Bolsonaro agride Randolfe no Rio:truculência
aue namora a tortura

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DEU NO TERRA MAGAZINE

Bob Fernandes

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) diz ter sido agredido pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) nesta segunda-feira (23). Isso na visita da Comissão da Verdade ao Batalhão do 1º Exército, no Rio de Janeiro. Ali funcionou o Doi-Codi na ditadura; na prática, era um centro de tortura.

-Ele me socou por baixo (em direção ao estômago), mas não atingiu em cheio – acusa o Senador Randolfe.

Bolsonaro ensaia um desmentido: “Houve troca de insultos e empurrões…eu empurrei ele por baixo”, admite, antes de oferecer maiores detalhes:

-Se dou um soco nele, eu o desmonto. Boto ele no chão para dormir 3 dias. (…) Eu o teria nocauteado.

(Isso é um deputado federal!)

O PSOL vai representar contra Bolsonaro por quebra do decoro parlamentar. De outras vezes, em outras acusações contra o deputado, não deu em nada.

Bolsonaro defende a tortura. Por mais de uma vez ofendeu colegas, usou expressões racistas e homofóbicas. O Congresso parece ter, ou tem mesmo medo de Bolsonaro.

Bolsonaro surge na cena pública em outubro de 1987, numa reportagem. Então a revista Veja revelou que ele e outro militar planejavam explodir bombas em quartéis do Rio de Janeiro, e na adutora do Rio Gandú.

A ação se daria na luta por melhores salários para os militares – daí nasce a base de votos do agora deputado. Bolsonaro foi processado. Ele negou tudo, foi absolvido pelo Tribunal Militar, mas havia cometido um erro.

A revista publicou um croqui, desenhado pelo próprio Bolsonaro, com a bomba que seria colocada na adutora.

Bolsonaro, como Marco Feliciano, ronda o fascismo. Feliciano, por esperteza, por cálculo eleitoral, joga com o tema religião. Bolsonaro, por conta do seu DNA, atiça o ódio ideológico.

Outro dia falamos aqui sobre o clima de ódio que se espalha, se esparrama pelo debate político em certas áreas. Ódio que, tendo como escoadouro e indutor as redes sociais, sepulta a razão.

Não é a maioria, entre torcedores mais fanatizados de partidos, mas cada vez mais há um tom de recalque, de ressentimento, de rancor.

Renato Janine Ribeiro é professor-titular de Ética e Filosofia Política na USP. Em conversa com o jornalista José Roberto de Toledo, do jornal O Estado de S. Paulo, Renato Janine concluiu:

-Essa polarização aniquila o debate político. Ninguém mais muda de idéia. As pessoas estão blindadas nas suas convicções. A corrupção tem hegemonia no debate político. Um acusa o outro de desonesto e isso dinamita as pontes. O clima de ódio prevalece.

Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da da Getúlio Vargas, pesquisa democracia, participação social e governo. Para o professor, o moralismo afasta as pessoas e “acirra paixões selvagens”. Sobre essa polarização disse ele em conversa também com o Estadão:

-É plebiscitária, contra ou a favor, sem ponderar.

Num ambiente como esse, gente como Bolsonaro avança. Trocando a razão, a inteligência, por ofensas e agressões.

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