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Postado em 17-09-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-09-2013 12:20


Paraty: mar azul, tranquilo e distante dos tsunamis

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CRÔNICA/RIO-BAHIA-USA

Festa azul

Gilson Nogueira

Clara fez as pazes com o mar! A notícia chegou-me, no computador, com uma foto dela na beira da praia de Jabaquara, em Paraty, no Rio de Janeiro, onde curtiu o fim de semana passado com os pais.

O contentamento da mãe de Clara, minha primeira filha, ao vê-la perder o medo do mar, repercutiu em Salvador, no Rio e nos Estados Unidos, onde, outra filha, das quatro que minha mulher e eu fizemos, dará à luz, em dezembro, minha segunda neta.

Foi uma alegria geral, o reencontro de Clara com o mar. Uma festa azul, com direito à pesquisa de pequeninos seres que habitam as bordas do Atlântico e conchas miudinhas de fazer pulseiras e colares. E sonhos.

Desde já, rezo para que a americaninha, com sangue brasileiro, não tenha medo do mar, como a prima, e venha disposta a ser uma campeã olímpica de maratonas aquáticas.Pelo Brasil, claro!

Mas, afinal, o que fez Clarinha não querer conversa com o mar, perguntei-lhe. E ela, “nada”, no silêncio mágico e preciosamente santo de uma criança prestes a completar, agora, em 25 de outubro, seis anos de nascida.

No transcorrer dos últimos 12 meses, busquei captar de minha Carioquinha de Deus, ao vivo, e via Skype, a razão de seu temor às águas dos oceanos, até que, de repente, brincando de princesa, no chão do apartamento de Botafogo, ela responde à centésima pergunta do “vovozinho quilido” : “ Foi o Tsunami!”

Estava começando a ser resolvido o “problema”, considerando-se o fato de haver sido revelado a sua causa. Com o tempo, limitando-se às piscinas de plástico e buracos na areia, para “ nadar” sua felicidade, no Rio e em Salvador, cidade que lhe apresentou os primeiros peixinhos coloridos, no Farol da Barra, nascendo daí uma amizade liquidamente indestrutível, minha neta foi compreendendo as explicações dos adultos para o fato de o Brasil não estar na rota desse monstro dos mares.

As imagens do Tsunami, vistas na TV, lhe marcaram, como fizeram, também, com milhões de outras crianças, ao redor do planeta. Jovens e adultos, idem, não esqueceram o que viram. Possivelmente, enquanto navego na saudade de minha Garota de Botafogo, naufrago em lágrimas de alegria,por conta da decisão dela em voltar a nadar no mar, e escrevo sobre esse encontro histórico dos dois, alguém, em algum lugar do mundo, deve estar fazendo o mesmo que Clara, ficando de bem com o mar.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador do Bahia em Pauta.

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