http://youtu.be/JUE9GaBgiBQ

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DEU NA FOLHA

Morreu ontem (27) de câncer, em Los Angeles, o músico Oscar Castro Neves, um dos responsáveis pela divulgação da bossa nova no exterior, junto a Tom Jobim e João Gilberto. Ele tinha 73 anos.

Nos anos 1950, Castro Neves formou o conjunto Irmãos Castro Neves, um dos grupos precursores do movimento. Em 1962, estava junto com Tom Jobim na histórica apresentação no Carnegie Hall, em Nova York.

Castro Neves participava das famosas reuniões musicais realizadas na casa de Nara Leão, frequentadas também por Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli e Chico Feitosa, entre outros integrantes da bossa nova.

Instrumentista, arranjador, compositor e produtor musical, acompanhou estrelas como Michael Jackson, Barbra Streisand, Stevie Wonder e João Gilberto –que como Castro Neves, passou grande parte da carreira no exterior.

Em manifestação em rede social, o seu irmão Pedro Paulo comunicou aos amigos e familiares “a passagem pacífica” de Castro Neves, “junto à sua esposa Lorry e suas duas filhas, Bianca e Felicia”.

“Nosso inesquecível Oscar nos deixou com muito amor que vai continuar para sempre através de suas muitas realizações e, sobretudo, sua música”, disse o irmão em sua página no Facebook.

O músico lançou nove discos, sendo o último de 2006, “All One”. Ele participou também de álbuns de Tom Jobim, Elis Regina –como no mítico “Elis & Tom”, de 1974–, Wilson Simonal, Djavan, Sergio Ricardo, entre outros.

Em 2008, Castro Neves participou, como instrumentista e codiretor musical, do espetáculo “Bossa Nova 50 anos”, realizado na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro.

Castro Neves tratava-se havia meses contra um câncer e passou seus últimos dias em sua casa em Los Angeles, com a família. (DENISE LUNA)

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CRÔNICA

Embargos, anuns e almas-de-gato

Janio Ferreira Soare

Semana passada, enquanto os ministros do Superior Tribunal Federal decidiam o destino dos réus do mensalão, vários pássaros começaram a aportar no meu quintal, nem aí para embargos infringentes, Zé Dirceu e que tais. Ao contrário dos digníssimos que continuam duelando num juridiquês boçal e repleto de tendências partidárias, os nossos animados e desavergonhados bípedes só estão preocupados em – “pela ordem, senhor presidente!” – soltar seus trinados (alguns, creio, em latim clássico), balançar suas penas e, por fim, copular como se não houvesse amanhã, seguindo assim seus instintos reprodutivos nesses tempos primaveris.

Aproveitando que eu estava lendo algo a respeito do tengu (fábula japonesa que prega a existência de seres místicos semi-humanos com cabeças de aves), resolvi observá-los mais atentamente e, para minha surpresa, descobri que existem muitas semelhanças entre as partes supracitadas. Divaguemos, pois, excelentíssimo leitor.

O que são aqueles senhores de capas senão um bando de anuns que agora ciscam nas folhas do jardim com seus longos rabos negros como se fossem as poderosas togas deslizando seus abainhados sobre os mármores do Supremo? A propósito, um deles, bem no estilo Joaquim Barbosa, botou para correr uns quatro machos que ameaçavam embargar seu acasalamento com a única fêmea do pedaço. Questão de prerrogativa, presumo.

Já Lewandowski, com o seu esbelto perfil de garça, também poderia tranquilamente fazer parte da turma das elegantes almas-de-gato que ora gorjeiam pousadas num fio de alta tensão, com suas penugens capilares dançando ao sabor da brisa que vem do norte, tal e qual o topete do ministro quando da última trombada verbal com o arisco Joaquim. Sem falar na classe da ministra Carmem Lúcia, que lembra a suavidade de uma codorninha na relva; ou no titeludo e cantante Luiz Fux, que provavelmente se enxerga uma harpia, mas se parece mesmo é com um bem-te-vi do papo amarelo. Mesmo sem fazer parte do assunto, não encontrei nenhum pássaro de bandana. Será o fim da espécie, meu Deus?

