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QUEM CONTA UM CONTO?

Maria Aparecida Torneros

Surprender-se é uma das melhores coisas da vida. Ler contos sempre me dá ganas de admirar o mistério da síntese, adoro os contos do argentino Borges, entre tantos escritores aos quais tive acesso, o nosso grande Machado de Assis, as pequenas historias do mágico Guimaraes Rosa, os contos da talentosa Clarice Lispector. Lembro de um dela, em especial, intitulado "uma galinha", em que a autora inicia dizendo que era uma galinha de domingo. História breve da saga de uma familia às voltas com a fuga da penosa que nao queria virar o almoço de todos.

Assim, quem conta um conto, esparrama hipóteses de histórias que cresceriam, aliás, crescem no imaginário dos leitores, mas, cuja mística reside, precipuamente, justo na economia de palavras, parágrafos, diálogos e no poder de resumir sentimentos capazes de traduzir grandes temas em pequenos espaços.

Conheci Alice Monro agora, de nome, fotos e reportagens. Ainda não li nada seu, mas já me encantei por seu titulos: Amada vida e Demasiada Felicidade, por exemplo.
Suas fotos, sua vida de dois casamentos longos, muitos livros produzidos, a fidelidade ao hábito de descrever os lugares de sua terra Natal, Ontario, Canadá, as filhas, e, principalmente, sua própria surpresa ao ser premiada, e mais, o comentário sobre o percentual pequeno de escritoras, que, como ela, já ganharam o Nobel.
Das mulheres que contam histórias, consideradas grandes, somente 13, conquistaram o laurel da academia sueca. Da America do Sul, apenas a chilena Gabriela Mistral, em 1945.

Agora, a canadense Alice Munro, aos 82 anos, vem nos contar um belo conto de amor às letras, e, evidentemente, ao mundo encantado daqueles que reinventam o mesmo mundo, espalhando sonhos, porque redimensionam a realidade de seres e seus momentos, criando a real oportunidade de ler e viajar a melhor das viagens. Eu, que modestamente, amo escrever contos, criei, um deles, A visita de Piaf, que me agrada muito.

Já estou ansiosa para receber a visita da ficcionista Munro, e, através dela, desfrutar demasiada felicidade, nesta amada vida de leitora, escritora e amante de contos.

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no io de Janeiro e edita O Blog da Mulher Necessária, onde o texto foi publicado originariamente

out
11
Posted on 11-10-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-10-2013


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Pelicano, hoje, no Bom Dia (SP)


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OPINIÃO POLÍTICA

O PT e a sucessão

Ivan de Carvalho

Na ampla e destacada entrevista concedida ao editor de Política da Tribuna
da Bahia, Osvaldo Lyra (que teve a colaboração de Fernanda Chagas e Lilian Machado), na segunda-feira, Rui Costa, secretário chefe da Casa Civil do governo Jaques Wagner, não encontrou espaço para citar o nome do secretário estadual do Planejamento, ex-presidente da Petrobras e, como ele próprio, aspirante petista a governador nas eleições de 2014 – José Sérgio Gabrielli.

Rui Costa citou ele mesmo, o senador Walter Pinheiro e o ex-prefeito de Camaçari e ex-presidente da UPB, Luiz Caetano. Deu um apagão em Gabrielli, que até onde se sabia está vivo na disputa e, embora não conte com as preferências da presidente Dilma Rousseff, é notoriamente o candidato desejado por Lula para governador da Bahia nas próximas eleições. E pode-se dizer que, até por isso mesmo, é o candidato preferencial do comando nacional do PT.

Na entrevista referida, o jornalista Osvaldo Lyra percebeu que o nome do secretário de Planejamento, José Sérgio Gabrielli, aspirante ostensivo a ser o candidato do PT a governador, não foi incluído na relação analisada pelo secretário Rui Costa, chefe da Casa Civil e candidato que todos sabem ser o preferido do governador Jaques Wagner.

Diante desse esquecimento, o jornalista entrou com uma questão a que estava obrigado sob pena de omissão de socorro e pergunta: “O senador Walter Pinheiro, o ex-prefeito Luiz Caetano e o secretário de Planejamento José Sérgio Gabrielli, pressionam por uma definição sobre quem será o representante do governo em 2014. Como favorito, como vê essa pressão?”. Mesmo com a citação nominal de Gabrielli, Rui Costa dá uma resposta genérica, sem citar o nome de nenhum dos aspirantes, com o que evita citar o de Gabrielli. Estava confortável para fazer isto, pois o seu próprio nome e os de Walter Pinheiro e de Luiz Caetano já haviam sido gentilmente citados.

