set
10
Postado em 10-09-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 10-09-2013 00:04

========================================================

=======================================================

CRÔNICA

Nós sempre teremos Paris

Maria Aparecida Torneros

Na semana passada, para compensar a dor da perda de uma grande amiga, recebi dois telefonemas de Paris. A voz masculina, do outro lado da linha, era querida, amável, carinhosa e me cobria de mimos. Nas madrugadas em que me acordou, lá eram 7 da manhã, ele me trouxe o clima parisiense de volta, eu revivi, de certo modo, o delírio romântico que aquela cidade ocasiona nos corações necessitados de crer no amor.

No domingo, vejo o anúncio no jornal da ultima apresentação da peça “Nós sempre teremos Paris”, telefono para saber se ainda há lugares, decido ir na sessão de 18.30h, mando torpedo para avisar meu irmão para que dê uma olhada na nossa mãe velhinha, com quem passo os fins de semana, e fujo, literalmente, para ter Paris, de novo.

Sozinha, sento na poltrona de número 7, no balcão, observo a platéia e o palco, com visão privilegiada, imagino que subi na torre Eiffel, inicio minha sucessão de delírios!

O texto é direto, simples, envolvente e amoroso. A direção da francesa Jacqueline Laurence, autoria do jornalista Artur Xexéo, que vi circulando lá fora antes da abertura do teatro Leblon, sinto que o espetáculo é perfeito para a minha alma necessitada de atravessar o oceano, no caso, a cidade, saindo direto da Vila de Noel, para a Paris instalada na zona Sul do Rio de Janeiro.

Meus sonhos de chegar a Paris, duraram cerca de 40 anos. Comecei a desejar realmente visitar a cidade-luz, com 19, mas só consegui alcançá-la, com 59.

Em 2009, depois de excursionar por Espanha e Portugal , com amigas, decidimos amanhecer em Paris, indo de trem noturno, procedente de Barcelona.

A primeira visão do lugar foi cheia de expressões adolescentes, eu pedia às amigas, por favor, me belisquem, estou mesmo em Paris?

E sucederam-se 5 dias de deslumbramento, passeios, museus, etc.

Na véspera do vôo de volta ao Brasil, elas foram de eurostar a Londres , bem cedinho, e eu fui esperar um amigo brasileiro, radicado desde 68 na França, que viria de Lyon, para me rever e reviver comigo, nossa juventude distante. Ele trouxe presentinhos e eu lhe dei dvds do Zeca Pagodinho. Passeamos muito, de mãos dadas, rimos, almoçamos no quartier latin, e fechamos a noite no Café du Flore, ele voltou para casa, e eu para o hotel, precisava dividir com as amigas, a sensação de namorar, em Paris, com 40 anos de atraso.

Dois anos depois, em 2011, voltei a Paris, desta vez com outra amiga, também permaneci por 5 dias e de Paris, seguimos para 15 dias na Itália, começando por Milão.

Paris de 2011 já era para mim, um resumo de maturidade, não reencontrei ninguém, conheci pessoalmente a baiana Regina Soares, que já era amiga virtual, vive na California, passamos horas conversando. Entretanto, eu me reconheci, muito feliz, comigo mesma. O sabor dos sonhos dos impressionistas me invadiu, passeei de barco no rio Sena, assisti missa na Sacre Couer e para fechar, claro, levei minha companheira de viagem, para tomar vinho no Cafe du Flore, para brindarmos Paris.
A voz das ligações que tenho recebido de Paris é de um amigo português, que ali vive, há muito tempo, mas também tenho amigas e amigos franceses com quem troco conversas via internet, já que, há 3 anos, aos 61, resolvi estudar francês.

Uma das pessoas que me oferecem seu carinho, na língua francesa, é um argelino que vive em Paris, desde os anos 50, que me enviou, inclusive, fotos do casamento muçulmano, da sua filha, no ano passado.

Eu estava ali, diante do palco, ouvindo as canções lindas, interpretadas por Françoise Forton e Aloisio de Abreu, e Paris estava em mim, outra vez, e podia sentir que todas as pessoas respiravam La vie en rose, no final de domingo de setembro, enquanto o coral infantil da Rocinha, entoava o hino concebido por Piaf, uma emoção intensa.

Saí correndo, precisava voltar para ficar com mamãe, atravessei a cidade, e, no táxi, pensei assim: Paris sempre me tem de volta, desde Casablanca, o filme, ou desde aquele dia, no final dos anos 60, em que meu namoradinho da faculdade quase partiu meu coração, me avisando que ia morar em Paris! E foi.

Maria Aparecida Torneros, jornalista, escritora, mora no Rio de Janeiro, edita o Blog da Cida, onde o texto foi publicado originalmente.

Be Sociable, Share!

Comentários

Cida Torneros on 10 setembro, 2013 at 1:25 #

Merci! Oui, Paris , toujour, avec l’amour!


Graça Azevedo on 10 setembro, 2013 at 14:51 #

Vi a peça quando estive no Rio. Sensações semelhantes às suas, Cida!


regina on 10 setembro, 2013 at 15:49 #

Que bom que há Paris,
amigos que chamam no meio da noite,
mimos que se transformam em romance,
necessidade de crer no amor,
irmãos, amigos e mães, que se ajudam entre si,
sonhos que se fazem realidade,
encontros no meio da tarde que viram historia,
Café du Flore, rio Sena, missa na Sacre Couer,
Amores/Amantes/Amigos
volta à realidade mas a possibilidade de voltar à Paris…
Que bom que há Cidas!!!!!


regina on 10 setembro, 2013 at 15:58 #

Cida Torneros on 10 setembro, 2013 at 20:16 #

Regina, que lindo! Merci
Graça, estamos em sintonia!
Bisous procesduas!
Cida


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • setembro 2013
    S T Q Q S S D
    « ago   out »
     1
    2345678
    9101112131415
    16171819202122
    23242526272829
    30