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura

Este emblemático “reggae” da América Latina voa alegre da Bahia na voz de Daniela em apresentação na TV argentina, para abraçar Pablo Vallejos neste 28 de setembro de seu aniversário. Lá na Costa Oeste americana -em San Francisco, na beira da linda baia do Pacífico, ou em Santa Rosa (ao lado da mãe Regina e da mana Gabbee), no belo vale dos vinhedos e dos melhores vinhos californianos, onde ele festeje esta data) -, vai o abraço forte dos seus que estão à beira do Atlântico Sul.

Com votos de muita felicidade e luz e os agradecimentos pelo jeito todo seu de demontrar afeto, amizade e trato inteligente aos que o cercam ou o visitam.

Fomos testemunhas disto, recentemente, na passagem por Frisco, de onde retornamos mais felizes ainda pela acolhida que tivemos de Pablo, o aniversariante de hoje, e de seu pai, o meu compadre chileno Oscar Vallejos, que também festejou aniversário recentemente.

Parabéns, de coração a coração!!!

(Hugo, Margarida e Márcia)

set
28
Posted on 28-09-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-09-2013


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Genildo, hoje, no portal A Charge Online


Celso de Mello no Jornal Integração de Tatuí
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ARTIGO DA SEMANA

Gemidos e desabafos de Celso de Mello

Vitor Hugo Soares

Acontecimentos novos e recentes sugerem a necessidade de repisar, na abertura deste artigo semanal de opinião, palavras do decano ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello. Coisas ditas e ainda não levadas pelo vento, mesmo no País sabidamente de parca memória.

Palavras pronunciadas logo na abertura da longa, rebuscada, contundente e provocativa exposição de motivos do voto que abalou e deu rumo incerto e sem data para o desfecho – que se julgava iminente – no processo de réus do Mensalão, que se prolonga desde meados do ano passado. Pelo andar da tartaruga, tudo indica se arrastará ainda, como assombração para muita gente, pelo ano que vem.

Invadindo palanques da campanha presidencial e para governadores de estado, além da escolha das novas composições da Câmara Federal, assembléias estaduais e parte do Senado. Haja munição!

Ao assinar o voto de desempate (6 a 5) que permite aos réus da Ação Penal 470, o Mensalão, apresentar Embargos Infringentes à decisão do Supremo Tribunal Federal, o decano da Corte Suprema disse no plenário (com transmissão direta para o país inteiro pela aberta TV Justiça e fechada Globo News), naquela tarde de agosto para não esquecer:
(Os magistrados) “não podem deixar contaminar-se por juízos paralelos resultantes de manifestações da opinião pública que objetivem condicionar a manifestação de juízes e tribunais. Estar-se-ia a negar a acusados o direito fundamental a um julgamento justo. Constituiria manifesta ofensa ao que proclama a Constituição e ao que garantem os tratados internacionais”.

Implacável, monocrático (para usar expressão da moda nos tribunais e na mídia) e, pelo menos na retórica de juiz e ator de sotaque e expressões cênicas inconfundíveis.

Aparentemente indiferente a avaliações e julgamentos da opinião pública quanto às suas idéias, conceitos e decisões de respeitado homem de toga, já é possível verificar-se agora, menos de um mês depois do discurso, que o rodado magistrado não é tão imune assim às vozes das ruas e da sociedade.

“Principalmente se expressas em letras de fôrma”, como se costumava dizer no tempo das redações barulhentas pelo confronto aberto de opiniões de repórteres , colunistas e editores, em meio ao batuque incessante das máquinas de datilografia e da movimentação atenta – não raramente também opinativa e cheias de sabedoria e bom senso – , dos trabalhadores nas oficinas e rotativas.

O decano do Supremo também emite sinais de desconforto e gemidos de impaciência (comedida e bem educada, diga-se a bem da verdade) quando jornais impressos ou sites da Internet magoam seus calos. Ou quando a voz das ruas o incomodam.

