http://youtu.be/z3K_YPDh9Zc

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A maravilha musical em forma de samba que acabo de ouvir Paulinho da Viola cantar, lindamente acompanhado das três filhas, no documentário fora de série sobre o artista, que o canal privado de TV Arte 1 acaba de reapresentar.

Vai para matar a saudade da mana Regina, lá em Santa Rosa, recanto especial encravado entre os vinhedos de Sonoma e Napa, na Califórnia, onde estive recentemente e vai ser difícil esquecer.

Confira. Duplamente.

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO PÚBLICO, DE LISBOA

O Papa repetiu neste domingo o seu apelo a uma “solução justa” para a Síria e, um dia depois de ter juntado cem mil pessoas na Praça de São Pedro numa vigília pela paz, lançou novo repto aos que defendem uma intervenção militar contra o regime de Damasco ao afirmar que muitas guerras têm como único propósito alimentar o comércio de armas.

Aos milhares de fiéis reunidos para a oração do Angelus, numa praça ainda mais cheia do que o habitual, Francisco pediu para que se empenhem “na luta contra o mal”. “Isso implica dizer não aos ódios fratricidas e às mentiras que os alimentam, dizer não à violência em todas as suas formas, dizer não à proliferação e ao comércio ilegal de armas.”

Afastando-se do texto distribuído aos jornalistas, o Papa disse que paira sobre muitos conflitos a mesma dúvida – “é esta ou aquela guerra sobre problemas reais ou são guerras para vender armas?”. E acrescentou: “Há guerras comerciais para vender estas armas de forma ilegal”. “Estes são os inimigos que devemos combater – juntos e unidos, seguindo nenhum outro interesse que não seja a paz e o bem comum”.

Sobre a guerra na Síria, Francisco agradeceu a todos os que, em Roma ou pelo mundo, participaram na jornada de “jejum e oração” e afirmou que todos devem continuar empenhados. “Convido todos a continuar a rezar para que a violência e as devastações cessem imediatamente” e para que seja possível “encontrar uma solução justa para o conflito fratricida”.

No seu discurso semanal, proferido da janela da residência papal, Francisco lembrou ainda a instabilidade no Líbano, os atentados recentes no Iraque, as divisões no Egito e a necessidade de “israelitas e palestinos avançarem com determinação e coragem” nas negociações de paz.

Cerca de cem mil pessoas estiveram ontem, entre as 19h e as 23h, na vigília que o Papa convocou no domingo passado, um dia depois de o Presidente norte-americano, Barack Obama, ter confirmado a intenção de atacar a Síria em resposta ao uso de armas químicas que, segundo as secretas ocidentais, foi ordenado pelo regime de Bashar al-Assad. Sem nunca se referir directamente aos EUA ou à França (o único país que já confirmou a intenção de alinhar numa ofensiva), o Papa declarou que “nunca o uso da violência trouxe paz”.

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DEU NO GLOBO.COM

O frevo praticamente inexistia fora das fronteiras do carnaval quando o produtor e compositor Carlos Fernando (morto no último domingo, aos 75 anos, vítima de complicações decorrentes de um câncer de próstata) idealizou o disco “Asas da América”, lançado em 1979. No álbum, artistas consagrados (Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jackson do Pandeiro) e nomes que se tornariam grandes (Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Alceu Valença) renovavam o olhar sob o gênero. O disco deu origem a uma série de sete álbuns e a outros do tipo (como “Recife frevoé”, com cinco volumes), que acabaram se tornando o maior legado de Carlos Fernando: renovar o olhar sobre o frevo pernambucano.

— Ele deu tratamento pop futurista ao gênero. Acelerou o andamento e trouxe arranjos contemporâneos, introduzindo a guitarra no frevo pernambucano, assim como os teclados. — define o produtor Geraldinho Magalhães, amigo e assistente de Carlos Fernando no início da carreira. — E conseguiu levar para o frevo nomes como Caetano e MPB4, quando o gênero andava bastante esquecido.

Natural de Caruaru, Carlos Fernando foi um personagem marcante da cultura recifense a partir dos anos 1960 — primeiro no teatro e depois na música, ao lado de artistas como Teca Calazans, Naná Vasconcelos, Jomard Muniz de Britto, Quinteto Violado e os parceiros Alceu Valença e Geraldo Azevedo.

— Ele era um pouco mais velho que eu, conheci Carlos Fernando quando entrei no circuito cultural de Recife, já tocando violão — conta Geraldo Azevedo. — Fui assistir a uma peça dele e, depois, disse: “Carlito, você devia escrever letra de música”. Pouco tempo depois ele me deu os versos de “Aquela rosa”. Foi a primeira vez em que musiquei algo. Depois, com outros amigos, fundamos o Grupo Raiz, dedicado a música, literatura e folclore. Tivemos até um programa na TV de Recife, “Chegou a vez”.

