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OPINIÃO POLÍTICA

Oposições se movem

Ivan de Carvalho

Terminando o prazo para filiações partidárias de candidatos às eleições gerais do ano que vem, o Democratas da Bahia promoveu ontem uma festa política no auditório do Edifício Senador Jutahy Magalhães – um dos prédios anexos da Assembleia Legislativa – para filiar três deputados ao partido e dar uma demonstração de presença ativa na política estadual.

Os deputados que assinaram a ficha de filiação já faziam oposição ao governo do Estado, mas estavam em outras legendas. Dois no PR, presidido pelo ex-senador e ex-governador César Borges, legenda que há alguns meses resolveu ingressar na base partidária do governo Jaques Wagner, ante a nomeação de Borges para a Diretoria de Governo do Banco do Brasil. Em âmbito nacional, o PR já apoia os governos petistas há vários anos. O outro deputado deixou o PSC, também por discordar da adesão da legenda à aliança governista na Bahia.

Deixaram o PR para ingressar no DEM o líder da oposição na Assembléia Legislativa, Elmar Nascimento e o deputado Sandro Régis, muito ligado ao ex-governador Paulo Souto. Do PSC passou ao DEM Targino Machado, que também faz oposição severa ao governo petista. As três filiações de parlamentares ao Democratas não acresceram as oposições como um todo, mas é evidente que fortalecem o DEM, que nas eleições municipais passadas saiu-se bem ao conquistas as prefeituras dos dois municípios que representam os dois maiores colégios eleitorais do estado – Salvador e Feira de Santana.

Dando amplitude política ao evento das filiações, estiveram presentes o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia, o prefeito de Salvador, ACM Neto, o ex-senador e ex-governador Paulo Souto, o ex-ministro e atual vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima e seu irmão e presidente estadual do PMDB, deputado Lúcio Vieira Lima, o deputado João Carlos Bacelar, que comanda a seção estadual do PTN, políticos do PSDB, além de um auditório lotado.

Hoje de manhã, às 9:30 horas, é o PMDB que, em sua sede, recebe adesões. Neste caso, haverá algum reforço para o conjunto das oposições. Além do deputado Bruno Reis, que já estava há muito integrado às oposições e que apenas está saindo do PRP para entrar no PMDB, ingressa nesta legenda a deputada estadual Graça Pimenta, que era do PR e tem sua base eleitoral principal em Feira de Santana, onde o marido, ex-deputado Tarcísio Pimenta, foi prefeito até o fim do ano passado. O PMDB, que já tem em Feira uma base expressiva liderada pelo deputado federal Colbert Martins, agora a amplia com a entrada de Graça Pimenta, o que naturalmente acontece com o endosso do marido Tarcísio Pimenta.

O PSDB não fez filiação de deputados, mas ingressou no partido, em solenidade que reuniu a executiva e autoridades do Judiciário, a ex-desembargadora Luislinda Valois, que deverá ser candidata a deputada federal. “Sou preta, pobre, periférica, ousada e magistrada”, comentou, firmando, certamente, a linha do que será seu marketing eleitoral. O presidente nacional da legenda, senador Aécio Neves, aspirante à presidência da República, além de tucanos baianos prestigiaram a filiação partidária dela.

GOLPE DISSIMULADO – Há várias maneiras de se dar um golpe político. Pode-se por as tropas e os tanques nas ruas como também pode-se agir sorrateira e dissimuladamente.
Não estou falando do Tribunal Superior Eleitoral, que já tinha maioria de votos (quatro, em um tribunal de sete) contra a criação da Rede Sustentabilidade, partido pelo qual Marina Silva pretendia candidatar-se a presidente da República em oposição ao governo petista de Dilma Rousseff. Não, não foi o TSE, embora este devesse perceber e abortar o golpe.
Eram necessárias 492 assinaturas para criar o partido. Faltaram, segundo as contas do TSE, 50 mil. Mas um lote de mais de 90 mil foi rejeitado por cartórios sem justificativa, sem fundamentação alguma. Mas havia que justificar. Quem garante que essas rejeições inexplicadas estariam corretas? A Rede Sustentabilidade pediu que fossem computadas, ainda que considerando o benefício da dúvida, mas o TSE foi implacável. E talvez nem haja notado, tão concentrado no formalismo, que enquanto a média geral de não validação de assinaturas pelos cartórios pouco passava de 20 por cento, na região do ABC paulista ultrapassou os 70 por cento. É coincidência demais. Rato escondido com rabo de fora.

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Comentários

Rosane Santana on 4 outubro, 2013 at 6:19 #

Muito bem registrado por você, Ivan, que a pilantragem do governo do PT não tem limite, quando se trata de se perpetuar no poder. Para mim, este foi apenas o primeiro golpe de uma série que vira até as eleições, com um único objetivo: manter o PT no comando do pais até que, finalmente, possa ganhar força total, implantando a ditadura do partido único. Com povo despolítizado, paupérrimo e oposição e aliados também corruptos, vislumbro uma vitória retumbante nessa direção. Quem viver verá. Nunca me esqueço, que na primeira eleição de Lula, ouvi de uma amiga comunista, filha de comunista histórico do antigo partidao, dissidente comunista, que estudou na Rússia, nos anos 50, que, se Lula vencesse e obtivesse a reeleição, paulatinamente caminharíamos nessa direção. Era Verão e
degustávamos um delicioso spaghetti com frutos do mar, no Mistura Fina, em Itapua. Não tenho mais dúvidas. Teremos, no ano que vem, as eleições mais sujas da Republica. E nelas, mais uma vez, o PT será vitorioso.


