Marcelo, do GGB, e deputado Isidorio: guerra
interna no PSB baiano
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DEU NO JORNAL A TARDE , EDIÇÃO IMPRESSA QUE ESTÁ NAS BANCAS

BIAGGIO TALENTO

Ele chegou a ser ameaçado de expulsão do PSB por declarações consideradas homofóbicas e defender o deputado Pastor Marcos Feliciano, o polêmico presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Agora, o deputado Pastor Isidório de Santana fez as pazes com o direção dos socialistas e vai permanecer no partido, mesmo com a filiação do presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira.

Resolveu “combater” o antagonista na própria legenda e anunciou ontem a criação da “tendência” Núcleo de Héteros (NH) do PSB.

“Eles (os homossexuais) já estão em todos os cantos: é político bicha, jornalista bicha, juiz bicha, delegado bicha, médico bicha. O que vou fazer? Temos que respeitar os direitos e conviver com eles”, disse, alegando que poderia encontrá-los em outras legendas.

“Agora, eu também tenho o direito de criar um grupo de heterossexuais para preservar a espécie. Não tem projeto de preservar bicho, de preservar baleia? Quero preservar o homem”, ironizou o socialista.

“Pessoa correta”

O deputado explicou que resolveu ficar no PSB porque a presidente da legenda na Bahia, a senadora Lídice da Mata, “tem sido uma pessoa muito correta, não posso dizer que ela me maltratou”, declarou, explicando que, por ser evangélico, se preocupa apenas em defender seus valores morais, que são baseados na Bíblia. “Acabei com esse assunto (brigar com os gays). Vou criar o NHPSB, depois dessa fase de troca-troca de partidos, para defender os heterossexuais”, disse, imaginando que, em pouco tempo, devido ao avanço dos gays, vai ser necessário organizar “paradas héteros”.

Bujão nas costas

Isidório não cogita subir no mesmo palanque que candidatos homossexuais, alegando que não faz campanha assim. “Não sou homem de palanque, não sujo parede, não distribuo santinho, diabinho, minha campanha é toda diferente: eu boto bujão nas costas e canto meu slogan ‘quarenta, três, três, três, o sargento Isidório orando por vocês’. Não vou negociar minha fé por causa de deputado ou de partido político”, disse.

Sem o radicalismo de passado recente, Isidório acha até que na eleição ele poderá ajudar e ser ajudado pelos candidatos homossexuais.

“Para se eleger deputado estadual na Bahia, são precisos 100 mil votos para alcançar o coeficiente eleitoral. Mesmo que eu tenha 50 mil votos, preciso que outros candidatos juntem mais 50 mil, 60 mil votos. Eu vou me eleger e não tenho que ficar batendo, esculhambando porque, de qualquer forma, tenho que ter gratidão. Agora, só não posso ser o que eles querem que eu seja. Eles vão continuar convidando todo mundo para ser gay e eu vou convidar a todos para ser heterossexual”, declarou o deputado Isidório, prometendo que, a partir de agora vai “tentar” ficar “light”.

“Grande marqueteiro”

Militante histórico do movimento homossexual, Marcelo Cerqueira entende que o pastor Isidório é “um grande marqueteiro”. Ele não seria “nada daquilo que fala, e aproveita esse antagonismo (em relação aos gays) para surfar e se popularizar entre os evangélicos”. Por essa razão, disse que não vai dar palanque para ele.

Contou que não pretende se candidatar a deputado nas eleições do próximo ano. “Meu projeto político é ser vereador em Salvador. Resolvi me filiar ao PSB por gostar do partido desde a época de universitário”, disse. Ele destacou que a senadora Lídice da Mata foi a primeira prefeita do País a receber uma comissão de homossexuais e sempre defender políticas afirmativas para o gênero.

Pau de sebo

Também elogiou o governo de Jaques Wagner. Ponderou que ele vem implantando políticas de inclusão social, importantes para as populações mais vulneráveis. Contudo disse que, em nível nacional, não tem por que apoiar a candidata do mesmo partido do governador, a presidente Dilma Rousseff, que teria atuado, segundo sua avaliação, contra bandeiras dos homossexuais.

No ano passado, o GGB chegou a incluir a Dilma no “Troféu Pau de Sebo”, destinado aos inimigos dos homossexuais. O motivo foi o grupo considerar nocivo à política de combate ao preconceito o veto ao chamado kit anti-homofobia, produzido pelo Ministério da Educação.

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