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OPINIÃO POLÍTICA
Hora das decisões
Ivan de Carvalho

Enquanto vive um ambiente de barata voa a partir da inesperada aliança político-eleitoral de Eduardo Campos e Marina Silva, que pretendia ver totalmente alijada da sucessão presidencial, o PT vai alinhavando, às pressas, para não se deixar cair na perplexidade total, algumas provocações travestidas de análise, entre elas uma que tem como propósito induzir ao desgosto uma parte dos adeptos de Marina Silva e da Rede Sustentabilidade.

Na segunda-feira, o ex-presidente Lula disse a aliados que a filiação de Marina ao PSB “engrandece” o presidente deste partido e governador de Pernambuco Eduardo Campos, um dos candidatos à sucessão de Dilma Rousseff nas eleições de outubro do ano que vem, mas “acrescenta pouco” à fundadora da Rede.
O propósito do comentário de Lula é evidente. Deprimir e causar decepção numa parte da militância da Rede e dos eleitores que simpatizavam com a candidatura presidencial de Marina Silva. Tudo leva a crer que o propósito dessas afirmações de Lula têm muito mais esse propósito do que o de tentar irritar Marina pelo robusto ataque que fez, não diretamente a Lula, mas ao PT, de “chavismo”, representado pela efetivação do golpe cartorial (notório, como atestam os números, principalmente em São Paulo e de modo especialíssimo na região do ABC paulista, onde a influência do PT é incontrastável) que permitiu ao Tribunal Superior Eleitoral negar o registro da Rede em tempo de esta participar das eleições de 2014.

Embora ressalvando que ainda é cedo para fazer uma avaliação aprofundada do cenário sucessório após a união entre Eduardo Campos e Marina Silva, Lula – que sobre isso comentara, ao saber do acontecimento, que “isso foi um direto no fígado” – se disse surpreso por ver Marina, que ocupava o segundo lugar nas pesquisas, dispor-se a ser vice na chapa de Campos, que nessas pesquisas vinha obtendo menos de dez por cento das intenções de voto. Nesse comentário de Lula está clara tentar fomentar a cizânia na aliança Campos-Marina, o que, caso aconteça, será muito bom para o PT e sua candidata à reeleição.

Quanto à Bahia e a sucessão do governador Jaques Wagner, a aliança Campos-Marina tem efeitos intensos. A aliança elimina às últimas dúvidas, que alguns insistiam em alimentar, de que o PSB terá uma candidatura própria a presidente da República. E que, portanto, não haverá como o PSB da Bahia deixar de apresentar candidatura própria à sucessão de Jaques Wagner. Isto representa uma importante ruptura eleitoral na ampla aliança governista estadual.

Deverá, é claro, produzir também uma ruptura política. Não estou falando de inimizades, todo mundo sabe que a senadora Lídice da Mata, presidente estadual do PSB, é amiga e muito grata a Wagner pelo emprenho pessoal que ele teve assegurar que o PT se empenhasse na campanha dela para o Senado, ao invés de concentrar-se apenas na eleição do então candidato e hoje também senador Walter Pinheiro, petista. Mas se será candidata, então tem de dizer em que é preferível ao candidato governista.

Lídice, sabia-se, tinha a idéia de permanecer na aliança governista para as eleições de 2014 e, se pudesse disputar o governo, só desejaria fazê-lo com o que se convenciou chamar “apoio da base” governista. Mas por conta da candidatura de seu partido a presidente, agora consolidada pela união com Marina Silva, a senadora baiana não pode sequer sonhar com o apoio da base e não tem como, sem contrariar frontalmente o comando nacional do PSB, deixar de disputar o governo.

A aliança Campos-Marina, de iniciativa da própria fundadora da Rede, precipitou as coisas na Bahia. O comando estadual do partido, bem como sua presidente, a senadora Lídice, não têm mais tempo para vacilar ou protelar decisões. Virá breve, não por imposição do comando nacional, mas das circunstâncias, que são notórias, a necessidade de Lídice formular um discurso político-eleitoral afirmativo e do PSB retirar-se dos cargos de confiança governistas. Um deles é a chefia da Codevasf em Juazeiro (a Codevasf é federal e quem manda na Codevasf é a candidata-presidente Dilma Rousseff). Os outros são estaduais – a Secretaria de Turismo e a Bahiatursa, ambas sob comando do ex-deputado Domingos Leonelli, o político mais influente do PSB baiano depois da senadora e ex-prefeita.

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