Gravada em 1967 por Teca Calazans, “Aquela rosa” venceu o Festival de Música Popular do Nordeste e deu início à carreira de compositor de Carlos Fernando. Ele ainda faria música para para TV (“Saramandaia”, “Sítio do Pica-pau Amarelo”) e cinema (“Pátria amada”, de Tizuka Yamazaki). Entre seus maiores sucessos estão “Canta coração” (em parceria com Geraldo Azevedo) e “Banho de cheiro” — ambas gravadas por Elba Ramalho.

Sua grande contribuição, porém, foi ter idealizado e produzido discos como o “Asas da América”, chamando a atenção para o frevo. “Eu sonhava em fazer o frevo voar, sair da Pracinha do Diário e voar pelo mundo todo”, disse na época do lançamento do primeiro volume. Em discos quase integralmente de composições suas (só ou com parceiros), ele reunia a nata da MPB e nomes promissores da música nordestina. Além dos citados, passaram pela série Amelinha, Fagner, Zé Ramalho, Frenéticas, Luis Caldas, Lulu Santos, Moraes Moreira, Alcione, Lula Queiroga e Lenine. O último da série foi o infantil “Asinhas da América” (1995).

— A série “Asas da América” tinha o mapa do Brasil, artistas de diversos lugares — avalia Alceu, que estava organizando um show em tributo a ele em Recife quando recebeu a notícia da morte. — Com Carlos Fernando, o carnaval de Pernambuco voltou a ter uma trilha sonora contemporânea.

ARTISTAS DA NOVA GERAÇÃO

Geraldo Azevedo nota que o produtor foi fundamental para o que aconteceria na música pernambucana anos depois:

— A Spok Frevo Orquestra, por exemplo, é filha da semente plantada por ele.

Carlos Fernando chegou a trabalhar com a orquestra citada por Geraldo. Ele produziu “É de perder o sapato — 100 anos de frevo” (Biscoito Fino), que aglutinava mais artistas da nova geração em torno do gênero, como Maria Rita e Vanessa da Matta, além de maestro Spok e seus músicos.

Para Alceu e Geraldo ele teria importância especial. Foi o responsável pela aproximação deles no Rio:

— Um dia depois encontrar Alceu, fizemos “Talismã”, que está em nosso primeiro disco (de 1972) — conta Geraldo.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/.

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DEU NO SITE CONTEÚDO LIVRE. tEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO ESTE DOMINGO (8) NAS EDIÇÕES IMPRESSAS DE O GLOBO E A TARDE.NAS BANCAS!

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Um dia aventuroso

Caetano Veloso

Agora vejo aqui que eles puseram a foto na rede e logo alguém tuitou que sou oportunista e incito a violência. Não. Entendo que Black Bloc faz parte. Mas nem anticapitalista convicto eu sou. E quero paz.

Nossa carta pedia a atenção do secretário para a necessidade de um protocolo de ação da polícia durante as manifestações. Na conversa com ele, reiteramos a necessidade do esclarecimento do que ocorreu com Amarildo; quisemos entender por que a polícia, que atirara gás e balas de borracha na multidão que se aproximava da casa de Cabral na Praia do Leblon, sumiu quando poucas dezenas depredavam bancos e lojas na Ataulfo de Paiva; sugerimos o abandono do uso de balas de borracha; exigimos que pessoas imobilizadas não mais fossem vistas apanhando. O secretário é mais inteligente se tem tempo para desenvolver suas ideias do que parece ser nos poucos segundos em que o vemos na TV. E ele parece sincero. Mais do que tudo, expõe as enormes dificuldades que enfrentará quem tente fazer a polícia passar para um patamar diferente daquele em que está há séculos. As UPPs, grande trunfo do governo estadual, são obra sua. Todos os que foram falar-lhe reconhecem quão importante é o que elas esboçam. Dói em todos que elas estejam com o prestígio ameaçado. Uma profunda necessidade de Waismann nos havia levado ali. Ele precisa que as manifestações sejam pacíficas: descobriu que a violência não é arma eficaz. O 7 de Setembro vinha sendo anunciado como um dia de grandes demonstrações. Muito poderá ter se definido nesse dia.

