TEXTO DO JORNALISTA TONY PACHECO, PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG “OS INIMIGOS DO REI”, QUE O SITE BLOG BAHIA EM PAUTA REPRODUZ, COM PRAZER, PARA DELEITE E REFLEXÃO DE SEUS LEITORES.CONFIRA. (Vitor Hugo Soares)

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Jornal Comentado

UM BAIANO EM HOLLYWOOD

Tony Pacheco


Wagner Moura contracena com Matt Damon: tão bom quanto.
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Ao contrário do que você deve ter lido em alguns jornais, “Elysium” não é um planeta. É uma estação orbital. Uma gigantesca estação orbital onde as classes dominantes do planeta Terra se refugiaram. Fizeram no espaço o que não conseguiram fazer na Terra: a natureza é respeitada, há vegetação por todo lado, não há aglomeração humana (a natalidade é controladíssima), as doenças foram todas resolvidas com altíssima tecnologia.

Mas, como dizem os americanos, “não existe refeição grátis”. O preço de viver num paraíso deste na órbita da Terra é que aqui na superfície ficamos nós, os pobres. Neste aspecto, o filme é uma alegoria social do que já vivemos, inclusive no Brasil, com os ricos tendo uma “segunda vida” nos EUA (principalmente Miami e Nova York) ou na Europa (Paris, Londres, Berlim ou Roma), deixando nós aqui, FEITO ESCRAVOS, trabalhando para a manutenção de suas vidas de potentados árabes do petróleo.

A mensagem do filme, em resumo, é esta: em “Elysium” ficam as pessoas bem nascidas numa vida de paraíso, aqui na Terra ficam os pobres trabalhando em regime escravo, sem saúde, sem educação, sem segurança e sem felicidade. “Elysium” não parece, assim, Angra dos Reis e suas ilhas fluminenses? Trancoso ou as ilhas baianas entre Morro de São Paulo e Camamú? Pois é!

E para arrematar, um baiano está no elenco. O maior de todos os baianos das artes cênicas na atualidade: Wagner Moura, o eterno “Capitão Nascimento” de “Tropa de Elite”. Só que ele agora é um bandido, mas um bandido do Bem, pois ele facilita a entrada em “Elysium” por parte dos miseráveis que vivem na face da Terra e precisam de tratamento pra não morrer de câncer, por exemplo.

Wagner Moura está simplesmente perfeito em seu papel. Diferentemente de uma Carmen Miranda ou de uma Sônia Braga, ele se insere na trama com sua personagem sem parecer caricatura de latino-americano clássico. É um ator convincente, SEM NENHUM FAVOR. Do alto de minha inexperiência, digo que sem dúvida nasce uma carreira internacional para um ator brasileiro que não nos envergonhará.

Vi “Elysium” na Internet, há uns 15 dias, por estas magias russas e chinesas da atualidade. Mas minha cópia estava compreensivelmente ruim, por isso, vou assistir de novo no cinema do Shopping Bela Vista, que é assim um “Elysium” do mundo dos shoppings baianos, pois as multidões enfurecidas de Iguatemi e Salvador Shopping realmente se tornaram insuportáveis

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