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Postado em 07-10-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 07-10-2013 13:21

DEU NO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO

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DEU NO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO

DE ANÕES E TRATORES

José Roberto de Toledo

“Dilma vai ganhar no primeiro turno porque ocorrerá uma antropofagia de anões. Vão se comer lá embaixo, e ela, sobranceira, vai planar no Olimpo”. O momento pitonisa foi de João Santana, o marqueteiro de Lula e Dilma Rousseff, para a revista Época, pouco antes de a chapa “EduMarina” ser anunciada.

Apesar de fazer previsões, Santana não tem bola de cristal. Nem ele nem ninguém anteviu que Eduardo Campos levaria Marina Silva para o seu PSB. O governador pernambucano cevou a adversária com discrição, para só dar a fisgada na última hora. Pegou-a pela fígado: ofereceu-lhe uma boa chance de vingar-se do PT, de Lula e de Dilma sem perder a pose nem o discurso – só a autonomia.

Os ditos anões não se comeram, se somaram. O resultado da operação é imprevisível. Pode ser uma potência ou uma subtração. Tudo depende de como o eleitor vai perceber a fusão. Se Marina potencializar Eduardo, a candidatura de Aécio Neves (PSDB) perde estatura. Mas Dilma ganhará um problema. Mais um, diga-se, se o marqueteiro traduziu bem o estado de espírito presidencial.

O que mais chama a atenção na frase de Santana não é verbo nem substantivo, mas o adjetivo com que descreveu Dilma. O Houaiss define “sobranceira”: “que encara as pessoas com superioridade; arrogante”. Não há melhor receita para a autofagia dos gigantes.

Por que tamanha sobrançaria?

Enquanto Marina se enredava num drama existencial-partidário, Dilma acelerava a campanha eleitoral. Literalmente. A presidente doou 7.326 máquinas pesadas para quatro de cada cinco prefeituras do Brasil. Mais de 6 mil foram entregues este ano. Há outras 11 mil para ela entregar antes da eleição. Tenta tratorar a oposição.

A ação eleitoral não se limita a dar retroescavadeiras (4,5 mil) e motoniveladoras (2 mil). A campanha de Dilma reorientou a estratégia de comunicação para desnivelar ainda mais o jogo. Sua prioridade se voltou para veículos regionais e locais. Metade das entrevistas exclusivas que Dilma concedeu a rádios desde que tomou posse ocorreram após sua popularidade despencar em julho.

Na sexta-feira, a presidente foi ao interior do Paraná. Falou só às rádios Musical FM e Maringá FM. A locutora sintetizou o que seria a entrevista: “Estamos em rede para Campo Mourão, Maringá e todos os municípios do noroeste do Paraná. Vamos falar com exclusividade com a presidenta Dilma Rousseff, que veio ao Paraná para a entrega de obras e anúncio de investimentos”.

Não deu outra. Dilma despejou cifras e siglas, bilhões para cá e para lá. Anunciou tratores para 92% das cidades paranaenses. “São 367 municípios que vão receber esse kit de motoniveladora, retroescavadeira e caminhão-caçamba”, declamou a presidente. Dois dias antes, repetira a fórmula com as rádios Nordeste Evangélica AM e 96 FM, do Rio Grande do Norte.

Dilma interiorizou a campanha eleitoral. Voltou-se para onde mantém popularidade mais alta – lugares cuja ruas não foram tomadas por manifestantes em junho. Às rádios potiguares, ela foi explícita: “Uma das melhores iniciativas que tivemos foi a interiorização tanto dos cursos técnicos como das universidades, das faculdades criando campus (sic) no interior do Brasil”.

É para o interior que vão também mais médicos e casas dos programas federais. Esse é o contexto da aliança de Dilma com a “agrogirl” Katia Abreu (TO). Eleita pela oposição, a senadora saiu do DEM para o PSD e agora filiou-se ao PMDB, levando a bancada ruralista cada vez mais para perto do governo.

Some-se a recuperação de parte da popularidade perdida, a liderança nas pesquisas eleitorais e a previsão de ter mais tempo de propaganda na TV do que teve em 2010 e vê-se de onde vem o “sobranceira” atribuído a Dilma por seu marqueteiro. O futuro parece definido. Só falta combinar com anões e eleitores.