Quem lê a entrevista de Rui Costa dá a impressão que ela foi concedida exatamente em um momento em que se queria passar três mensagens ao próprio PT, daqui e d`alhures: uma, de que, embora ninguém esteja no momento cobrando, não adianta mesmo ensaiar a cobrança, pois não serão admitidas eleições prévias no PT para escolha do candidato a governador.

A segunda mensagem: se Rui Costa, ligadíssimo ao governador, só fala em nomes do PT, não dando um pio a respeito de eventuais candidatos ao governo, como Marcelo Nilo, do PDT e Otto Alencar, do PSD, é porque o comando estadual (e neste detalhe até o nacional) do PT não consideram a hipótese de o PT não ter candidatura própria a governador na Bahia.

A terceira mensagem é mais importante. A candidatura de José Sérgio Gabrielli não está sendo considerada pelo comando do PT estadual, especialmente pelo governador, embora haja recebido recentemente apoio de segmentos da CUT, talvez um recado vindo direto do Instituto Lula. Isto significaria que as aspirações ao governo do senador Walter Pinheiro e do prefeito Luiz Caetano estariam sendo consideradas? No meu entendimento, e com base também em outras fontes além da entrevista de Rui Costa, não.

Elas entraram na entrevista porque não seria de bom tom o pré-candidato Rui Costa dizer algo como “os pré-candidatos são eu, eu e eu”. Então disse isso de um modo diferente, confiando em que, para bom entendedor, um terço de palavra basta.

Junte-se isso com o que contou ontem o jornalista Raul Monteiro, editor do site Política Livre. Uma reunião no Palácio de Ondina, na segunda-feira, convocados representantes das quatro principais tendências petistas. Com reafirmação do governador de que o controle do processo sucessório estadual no âmbito do PT é seu e não comporta interferências externas (de fora do estado, dá para entender). E com a advertência, mesmo sem citar nome, de que todos sabem quem é o seu candidato a governador. É fato: todos sabem que é Rui Costa. A hipótese de prévias para escolha do candidato também foi descartada pelo governador. E, afinal, sugeriu Wagner que, para ficar em sintonia com as pesquisas eleitorais e com o apelo de petistas experientes, convém que a escolha do candidato petista seja feita até o dia 9 de novembro (é um sábado), Não ficou clara a razão da escolha desse dia, mas a idéia de que o PT e o governismo não devem perder tempo ficou. O governo quer antecipar-se à oposição.

A oposição não se importa. Quer ter mesmo certeza de que Rui Costa é o candidato do governo.

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Gravação da década de 70. Composição de Paulinho Tapajós, Cláudio Nucci e Mu Carvalho. Sucesso nacional na interpretação do conjunto Roupa Nova. Aqui em bela interpretação das afinadas e harmoniosas baianas do Quarteto em CY.

BOM DIA

(Vitor Hugo Soares)


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DEU NA COLUNA DE ANCELMO GOIS, EM O GLOBO

A idealizadora da grife Daspu, Gabriela Leite, morreu de câncer, aos 62 anos, às 19h, no Rio. Ex-prostituta da Boca do Lixo, em São Paulo, da zona boêmia de Belo Horizonte e da antiga Vila Mimosa, no Rio, Gabriela estudou ciências sociais na Universidade de São Paulo (USP) e lutou pela regulamentação da profissão de prostituta. Será enterrada no sábado.

Em 1987, ela organizou o primeiro encontro nacional de prostituas, no Rio. Em 92, fundou a ONG Davida. Em 2005, Gabriela criou a grife Daspu, em ironia à Daslu, que foi a maior de artigos de luxo do país. Em 2010, foi candidata à deputada federal pelo PV.

Ontem,9, o deputado Jean Wyllys apresentou no Congresso o projeto Gabriela Leite, que regulamenta a atividade dos profissionais do sexo.

— Gabriela foi uma pessoa público muito importante, que fez diferença — disse Flávio Lenz, assessor e amigo de Gabriela.

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