Quem diria?

Dias depois de desempatar o julgamento do Mensalão e aceitar os embargos infringentes, Celso de Mello foi notícia principal do Jornal Integração, de Tatuí (sua cidade natal). As páginas da publicação, cujo editor é um velho amigo, foram escolhidas pelo ministro do Supremo para revelar (em tom de queixa) que tem sido vítima de pressão midiática, desde o dia seguinte ao voto histórico.

Para o decano do STF, a prova da pressão vem dos editoriais, artigos e notas de colunas publicadas por diversos veículos de comunicação. Não cita nome de veículos nem de autores, mas pontua que alguns críticos dos Embargos Infringentes não lembram de que a decisão representa “a reafirmação de princípios universais e eternos”.

Esta semana, na Folha de S. Paulo, depois de confirmar tudo o que disse ao jornal de Tatuí, o ministro falou por telefone durante meia hora com a jornalista Mônica Bergamo. Ela assina uma das colunas mais lidas e citadas do País.

No espaço de ampla ressonância nacional, o decano do STF foi mais fundo no desabafo, queixas e gemidos. Bem mais que os despejados nos ombros do velho amigo José Reiner Fernandes, editor do “Jornal Integração”. A colunista da Folha registrou que Mello parece “estar com o assunto entalado na garganta”.

“Eu imaginava que isso [pressão da mídia para que votasse contra o pedido dos réus] pudesse ocorrer e não me senti pressionado. Mas foi insólito esse comportamento. Nada impede que você critique ou expresse o seu pensamento. O que não tem sentido é pressionar o juiz. Foi algo incomum”, reclamou.

Mais não digo, por desnecessário. Está tudo na coluna da Folha. Cada queixa e cada gemido do magistrado. Vale a pena conferir, e anotar para ajudar a memória quando no futuro se falar ou escrever sobre esse tempo temerário e os seus juízes.

Vitor Hugo Soares é jornalista. Edita o site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

set
28
Posted on 28-09-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-09-2013

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BENVINDA

Chico Buarque

Dono do abandono e da tristeza
Comunico oficialmente
Que há lugar na minha mesa
Pode ser que você venha
Por mero favor
Ou venha coberta de amor
Seja lá como for
Venha sorrindo, ai
Benvinda
Benvinda
Benvinda
Que o luar está chamando
Que os jardins estão florindo
E eu estou sozinho
Cheio de anseios e esperança
Comunico a toda gente
Que há lugar na minha dança
Pode ser que você venha
Morar por aqui
Ou venha pra se despedir
Não faz mal
Pode vir até mentindo, ai
Benvinda
Benvinda
Benvinda
Que o meu pinho está chorando
Que o meu samba está pedindo
E eu estou sozinho
Vem iluminar meu quarto escuro
Vem entrando como o ar puro
Todo novo da manhã
Venha minha estrela madrugada
Venha minha namorada
Venha amada
Venha urgente
Venha irmã
Benvinda
Benvinda
Benvinda
Que essa aurora está custando
Que a cidade está dormindo
E eu estou sozinho
Certo de estar perto da alegria
Comunico finalmente
Que há lugar na poesia
Pode ser que você tenha
Um carinho para dar
Ou venha pra se consolar
Mesmo assim pode entrar
Que é tempo ainda, ai
Benvinda
Benvinda
Benvinda
Ai, que bom que você veio
Que você chegou tão linda
Eu não cantei em vão
Benvinda
Benvinda
Benvinda
Benvinda
Benvinda
No meu coração

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OPINIÃO POLÍTICA

Acertou na mosca

Ivan de Carvalho

Jornalista, ex-guerrilheiro da Vanguarda Popular Revolucionária, capturado e em seguida severamente torturado pelo dispositivo de repressão do regime militar, além de acusado pelo comando da VPR de trair a organização passando informação relevante para a localização de sua base de treinamento, o que depois comprovou não ser verdade – o que hoje é incontroverso – Celso Lungaretti escreve artigos habitualmente publicados no blog Náufrago da Utopia.