Estou escrevendo ao chegar em casa, de volta, não da secretaria, mas do apê da turma da Mídia Ninja. É que Sidney queria falar com alguém que estivesse mais perto dos manifestantes. Saímos da Central, ele, Olga Bronstein, Yvonne Maggie e eu, de metrô, rumo à Zona Sul. Paramos no Largo do Machado, elas seguiram de táxi, e nós dois fomos comer sashimi. Sidney estava certo de que havia uma reunião da Mídia Ninja na UFRJ e me arrastou com ele. Chegamos ao enorme prédio da universidade e ninguém sabia nos dizer onde se dava a tal reunião. Numa portaria indicada, o porteiro fez umas ligações para descobrir. Daí apareceu uma moça, bonita e elegante em sua simplicidade, e nos disse que Carioca estava num apartamento ali em frente. Sidney ainda perguntou se a reunião era lá. Não era “a” reunião, mas eles estavam lá e queriam falar conosco. Andamos com ela. Carioca nos encontrou na faixa de travessia de pedestre. Muito doce, ele foi conversando até entrarmos no apê. Tudo muito limpo e alegre. Contava que um membro do Black Bloc tinha ido à reunião da véspera e que os aconselhara a não sair no dia 7. Eles, blocs, iam, mas os outros não deviam ir. Perguntei se isso seria uma ameaça. Não parecia, ele disse. Contava mais para mostrar como os discursos dos manifestantes têm sido variados. Repetia sempre a palavra querida dos Fora do Eixo: “narrativa”. Mas a conversa dele era boa. Ele explicava o sentido de certos atos violentos, mas entendia os argumentos de Sidney. Um outro rapaz e uma outra moça estavam na sala quando chegamos. Já no meio do papo chegou uma terceira. Só a menina que nos levou até eles não é moradora. Nem mesmo ninja. Ela é da Maré e vive em Parada de Lucas. Diz que prefere ação a palavras. Mas fala muito bem. Desiludiu-se com as UPPs, nas quais tinha posto fé no início. Mas conta que o pai, morador da Maré, é defensor da inovação de Beltrame. Essa conversa foi muito reveladora da alma do Rio neste momento. Antes disso, os ninjas me pediram para gravar uma fala sobre a proibição do uso de máscaras. Eu sou apenas um velho baiano mas moro aqui há muitos anos e acho que proibir máscaras numa cidade como o Rio é violência simbólica. E sugeri que no dia 7 todos saíssem com máscaras, respondendo com beleza e sem violência. Daí eles me pediram para posar com uma camiseta preta atada ao rosto para eles mostrarem a Emma, que, segundo eles, gostou do meu texto sobre ela. Agora vejo aqui que eles puseram a foto na rede e logo alguém tuitou que sou oportunista e incito a violência. Não. Entendo que Black Bloc faz parte. Mas nem anticapitalista convicto eu sou. E quero paz.

set
08
Posted on 08-09-2013
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-09-2013


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Pelicano, hoje, no Bom Dia (SP)

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CRÔNICA

Saravá!

Gilson Nogueira

Como ator do cotidiano, vi o tempo marcar a mudança da cidade de Salvador, em um ponto de ônibus. Havia mais gente que o normal. O que acontece até hoje.

Feito caçador de borboletas, vou às ruas agitando aquele cesto, a fim de capturar o que restou da minha cidade que se perdeu por ai, na implacável sucessão dos anos, marca desse monstro que não poupa quase nada, nem ninguém.

“E aí, Salvador, onde está você, cadê seus cheiros, seus modos, seus jeitos, seus ares, seus encantos e tesouros todos, seus mistérios e silêncios tantos, sacros e profanos, que a fazem única na mundo?

Onde está sua paz? A característica maior de seu povo, cujos traços culturais, vindos da Mãe África, deram-lhe o privilégio de constituir-se em uma espécie de sacerdote político da nação, na linha direta da fé ecumênica e da benção que Vinícius cantou ao som do berimbau.

Salvador, hóstia geográfica do país, perdoa os que não sabem o que fazem, ao destruírem seu patrimônio histórico, suas belezas naturais, sua história. Mas, ao mesmo instante, clame aos céus por justiça, a fim de que sejam punidos os que a agridem, dia a dia, de todas as formas, como, por exemplo, ao brutalizarem as relações humanas, ao agredirem o seu meio ambiente, ao esquecerem-se de oferecer à sua população a mobilidade urbana que ela necessita, os serviços ao nível de uma metrópole porta de entrada do turismo do Nordeste. Mais que tudo, segurança pública.

Busco, terra amada, desesperadamente, entre lágrimas vestidas de silêncio, a paz que você tinha, a alegria natural de sua gente, acima do bem e do mal, a quietude de seus caminhos e os encontros apaixonados de suas artes, nesse caleidoscópio de talentos que iluminava o mundo. Volte a brilhar, Salvador, além dos festivais de idiotices!
Na esteira rolante do tempo, quero vê-la feliz, conservando os traços que o Arquiteto do Universo lhe Deu. Saravá,Cidade da Bahia!

Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador da primeira hora do BP

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Que fantástica viagem!

BOM DOMINGO!

(Vitor Hugo Soares)

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