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Fux:atitudes que podem surpreender no Supremo

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ARTIGO DA SEMANA

Fux: atitude na Corte de Joaquim

Vitor Hugo Soares

Marcantes, as imagens na festa-jantar comemorativa da posse do ministro Joaquim Barbosa na presidência do Supremo Tribunal Federal, em um clube de festejos em Brasília, são relativamente recentes.

Principalmente se tratamos de justiça brasileira e da particularíssima concepção de tempo e de prazos dos homens de toga, ou de alguns deles mais doutos, vaidosos e empolados na linguagem e nos argumentos. Não raro complicados e difíceis de entendimento pelo “cidadão comum”.

Emblemático exemplo acaba de ser demonstrado no voto de Minerva do decano ministro Celso de Mello, definidor da decisão, por 6 a 5, de acatamento de embargos infringentes, que determina novo julgamento de 12 condenados no longo e cada vez mais polêmico e estranho processo do Mensalão.

É um jeito semelhante ao que se verifica, há séculos, no universo fechado e insondável dos homens de batina. Em especial dos cardeais e religiosos que habitam ou definem o poder do Vaticano para o mundo.

”Na linguagem dos cardeais, quase nunca fica claro ou evidente se o hoje é agora ou daqui a uma década ou cem anos”, aprendi com Araujo Neto, brilhante e saudoso repórter, correspondente do Jornal do Brasil, em Roma, durante uma visita a Salvador no tempo em que o autor destas linha chefiava a redação do sucursal do JB na Bahia.

Era e permaneceu assim pelo menos até a chegada do papa Francisco ao comando da Igreja Católica, o firme e corajoso Jesuíta que a Argentina mandou de Buenos Aires para ser eleito pontífice em Roma, na histórica e transformadora escolha que ainda espanta a Santa Sé e o mundo. Cristão ou não.

Para não perder o rumo, voltemos à festa do começo deste artigo, em seguida ao tenso, denso e significativo ato solene de posse do atual presidente do STF, no plenário da Corte Suprema. O firme e rápido inimigo dos salamaleques verbais e pessoais (como recomenda a boa aplicação da justiça) relator do processo do Mensalão até quarta-feira desta semana.

Antes de proclamar o seu voto, favorável aos embargos infringentes, o ministro Celso de Mello falou por mais de duas horas. Começou lembrando a promulgação da Constituição de 1946. E seguiu falando sobre as Ordenações Filipinas, parada quase obrigatória em processos criminais cuja decisão final se pretenda jogar para as calendas.

Na casa de festejos na capital federal, em novembro do ano passado, impossível não lembrar: Um dos personagens mais destacados, ao lado do próprio Joaquim Barbosa, homenageado principal, foi o ministro Luiz Fux, que agora assume a relatoria da nova fase do processo dos réus do Mensalão.

Herdeiro das melhores tradições e atitudes dos músicos do rock de Brasília, o ministro Fux deu um toque especial de informalidade e agradável surpresa à festa, protagonizando imagens surpreendentes que em seguida iriam percorrer o País e o mundo, via redes sociais.

Guitarra debaixo do braço, Fux assumiu por alguns momentos o lugar do vocalista da banda que tocava no clube. Ele cantou e tocou durante jantar festivo oferecido por associações de magistrados em homenagem a Barbosa, que assumia o comando do STF.

Cantou “Como um Dia de Domingo”, sucesso maior no vozeirão de Tim Maia. Nos primeiros acordes, com a insegurança natural de quem andava descuidado do manuseio da guitarra e da pegada do canto de antigo roqueiro. Mas o público (principalmente os mais jovens presentes na festa) ajudou no coro. E o ministro foi em frente. O toque e o canto encorparam, empolgaram, e o jurista recebeu muitos e entusiasmados aplausos no final da apresentação. O vídeo anda na web para quem desejar conferir.

É o que o baiano Raul Seixas denominava de “atitude”, qualidade essencial de todo bom roqueiro, segundo o autor de “Tente Outra Vez”, magnífica composição de resistência musical, que empolga ainda hoje, sempre que é interpretada pelo maluco beleza do Brasil.

Atitude é qualidade essencial também de todo bom juiz.

O ministro Luis Fux parece decidido a não perder a pegada de Joaquim Barbosa para dar conseqüência às sentenças dos condenados no processo criminal histórico conduzido no STF. Um alento para a sociedade, no meio da quase geral desilusão que se seguiu ao voto do decano do Supremo esta semana.

Relator dos recursos que reabriram o julgamento de 12 réus condenados, Fux deixou evidente em nota distribuída quinta-feira, 19, que não pretende perder mais tempo, além do estritamente essencial nas circunstâncias. O primeiro recurso a ser relatado por ele será o do réu Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e primeiro a apresentar embargos infringentes. Os dos demais 11 réus também serão relatados por Fux, logo que chegarem à Corte.

Isto é atitude. No Rock ou na Justiça. E sinal alentador de que muitas surpresas ainda podem ocorrer na Corte do ministro Joaquim.

A conferir!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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Comentários

Mariana Soares on 21 setembro, 2013 at 10:20 #

A indicação de Fux para relator dos tais embargos infringentes deu, realmente, um gás na minha já quase perdida esperança depois do voto do Decano do STF. Vamos aguardar e torcer, mais uma vez, para que se faça justiça neste caso e, principalmente, neste país.
É só o que nos resta mesmo: esperar, esperar e esperar.


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