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OPINIÃO POLÍTICA

Eleições e oposições

Ivan de Carvalho

O presidente estadual do Democratas, deputado Paulo Azi, numa conversa rápida e absolutamente informal com o repórter na Assembléia Legislativa, manifestou a convicção de que as oposições atuais têm, nas eleições do próximo ano, chances muito maiores do que as que tiveram antes de reconquistar o poder estadual na Bahia.

Convicção é uma expressão do repórter, pois, para o presidente do DEM, afirmar a grande chance das oposições vencerem é apenas uma constatação, fundamentada no cenário político e administrat¬¬¬ivo baiano, sem deixar de levar em consideração o cenário político-eleitoral do país.

Mas o dirigente democrata ressalva, sem mesmo que uma pergunta direta lhe haja sido feita sobre esse aspecto (a conversa foi realmente breve, em um elevador, não deve ter ultrapassado os 30 segundos), que antes de conquistar o poder estadual as oposições “têm que arrumar a casa”, o que vale dizer, unir-se verdadeiramente de um modo que as torne capazes de obter a maioria dos votos

Claro que se poderia dizer que essa condição é óbvia, mas também é claro que vale ser assinalada, pois essa “arrumação da casa”, que envolve, naturalmente, a formação de uma chapa adequada ao momento e que tenha como candidato a governador o nome capaz de atrair a maioria dos votos, não parece coisa fácil. Exige, além da escolha da chapa mais eficaz, a criação de um ambiente de aliança em que todos os componentes estejam empenhados a fundo na vitória. Isso é sempre uma coisa delicada, mas precisa ser conseguida para que aquela chance que “nunca foi tão grande” – o que imagino significar que em 2010 foi menor do que pode ser em 2014 – persista tão forte até o fim.

Parece importar bastante na avaliação do presidente do DEM a certeza de que o PT e o governador Jaques Wagner estão em marcha batida para consumar a escolha de um determinado nome (Azi evitou citá-lo) que os democratas consideram de eleição difícil. Foi aí que a porta do elevador se abriu e a conversa precisou acabar, o que não impede uma retomada a qualquer momento.

Colhendo depois informações junto a outros políticos oposicionistas, deu para acrescentar novos elementos ao cenário. Um deles é de que os oposicionistas parecem convencidos de que o PT e o governo só temeriam um nome das oposições para a sucessão de Jaques Wagner, o prefeito ACM Neto.

Se Neto fosse candidato, o governo pensaria dez vezes antes de definir qual o nome a ser selecionado para enfrentá-lo. Mas como ACM Neto tem se colocado de maneira que elimina dúvidas fora da disputa eleitoral do ano que vem, o governador e o PT estariam se sentindo à vontade para lançar o nome que quiserem, pois acreditam que podem vencer com qualquer nome.

Aí voltamos àquele ponto em que o presidente do DEM, Paulo Azi, se mostra convencido de que o candidato governista já está escolhido. E que não se trata de um político fácil de carregar na campanha eleitoral e de eleger. Este seria um dos componentes – e não o menos importante – da análise oposicionista de que há uma grande chance de vencer no ano que vem.

Com o governo e o PT andando assim de saltos altos, as oposições acreditam que, se fizerem tudo certo, têm uma chance muito grande de eleger o sucessor do governador Jaques Wagner, apesar de não ignorarem, as oposições, que enfrentam uma aliança muito ampla e que dispõe de uma máquina poderosa, formada pelas administrações federal, estadual e muitas administrações municipais, além de entidades que não se esgotam na CUT, MST, muitos sindicatos e congêneres, mas envolvem ainda uma miríade de ONGs.

Vale assinalar que a política é mutante. E que a grande aliança que o governador Jaques Wagner conseguiu formar na Bahia, neste seu segundo mandato, está, neste momento, à beira de uma primeira ruptura: com a candidatura do presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, a presidente, a senadora Lídice da Mata, presume-se, deixará a aliança e será candidata a governadora pelo partido que preside na Bahia.

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