Marina:caminho bloqueado, busca inspiração
para decidir hoje próximos passos políticos

========================================================

ARTIGO DA SEMANA

Tambores da sucessão e Conto do Metrô

Vitor Hugo Soares

O barulho é quase ensurdecedor nos terreiros de Salvador e do interior da Bahia nestes primeiros dias de outubro, marcados pelo golpe cartorial desfechado no TSE contra a ex-senadora Marina Silva em seu esforço nacional, ético e diferenciado da geléia geral brasileira, para fundar novo partido que iria abrigá-la e aos seus seguidores (Rede Sustentabilidade).

Se aprovado, o Rede ofereceria o palanque mais confortável e seguro a uma candidatura presidencial, em 2014, da ex-senadora acreana, que obteve 20 milhões de votos na eleição passada. Expressiva parte deles por estas bandas nordestinas. Insuficientes, é verdade, para ser eleita, mas o bastante para surpreender o mundo e encher de temor e fúria gaviões e raposas emplumadas da selva da política nacional.

A notável votação e representatividade política de Marina, por si só, tornam inacreditável e difícil de engolir a decisão – aqui e alhures – sem reações indignadas ou de enjôo, como as que expressou publicamente o experiente e esquentado ministro Gilmar Mendes, via TV Justiça, na noite do julgamento.

Evidente momento de descompasso da justiça e da política que, seguramente, tende a trincar o perfil e a boa fama interna e externa do “ mais moderno e exemplar tribunal brasileiro”, como assinalou Gilmar Mendes, misturando reconhecimento verdadeiro e ironia corrosiva, bem ao seu feitio.

A ponto de abalar e tirar o “fairplay” da ministra Carmen Lúcia, presidente da corte eleitoral exposta cruamente (para o bem e para o mal) pelos holofotes aos olhos da nação e da sociedade, através dos votos tatibitantes e constrangidos de vários de seus membros, em hora dramática e de incrível significado emblemático, no país de 32 partidos políticos.

Inúmeros dos quais não passam de entrepostos eleitoreiros, verdadeiros balcões de negócios em vésperas de eleições ou de aprovação de projetos legislativos de interesse do poder e dos poderosos da vez. Basta conferir os acordos fechados ou em andamento de “acertos finais” em Brasília e nos estados – e não pensem que a Bahia, de onde escrevo estas linhas de informação e opinião, seja exceção, bem ao contrário – conduzidos principalmente por seus governantes e acólitos de confiança, munidos de poderosas máquinas com inesgotávelcapacidade de atender a interesses paroquiais.

Ou de moer e corromper vontades dos que se revelam um pouco mais rebeldes e resistentes.

“Espero que esse seja o último caso que tenhamos que julgar com essas características. O mais moderno dos tribunais, que tem a urna eleitoral (eletrônica) nos enche de constrangimento com essa contagem de assinatura, é um Brasil do passado”, bradou Gilmar Mendes ao expor razões de único membro do TSE a votar (de forma marcante e contundente) a favor do reconhecimento da criação da Rede Sustentabilidade, o partido da luta de Marina, cuja aprovação foi rejeitada por um placar de goleada, que o mundo inteiro já sabe, mas nunca é demais repetir para os mais desavizados ou incrédulos : 6 a 1.

Incluindo o gol da comandante da corte, Carmen Lúcia. “Nada constrangida”, fez ela questão de assinalar, para não deixar sem resposta a crítica dura do colega do Supremo Tribunal Federal, convocado às pressas para substituir o ministro Tófolli, em viagem fora do país.

Os franceses têm uma expressão sob medida para casos assim: “Oni-soit qui mal-y- pense” (amaldiçoado quem pensar mal destas coisas”.

E estamos de volta ao alvoroço dos últimos dias nos terreiros soteropolitanos e áreas do interior baiano, onde o barulho dos tambores ressoam (principalmente os radiofônicos e os da propaganda desvairada na TV) com mais intensidade às vésperas de um novo desembarque da presidente Dilma Rousseff. Naco do Nordeste disputado“com uma fome de anteontem” (para usar os versos de Chico Buarque) por quem almeja permanecer mais quatro anos na cadeira principal do poder em Brasília, ou os tantos e de tantos partidos, que brigam pelo lugar de Dilma na disputa presidencial do ano que vem. Ou aqueles, em maior número ainda, que pleiteiam as vagas dos governadores, como a do petista Jaques Wagner, que irão deixar os seus cobiçados cargos.

Já não é segredo para mais ninguém, pois notícia propagada aos quatro ventos pelos próprios governistas: a presidente da República e virtual candidata à reeleição, aporta semana que vem em Salvador. Na quarta-feira, 9, Dilma e o governador Jaques Wagner, seu companheiro de partido, vão assinar contrato de parceria público-privado com a CCP, grupo empreiteiro concessionário vencedor da licitação (os outros concorrentes desistiram) para retomada das obras civis do metrô da capital baiana, paralisadas pela última vez há 18 meses, depois de 11 anos de obras onde foi “enterrado“ mais de R$ 1 bilhão, no empreendimento que não transportou um único passageiro até hoje.

“Conto dourado” das últimas três campanhas presidenciais na Bahia, a exemplo da transposição das águas do Rio São Francisco no Nordeste, a notícia da chegada de Dilma com a bolsa do governo carregada, parece não empolgar mais o cidadão-eleitor comum. “Saturado de promessas”, como se ouviu esta semana em concorridas festas políticas de novas filiações do DEM baiano (comandado pelo prefeito ACM Neto) e do PMDB (sob a batuta de Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula e adversário implacável de Wagner), ambos entre nomes preferidos das pesquisas para o palácio de Ondina ano que vem.

Mais grana para o “metrô de Salvador, no entanto, é notícia alentadora para os principais pretendentes do PT ao lugar de Wagner no poder estadual: Rui Costa, Chefe da Casa Civil do governador; o secretário de Planejamento e ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli (nome que ganhou novo gás com apoio da CUT e sinais de fumaça e tambores vindos do escritório político de Lula em São Paulo); o impaciente senador Walter Pinheiro e Luís Caetano, ex-prefeito de Camaçari, que corre por fora, mas se diz um nome “de pegada” e de chegada”.

Sob este ponto de vista, a visita de Dilma promete muito. A conferir na próxima semana.

Vitor Hugo Soares é jornalista, edita o site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Be Sociable, Share!

Comentários

vangelis on 5 outubro, 2013 at 9:20 #

Ela deveria entrar com um embargo infringente… hehehehehe


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos