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OPINIÃO POLÍTICA

O PT e a sucessão

Ivan de Carvalho

Na ampla e destacada entrevista concedida ao editor de Política da Tribuna
da Bahia, Osvaldo Lyra (que teve a colaboração de Fernanda Chagas e Lilian Machado), na segunda-feira, Rui Costa, secretário chefe da Casa Civil do governo Jaques Wagner, não encontrou espaço para citar o nome do secretário estadual do Planejamento, ex-presidente da Petrobras e, como ele próprio, aspirante petista a governador nas eleições de 2014 – José Sérgio Gabrielli.

Rui Costa citou ele mesmo, o senador Walter Pinheiro e o ex-prefeito de Camaçari e ex-presidente da UPB, Luiz Caetano. Deu um apagão em Gabrielli, que até onde se sabia está vivo na disputa e, embora não conte com as preferências da presidente Dilma Rousseff, é notoriamente o candidato desejado por Lula para governador da Bahia nas próximas eleições. E pode-se dizer que, até por isso mesmo, é o candidato preferencial do comando nacional do PT.

Na entrevista referida, o jornalista Osvaldo Lyra percebeu que o nome do secretário de Planejamento, José Sérgio Gabrielli, aspirante ostensivo a ser o candidato do PT a governador, não foi incluído na relação analisada pelo secretário Rui Costa, chefe da Casa Civil e candidato que todos sabem ser o preferido do governador Jaques Wagner.

Diante desse esquecimento, o jornalista entrou com uma questão a que estava obrigado sob pena de omissão de socorro e pergunta: “O senador Walter Pinheiro, o ex-prefeito Luiz Caetano e o secretário de Planejamento José Sérgio Gabrielli, pressionam por uma definição sobre quem será o representante do governo em 2014. Como favorito, como vê essa pressão?”. Mesmo com a citação nominal de Gabrielli, Rui Costa dá uma resposta genérica, sem citar o nome de nenhum dos aspirantes, com o que evita citar o de Gabrielli. Estava confortável para fazer isto, pois o seu próprio nome e os de Walter Pinheiro e de Luiz Caetano já haviam sido gentilmente citados.

Quem lê a entrevista de Rui Costa dá a impressão que ela foi concedida exatamente em um momento em que se queria passar três mensagens ao próprio PT, daqui e d`alhures: uma, de que, embora ninguém esteja no momento cobrando, não adianta mesmo ensaiar a cobrança, pois não serão admitidas eleições prévias no PT para escolha do candidato a governador.

A segunda mensagem: se Rui Costa, ligadíssimo ao governador, só fala em nomes do PT, não dando um pio a respeito de eventuais candidatos ao governo, como Marcelo Nilo, do PDT e Otto Alencar, do PSD, é porque o comando estadual (e neste detalhe até o nacional) do PT não consideram a hipótese de o PT não ter candidatura própria a governador na Bahia.

A terceira mensagem é mais importante. A candidatura de José Sérgio Gabrielli não está sendo considerada pelo comando do PT estadual, especialmente pelo governador, embora haja recebido recentemente apoio de segmentos da CUT, talvez um recado vindo direto do Instituto Lula. Isto significaria que as aspirações ao governo do senador Walter Pinheiro e do prefeito Luiz Caetano estariam sendo consideradas? No meu entendimento, e com base também em outras fontes além da entrevista de Rui Costa, não.

Elas entraram na entrevista porque não seria de bom tom o pré-candidato Rui Costa dizer algo como “os pré-candidatos são eu, eu e eu”. Então disse isso de um modo diferente, confiando em que, para bom entendedor, um terço de palavra basta.

Junte-se isso com o que contou ontem o jornalista Raul Monteiro, editor do site Política Livre. Uma reunião no Palácio de Ondina, na segunda-feira, convocados representantes das quatro principais tendências petistas. Com reafirmação do governador de que o controle do processo sucessório estadual no âmbito do PT é seu e não comporta interferências externas (de fora do estado, dá para entender). E com a advertência, mesmo sem citar nome, de que todos sabem quem é o seu candidato a governador. É fato: todos sabem que é Rui Costa. A hipótese de prévias para escolha do candidato também foi descartada pelo governador. E, afinal, sugeriu Wagner que, para ficar em sintonia com as pesquisas eleitorais e com o apelo de petistas experientes, convém que a escolha do candidato petista seja feita até o dia 9 de novembro (é um sábado), Não ficou clara a razão da escolha desse dia, mas a idéia de que o PT e o governismo não devem perder tempo ficou. O governo quer antecipar-se à oposição.

A oposição não se importa. Quer ter mesmo certeza de que Rui Costa é o candidato do governo.

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