A Utopia, claro, como ele mesmo define e pela qual julga haver lutado é, no plano das ideias puras, uma situação “de plena justiça social com plena liberdade”. No plano da realidade que o mundo experimentou e não conseguiu ainda exorcizar totalmente, aquela utopia se apresentou como “o socialismo real”, uma das coisas mais monstruosas que a civilização, desde a antiguidade até nossos dias, conseguiu criar.

Mas é hora de ir ao assunto. Na quinta-feira, no blog Náufrago da Utopia, Lungaretti encerra queixando-se, um tanto ironicamente, de que “ainda há leitor que me pede para escrever uma ode… a coisa nenhuma”. O que o levou a esse final? Não tenho espaço aqui para transcrever todo o artigo sem renunciar eu mesmo a escrever, de modo que vou me limitar ao parágrafo que, na minha visão, representa o núcleo político do que ele escreveu. Não sem antes assinalar que Lungaretti deixa explícita sua avaliação de que palavras só muito raramente transformam situações e que muito mais valem as ações. Essa opinião é dele.

E então escreve, referindo-se ao discurso da presidente Dilma Rousseff na Assembléia Geral da ONU e, suponho, palavrórios adjacentes dela sobre o caso da espionagem eletrônica do governo americano na Petrobrás e no Palácio do Planalto, atingindo diretamente a própria chefe de estado: “Se o Brasil tivesse reconsiderado a indignidade que cometeu ao negar o asilo solicitado por Edward Snowden, aí sim aplicaria um tapa bem dado nas fuças de Barack Obama, à altura do insulto recebido. Mas, preferiu restringir-se às palavras que o vento leva, preocupado apenas em dar uma satisfação para o público interno. E foi apenas o que logrou.”

Não tenho e não estou interessado em ter a menor idéia a respeito da habilidade de Lungaretti no gatilho, na guerrilha ou nas sessões de treinamento de tiro ao alvo. Mas é inescapável a conclusão de que, no trecho citado acima de seu artigo “Ode a coisa nenhuma”, ele acertou na mosca. Especialmente quando puxou Edward Snowden para o cenário ou, se alguém tiver uma visão crítica pouquinha coisa, ao circo armado pelo governo e pela presidente em torno do grave episódio da espionagem sobre “alvos” – como elas, as agências de espionagem, chamam – brasileiros.

Claro, o governo brasileiro negou vergonhosamente o asilo político solicitado por Edward Snowden, o herói moderno que colocou em grave risco à própria vida e tudo mais para denunciar a espionagem eletrônica globalizada que a NSA, na coordenação de outras agências e organismos americanos de inteligência e policiais (FBI), pratica contra Estados e cidadãos.

Ora, o governo brasileiro soube da espionagem direcionada à presidente do Brasil e assessores seus, bem como à Petrobrás, somente porque Snowden denunciou a espionagem eletrônica global norte-americana e, especificamente, as ações no Brasil que tanto pareceram irritar (e devem ter irritado mesmo) a presidente. Seria o caso, portanto, como sugere Lungaretti no trecho citado de seu artigo, de uma reconsideração da “indignidade” da negativa de asilo e, ao menos como reação objetiva à espionagem, a concessão deste asilo. Mas o governo brasileiro preferiu dizer alguns desaforos na Assembléia Geral da ONU e em algumas outras oportunidades, limitando-se assim às palavras (que soariam ridículas se não houvesse sido adiada a “visita de estado” de Dilma a Washington).
E que, não parecendo ridículas, deram “uma satisfação ao público interno”, segundo Lungaretti, o objetivo da presidente, que “falou bonito”, mas só isso mesmo. Discordo, ou acrescento, quanto ao foco do governo: o barulho, além de “uma satisfação ao público interno”, teve como principal objetivo recuperar simpatizantes que a presidente e seu governo perdera. E, não chega a ser uma surpresa, principalmente no Brasil, o circo cumpriu sua função, a serem fiéis os resultados da pesquisa CNI/Ibope.

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