das investigações através de exames. É verdade. Mas praticamente nenhuma diferença faria, para essa facilitação, se o chip, ao invés de subcutâneo, estivesse em um cartão (tipo cartão bancário) que a pessoa levasse na carteira.
Mas ninguém seria capaz de garantir que o chip (ou algum outro como ele, já que estabelecido o precedente, sucedâneos podem ser aceitos como rotina), logo ou mais adiante, não poderia viabilizar o rastreamento da pessoa, transmitir sinais vitais (dando conta se está viva ou morta), ser desligado remotamente e com isto produzir sabe-se lá que consequências.
Há coisas no Obamacare muito mais preocupantes que os recursos financeiros que preocupam os republicanos.

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