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Comentários

rosane santana on 7 outubro, 2013 at 14:19 #

(…)ofereceu-lhe uma boa chance de vingar-se do PT, de Lula e de Dilma sem perder a pose nem o discurso – só a autonomia (…).
Ora, ora e a autonomia era tudo que ela tinha meu caro. Santana sabe o que é sobranceira, mas, mas, certamente o escriba não sabe o que é perder a autonomia em política e na vida como um todo. Escorregão legal na suposta “grande análise”. Vingar-se do PT, sem autonomia, aliada a Campos, cuja mãe deve o emprego a Lula e, o poóprio, safou-se de muitas emboladas recentemente, graças a Lula. Marina ficou mais anã ainda.


jader on 7 outubro, 2013 at 21:56 #

Articulação da oposição não é coisa de anão e nem passa só por Marina, Aécio e Eduardo Campos
07/10/2013 | Publicado por Renato Rovai em Política

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A filiação de Marina ao PSB pode não ter sido uma jogada de mestre, mas tampouco foi uma imbecilidade. Tudo indica ter sido uma operação política calculada e cujos bastidores ainda estão por ser revelados. Mas há indícios que já permitem dizer que Eduardo Campos é apenas uma peça dessa história.

É interessante verificar como esse projeto de fusão foi realizado. Pelo divulgado em vários veículos de imprensa, depois de analisar todas as possibilidades, Marina apresentou, “em caráter irrevogável”, sua opção aos que com ela tinham tentado construir a Rede Sustentabilidade. A opção PSB, no entanto, não tinha sido debatida nem com as bases do novo partido e nem com articuladores políticos que vinham buscando a criação da legenda.

Em suma, escolher o PSB não foi fruto de decisão coletiva, como se espera de um projeto que diz ser mais horizontal. Foi operação de bastidor de olho na eleição de 2014. Mas quem fez a aproximação de Marina com Campos? O que foi oferecido a ex-senadora para que num primeiro momento ela deixasse de lado sua candidatura presidencial? Aécio participou da articulação? Por que Roberto Freire ficou puto? Que grupos empresariais articularam essa fusão da Rede com o PSB? Quais são os interesses desses grupos?

No governo há gente comemorando o acordo a partir do entendimento de que é melhor disputar contra dois candidatos fortes do que contra três. Que com este cenário é mais fácil liquidar a eleição no primeiro turno. É uma análise com princípio correto, mas que despreza o elementar. Os operadores do lado de lá também sabem fazer conta.

E as contas podem estar relacionadas com algo mais do que a montagem da chapa Eduardo-Marina, que seria PSB com PSB. E que afastaria várias legendas do projeto e junto com elas tempo de TV, a não ser que isso implicasse em acordos vantajosos para algumas nos estados, o que não parece possível já que o PSB tem quase nada a oferecer.

O cálculo não fecha. Significa pouco do ponto de vista eleitoral, Marina se filiar ao PSB para ser vice de Eduardo Campos. E por isso mesmo talvez ela não tenha respondido a essa pergunta no dia da filiação.

O fato é que a articulação que está sendo montada pela oposição para 2014 é muito mais profissional do que nas disputas anteriores vencidas pelo PT. E isso tem ficado cada vez mais claro para quem tem aceso a análises dos movimentos políticos nas redes sociais.

A oposição já tem um grupo profissional montado e operando de forma cada vez mais articulada. Ou teria sido mera graça o ataque de Danilo Gentilli a Dilma Bolada no Twitter? Desgastar o bom fake de Dilma é parte do jogo.

Danilo Gentilli apoiou Marina na eleição de 2010 e saiu atacando Cid Gomes recentemente. Curioso, né?

É bom lembrar que no auge das manifestações, vídeos lançados simultaneamente com brasileiros falando em inglês fizeram muito sucesso atacando o governo e o PT. Entre eles, o do Change Brasil e o de Carla Dauden. Prestem atenção nas produções, vejam detalhes de enquadramento de câmeras e de seleção de imagens.

A reunião divulgada publicamente entre Aécio e Eduardo Campos, o fico de Serra para o PSDB, o resgate de profissionais da política como Bornhausen, Heráclito Fortes e Tasso Jereissati. Tudo isso junto pode começar a ter mais sentido do que se os olhos se voltarem apenas para Marina e sua decisão tomada em “caráter irrevogável” e sem que tenha sido fruto de qualquer debate mais amplo.

Ainda não está claro o que está sendo articulado, mas é possível perceber que não é coisa de amadores. E parece não estar passando apenas pelos políticos e pela política tradicional tapuia. Ou seja, não é coisa de anão. Aécio, Marina e Eduardo Campos são apenas algumas das peças nessa tabuleiro. Há outros jogadores no jogo.
Em : http://revistaforum.com.br/blogdorovai/


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