============================================================

==========================================

CRÔNICA

Celular não combina com rock

Janio Ferreira Soares

De ontem, 13/09, até o próximo domingo, 22/09, o Rio de Janeiro estará sediando o maior festival de rock do mundo. A previsão é que 80 mil pessoas estejam diariamente por lá. Considerando que cada um levará seu celular (será que existe algum jovem que não o possua?) para postar tudo o que rolar, provavelmente teremos a maior concentração de KKKKKKK! por metro quadrado da história do rock. Alguma dúvida de que o sonho acabou?

Lembro que no primeiro Rock in Rio, em 1985, a única forma de comunicação que existia eram alguns orelhões espalhados pela lama, que serviam basicamente para dizer à mãe que as previsões de Nostradamus não tinham se concretizado e que estávamos vivos – apesar da Malt 90 quente e do The B-52’s. Depois era se ligar nas apresentações, à época feitas exclusivamente para serem captadas pelas lentes mais perfeitas que existem, que são essas duas bolinhas que todos temos entre a testa e o nariz, que estão ali exatamente para capturar o mundo sem nenhuma barreira digital entre a retina e o alvo.

O mais preocupante nessa coisa toda é ver que esse utensílio criado para facilitar a vida, virou uma espécie de droga tecnológica consumida por milhares de dependentes capazes de qualquer coisa para possuí-la. Prova disso foi o fato ocorrido numa lanchonete de Salvador, onde uma câmera flagrou uma criança sendo incentivada pelo pai a furtar um celular que um homem esquecera sobre a mesa. Se a cena por si só já é repugnante, ela ganha mais dimensão quando se sabe que o pai é um soldado do Exército. Aí eu fico pensando: e se no lugar do celular fosse, sei lá, um cavaquinho, um rádio de pilha ou um livro de Drummond, será que o recruta teria feito o mesmo? Duvido!

Só para constar. Enquanto escrevia este artigo, meu celular tocou mais de 50 vezes. Explico. Uso-o por ossos do ofício. Mas se pudesse – como diria o professor Aristóbulo diante do olhar de seu Belizário na genial Saramandaia -, fragmentá-lo-ia e reduzi-lo-ia apenasmente a pó, antes que ao pó ele me faça regressar pratrasmente. E tenho dito.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esporte de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

Be Sociable, Share!

Comentários

Olivia on 14 setembro, 2013 at 14:10 #

A primeira noite do Rock in Rio foi salva por… Ney Matogrosso! Beleza de artigo, Janinho. Bj


Mariana Soares on 14 setembro, 2013 at 14:33 #

Muito bom mesmo seu artigo, Jânio! Eu também tenho horror deste tal do celular, que só veio mesmo para nos tirar a privacidade e tranqüilidade na vida!


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • setembro 2013
    S T Q Q S S D
    « ago   out »
     1
    2345678
    9101112131415
    16171819202122
    23242526272829
    30