Rosane Santana on 4 outubro, 2013 at 6:48 #

* * * * *

“No Caminho Com Maiakóvski”
http://on.fb.me/125qI7A

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!

Eduardo Alves da Costa


Rosane Santana on 4 outubro, 2013 at 9:01 #

Não gosto da ligação de Marina com os evangélicos, mas tenho de admitir que esse texto, publicado na coluna dela da Folha de hoje, e simplesmente lindo, belo, contagiante.

É claro que o título acima é uma brincadeira. Escrevo antes da sessão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que vai julgar o pedido de registro da Rede e não posso antecipar o resultado, embora mantenha viva e forte minha confiança na Justiça.

A Rede é uma realidade e já contribui para a ampliação e o aprofundamento da democracia no Brasil. Em primeiro lugar, porque oferece um espaço de reencantamento com a política para uma vasta parcela da população que se mantinha afastada, profundamente decepcionada com os partidos, discursos e práticas dominantes.

A Rede abre uma porta especialmente para a juventude. Oferece aos jovens uma possibilidade de expressão, ação e elaboração de novos ideais e projetos identificatórios. Isso é de uma importância incalculável, uma estreita ponte para um futuro possível.

Mesmo enfrentando a resistência de quem quer manter o “status quo” a qualquer custo, a Rede cria uma agenda estratégica para o país e inscreve o debate sobre a sustentabilidade em sua página central. Questiona os falsos consensos sobre produção e consumo, energia, infraestrutura e todos os elementos de uma ideia de progresso que herdamos do século passado e que já chegou ao seu limite.

E até nas dificuldades para se institucionalizar, a Rede denuncia os limites do sistema jurídico e político do país e abre a possibilidade de mudanças. Invertendo a prática comum dos partidos, de primeiro se registrarem para depois buscarem representatividade social, a Rede surge como movimento social amplo e profundo e é sintomático que passe apertadíssima nas estreitas aberturas do sistema político hoje existente (em que organizações artificiais, diga-se de passagem, passam com folga).

A Rede, enfim, já nasce cumprindo seu destino: democratizar a democracia.

Mas, para tornar séria a brincadeira do início, disso tudo eu já sabia. E é essa certeza que quero compartilhar: o encontro do Brasil com os limites e fragilidades de sua democracia, sua superação e fortalecimento, é uma hora da verdade que não pode ser evitada. Sem a atualização de todo o seu sistema político, sem sua passagem ao século 21, o Brasil corre o risco de uma entropia que desfaça todos os avanços que obteve desde o fim da ditadura.

De nada adianta criar obstáculos e dificuldades, os organismos vivos de um novo tempo já surgem para substituir as estruturas que se fossilizaram com o tempo. Como dizíamos em nossa juventude, mesmo que matem milhares de flores não poderão impedir a chegada da primavera.

Há quanto tempo sabemos disso, não é mesmo?

Marina Silva, ex-senadora, foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula e candidata ao Planalto em 2010. Escreve às sextas na versão impressa da Página A2.


Rosane Santana on 4 outubro, 2013 at 9:03 #

Abre aspas em “E claro e fecha em Não e mesmo”. Não e um texto para canalhas como Lula e Zé Dirceu.


Rosane Santana on 4 outubro, 2013 at 9:13 #

Vitor, veja que excelente texto do nosso amigo Chico Bruno
Direto da Varanda, por Chico Bruno

Política sem fronteiras: muito marketing e o mais do mesmo

A cada dia que passa a política brasileira ultrapassa todos os limites do bom senso.

Hoje quem toca a política nacional não são os políticos, mas os marqueteiros de plantão nos governos e nos partidos.

As propagandas oficiais são de um descaramento tão grande, que muitas pessoas nas redes sociais escrevem que querem morar nas propagandas veiculadas pelos governos.

Quem assiste a propaganda do programa Mais Médicos veiculada nas TVs fica perplexo.

O governo federal afirma que estão em obras 818 hospitais e 601 UPAs, mas não diz onde.

Uma retórica demagógica destinada a favorecer as candidaturas do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo de São Paulo, e a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Na ânsia de tornar popular o ministro e reeleger Dilma, os marqueteiros do governo federal criaram nas coxas o programa Mais Médicos.

Se o governo quer solucionar o problema da saúde pública brasileira deveria começar pelo começo, com um plano nacional de saneamento básico, pois a saúde saudável de um povo começa por esse item.

Mas, como um programa desse porte não se torna realidade do dia para a noite, o governo decidiu incutir na cachola dos brasileiros que o problema da saúde é a falta de médicos.

Pelo raciocínio do governo Dilma os médicos são os salvadores da pátria.

Médico não faz milagre. Para que consigam remediar é preciso medicamentos, equipamentos e outros itens básicos.

Por exemplo, para onde os médicos contratados pelo programa vão enviar os casos mais graves que diagnosticarem, se os hospitais públicos estão superlotados e não dispõem de equipamentos para os exames necessários.

O programa pode até ajudar Padilha e Dilma em seus objetivos eleitorais, mas não convence, pois o diagnóstico da saúde pública no Brasil deixa muito a desejar, para dizer o mínimo.

Resumo da ópera.

Vivemos uma política sem limites, movida, antes de tudo, pelo interesse eleitoral.

Trocamos o planejamento pelo marketing.

Infelizmente é assim.


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